Museu Met e John Galliano desistem de mostra após polêmica por antissemitismo
O Metropolitan Museum of Art, o Met, de Nova York , e o estilista John Galliano anunciaram nesta segunda-feira (31) que a exposição "John Galliano: Horizons" não vai mais acontecer. A mostra havia gerado controvérsia por homenagear um profissional condenado por crime de ódio , após fazer comentários antissemitas em vídeo divulgado em 2011. Leia mais (08/31/2026 - 11h22)

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O Metropolitan Museum of Art, o Met, de Nova York , e o estilista John Galliano anunciaram nesta segunda-feira (31) que a exposição "John Galliano: Horizons" não vai mais acontecer. A mostra havia gerado controvérsia por homenagear um profissional condenado por crime de ódio , após fazer comentários antissemitas em vídeo divulgado em 2011.

O diretor-executivo do Met, Max Hollein, disse em nota divulgada pelo museu que a decisão de não seguir com o projeto foi tomada em conjunto com Galliano, "após reflexão cuidadosa".
O comunicado também traz um depoimento do estilista. Ele agradeceu ao museu, a Hollein, ao curador Andrew Bolton e à diretora editorial da Vogue, Anna Wintour , pela "honra extraordinária" de ter seu trabalho considerado para uma exposição individual.
Galliano afirmou que concluiu, "com grande tristeza", ser melhor que a mostra não ocorresse neste momento. Reafirmou responsabilidade pela dor causada pelos comentários do passado, citando as comunidades judaica e asiática, e disse que reparação verdadeira não se resume a uma exposição ou a um gesto público único.

O estilista disse ainda não querer que o debate em torno de sua pessoa colocasse o museu "em uma posição difícil" nem desviasse atenção do trabalho do Costume Institute, departamento de moda da instituição. Agradeceu também o apoio recebido ao longo de 15 anos de sobriedade e recuperação da dependência de álcool e drogas.
Bolton, curador responsável pela mostra, declarou acreditar na responsabilidade dos museus de tratar histórias difíceis "com rigor, transparência e cuidado" e disse apoiar a decisão de não prosseguir. Já Wintour, integrante do conselho do Met, chamou a escolha do estilista de corajosa e afirmou dar "total apoio" tanto a ele quanto ao museu.
Nos dias anteriores ao anúncio, cresceu a pressão de doadores e políticos contrários à homenagem a Galliano, segundo o New York Times . Entre os críticos estavam o colecionador Arne Glimcher, que ameaçou retirar o museu de seu testamento, a presidente da Câmara Municipal de Nova York, Julie Menin, e Elisha Wiesel, presidente da fundação que leva o nome do escritor Elie Wiesel.

A doadora Alice Tisch também enviou uma carta crítica ao diretor do Met, Max Hollein, na sexta-feira anterior ao anúncio, classificando o projeto de "lavagem de imagem" e apontando "uma falha de governança" na decisão do museu. O e-mail circulou entre integrantes da alta sociedade nova-iorquina ao longo do fim de semana.
Representantes da administração do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, também se manifestaram sobre o caso. Em nota, o porta-voz Sam Raskin classificou os comentários antissemitas de Galliano como "vis" e disse reconhecer a "dor e a raiva" causadas pela escolha do museu entre nova-iorquinos judeus, ainda que tenha reforçado a independência institucional do Met para tomar suas próprias decisões.
A mostra faria de Galliano o terceiro estilista vivo a ganhar exposição individual no Met, depois de Yves Saint Laurent, em 1983, e Rei Kawakubo, em 2017. Ele foi demitido do posto de diretor criativo da Dior em 2011, condenado por crime de ódio na Justiça francesa e passou por reabilitação antes de retornar à moda como diretor criativo da Maison Margiela , em 2014.

Ao longo do último ano , representantes do museu, Wintour e o próprio Galliano se reuniram com rabinos e líderes judaicos de Nova York para discutir possíveis reações à exposição. Um dos encontros ocorreu em maio, com a participação do rabino Rick Jacobs, presidente da União para o Judaísmo Reformista na América do Norte, que descreveu o estilista como "sincero" durante a conversa.
Jonathan Greenblatt, CEO da Liga Antidifamação, também havia se manifestado sobre o caso, afirmando acreditar que Galliano trabalhou genuinamente as questões ligadas ao episódio antissemita. A entidade disse já ter aceitado as desculpas do profissional.
Galliano foi flagrado em vídeo, em um bar de Paris , fazendo comentários antissemitas, incluindo uma declaração de admiração a Hitler. O episódio, ocorrido em 2011, ganhou repercussão internacional e resultou em sua demissão do posto de diretor criativo da Dior, cargo que ocupava desde 1996 . Ele foi posteriormente condenado por um tribunal de Paris por injúria pública com base em origem racial, religiosa ou étnica.

Segundo relatou o próprio estilista em documentário de 2024, ele estava embriagado e sob efeito de drogas tanto durante o episódio registrado em vídeo quanto em outras duas ocasiões em que fez comentários semelhantes. Após a condenação, Galliano passou por reabilitação e afirma ter buscado orientação de um rabino em Londres e de representantes da Liga Antidifamação em Nova York para compreender melhor o antissemitismo e a história do Holocausto.
Informações sobre uma nova exposição do Costume Institute e sobre o tema do Met Gala de 2027 serão divulgadas mais adiante, afirma o comunicado do museu.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/museu-met-e-john-galliano-desistem-de-mostra-apos-polemica-por-antissemitismo.shtml.

Cena do documentário 'High & Low - John Galliano', de Kevin Macdonald - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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