Mural gigante celebra Milton Nascimento em prédio do centro de Belo Horizonte
Obra assinada por Kaká Chazz compõe uma

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"De novo na esquina os homens estão", canta Milton Nascimento na clássica "Clube da Esquina", música de 1970.

Mais de 50 anos depois, a profecia se cumpre mais uma vez. Nesta quinta-feira (24), foi finalizado um mural de 1.600 metros quadrados em homenagem ao cantor, carioca de nascimento, mineiro de coração , numa das muitas esquinas da região central de Belo Horizonte .
Assinada por Kaká Chazz, a obra ocupa a empena de um prédio na avenida Álvares Cabral, próxima à rua Timbiras. Segundo o artista, o mural promove uma travessia ao retratar o artista em dois momentos de sua vida .
Acima, está o Milton mais velho, vestido com o figurino que o acompanhou durante sua turnê de despedida dos palcos, em 2022 . Abaixo, está o rosto do jovem compositor que se tornaria um dos principais nomes da música brasileira.

"Pintar o Milton não é simplesmente pintar um grande artista que admiro. É pintar uma pessoa que teve uma trajetória de muitas lutas, mas que se entregou verdadeiramente àquilo em que acreditava: à arte e ao povo", diz Chazz.
Para a arte, foram escolhidos elementos que remetem ao barroco mineiro, como os arabescos, e aos temas que, segundo o artista, foram sintetizados pela obra de Milton, como o sertão, a fé e a cultura popular. Ao conjunto, colorido com os tons do pôr do sol, ainda foram adicionadas sementes, marca do trabalho de Chazz.
"Neste mural, a semente também faz referência ao nome que Milton recebeu do povo indígena Guarani-Kaiowá , que o batizou como Semente da Terra", conta o artista.

O muralista é natural de Três Pontas , cidade do sul de Minas Gerais, para onde Milton se mudou aos seis anos, no final da década de 1940, e disse que sentiu o peso da responsabilidade de pintar "um artista gigante".
O artista também assina outro mural em homenagem a Milton na cidade do interior mineiro, finalizado no ano passado. "Foi uma homenagem que ele [Milton] aprovou e adorou", diz Augusto Nascimento, filho do músico.
"Crescer nesse lugar e depois me tornar artista fez com que eu fosse entendendo, com o tempo, a dimensão do que o Milton representa", afirma Chazz. "Acho que essa proximidade também influenciou a maneira como eu construo o meu próprio trabalho."

A pintura do mural integra a 20ª edição da Fábrica de Graffiti, projeto com foco na humanização de espaços industriais por meio da valorização da cultura StreetArt. Nos seus 7 anos de atividade, a iniciativa foi responsável por murais de grafite em cidades de Minas, da Bahia e do Rio de Janeiro.
"Milton Nascimento é um artista que atravessa gerações e nós, um projeto mineiro, ficamos honrados em realizar um mural que com certeza se tornará um cartão-postal na cidade de Belo Horizonte", afirma Paula Mesquita, produtora executiva do projeto.
O mural foi patrocinado pela Fundação ArcelorMittal e se soma aos demais grafites que, nos últimos anos, transformaram o centro da cidade numa galeria ao ar livre de artes gigantes.

Neste ano, durante o Cura - Festival de Arte Urbana, a cidade recebeu novos murais assinados pelo líder indígena e escritor Ailton Krenak e pela artista Rafaela Ianni, que fez uma intervenção no edifício JK , um dos símbolos belo-horizontinos da arquitetura modernista de Oscar Niemeyer .
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/mural-gigante-celebra-milton-nascimento-em-predio-do-centro-de-belo-horizonte.shtml.

Mural de 1.600 m² assinado por Kaká Chazz presta homenagem a Milton Nascimento no centro de Belo Horizonte - Divulgação Fábrica de Graffiti · Divulgação Fábrica de Graffiti — Foto: UOL
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