Muro da embaixada dos EUA em Brasília é pichado com críticas ao país
O muro da embaixada dos Estados Unidos em Brasília foi pichado nesta quinta-feira (13) com críticas ao país. Entre as frases escritas estava: "Os EUA fazem guerra e lucram com a morte", mensagem também reproduzida em inglês. Leia mais (08/13/2026 - 10h25)

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O muro da embaixada dos Estados Unidos em Brasília foi pichado nesta quinta-feira (13) com críticas ao país. Uma das frases escritas dizia: "Os EUA fazem guerra e lucram com a morte". A mensagem também foi reproduzida em inglês.

O episódio ocorreu em um contexto de aumento das tensões entre Brasil e EUA. Nos últimos meses, o governo Donald Trump intensificou uma ofensiva contra Brasília sem precedentes na história recente da relação entre os países, com a imposição de tarifas, medidas diplomáticas e acusações de interferência no processo eleitoral brasileiro.
A atual crise diplomática representa o momento mais delicado da relação bilateral em mais de dois séculos de história, segundo Lucas de Souza Martins, pesquisador e professor da Universidade Temple.
Neste mês, o governo Trump anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti . A Casa Branca afirmou que a decisão foi uma retaliação à demora do Brasil em conceder aval para que Daniel Perez assuma suas funções como novo embaixador dos EUA em Brasília.

A revogação, no entanto, ocorre cerca de dez dias depois de o Itamaraty negar vistos a funcionários americanos que viriam ao país questionar as eleições.
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O episódio é o mais recente capítulo da deterioração das relações diplomáticas entre os dois países. No início deste ano, Brasil e Estados Unidos davam sinais de reaproximação, movimento que culminou na visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington, em maio.

Desde então, porém, uma sequência de medidas e declarações do governo Trump ampliou o desgaste com Brasília. Nos últimos meses, Trump recebeu o senador Flávio Bolsonaro ( PL ) —agora candidato à Presidência— no Salão Oval, manteve interlocução com Eduardo Bolsonaro, que obteve um green card concedido pelo governo americano, designou facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e anunciou um novo tarifaço sobre produtos do país.
Ao justificar as novas tarifas, o secretário de Estado americano, Marco Rubio , afirmou que as negociações fracassaram porque o governo Lula não teria negociado "de boa-fé" e atribuiu ao presidente brasileiro a responsabilidade pelo tarifaço.
A declaração provocou reação do Itamaraty, que classificou a manifestação de Rubio como um "ataque grosseiro e arrogante". A escalada ocorre em um momento de fortalecimento de governos e lideranças de direita na América Latina, após vitórias eleitorais no Chile, no Peru e na Colômbia e o avanço de aliados de Washington em outros países da região.

Nesse cenário, as perspectivas de uma negociação para reverter o tarifaço seguem reduzidas. Não é a primeira vez que o governo americano adota medidas diretamente contra representantes diplomáticos baseados nos Estados Unidos.
Em março de 2025, a gestão Trump expulsou o embaixador sul-africano em Washington, Ebrahim Rasool, após Rubio declará-lo persona non grata. Na ocasião, o chefe da diplomacia americana afirmou que Rasool odiava os Estados Unidos e o presidente Trump.
A declaração de persona non grata —recurso que, até o momento, não foi utilizado contra a embaixadora brasileira— é o instrumento tradicional da diplomacia para informar que um representante estrangeiro não é mais bem-vindo no país.

A classificação não implica sanções civis ou criminais nem constitui formalmente uma expulsão, embora, na prática, produza esse efeito. Um episódio semelhante envolvendo Brasil e Estados Unidos remonta ao período do Império.
Segundo registros do governo brasileiro, em 1847, durante o episódio que ficou conhecido como "questão Wise", o Brasil declarou persona non grata o representante diplomático americano Henry A. Wise, então enviado extraordinário e ministro plenipotenciário dos EUA no Rio de Janeiro, capital do país à época.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/muro-da-embaixada-dos-eua-em-brasilia-e-pichado-com-criticas-ao-pais.shtml.

Embaixada Americana é vandalizada em Brasília. Ação teria acontecido durante a madrugada - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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