Mundo está ainda mais perigoso 25 anos após o 11/9
O parto do século 21, ocorrido quando os aviões sequestrados pela Al Qaeda se chocaram contra as Torres Gêmeas, o Pentágono e o solo da Filadélfia, foi dos mais dolorosos. Raros, eventos catastróficos costumam servir bem à historiografia para definir eras. Leia mais (09/10/2026 - 23h00)

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O parto do século 21, ocorrido quando os aviões sequestrados pela Al Qaeda se chocaram contra as Torres Gêmeas, o Pentágono e o solo da Filadélfia, foi dos mais dolorosos. Raros, eventos catastróficos costumam servir bem à historiografia para definir eras.
No caso do 11 de Setembro , o dia encerrou a volta da vitória dos Estados Unidos após o colapso soviético, dez anos antes. O mundo róseo do "fim da história" desabou com os prédios.
O impacto foi sucedido por mais sangue, na forma da dita Guerra ao Terror, que redefiniu o conceito de vigilância global. Se você não entra em um avião com uma tesourinha de unha, pode colocar na conta de Osama bin Laden (1957-2011) .

A agência de segurança em aeroportos americanos criada a partir da tragédia , a TSA, consumirá US$ 8 bilhões só em 2026. É por causa desse órgão que a indústria de bagagens tornou padrão cadeados que podem ser abertos por algum de seus 58 mil funcionários sem que a sua mala seja destruída.
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Da árvore desses detalhes para a floresta de um cipoal de observação que inclui satélites, câmeras de ruas, drones e uma infinidade de recursos cibernéticos, emergiu uma sociedade muito mais controlada.

O terror ainda falaria mais alto no início do embate. O ano de 2014 registrou o maior número de ataques na história, cerca de 17 mil, segundo o Índice de Terrorismo Global, do Instituto para Economia e Paz (Austrália). Em 2025, foram pouco menos que 3.000, 3% deles em países do Ocidente.
A rede Al Qaeda foi dispersada após a morte de seu líder, Bin Laden, e hoje opera principalmente em países africanos. O Talibã , desalojado de Cabul por ter dado abrigo aos terroristas, voltou ao poder após a vexatória retirada americana de 2021, mas está mais preocupado em impor seu governo repressor.
O Estado Islâmico , filho da inclusão fraudulenta do Iraque na Guerra ao Terror pelos EUA, perdeu sua estrutura militar e sobrevive em células que agem da Rússia ao Afeganistão .

Com isso, à primeira vista a era de ameaça aguda foi superada. Mas a realidade é paradoxalmente diferente.
Desde então, não houve mais ataque de grandes proporções contra solo americano. Hoje, porém, o Congresso dos EUA aponta falhas no monitoramento de ameaças cada vez mais domésticas , de jihadistas a radicais de esquerda, passando por supremacistas brancos.
Ampliando o foco, a situação fica ainda mais nebulosa pela multiplicação dos riscos e da natureza da segurança mundial, que viu ressurgir a competição entre Estados.

Donald Trump reagiu em 2017 à assertividade da China sob Xi Jinping com a Guerra Fria 2.0, enquanto Vladimir Putin encarnou a revanche russa com a invasão da Ucrânia cinco anos depois.
A aventura russa tornou-se um atoleiro, sempre ameaçando uma escalada que envolva a aliança militar Otan e o risco de um conflito nuclear, ainda mais com o desmantelamento do arcabouço de controle de armas atômica.
O mesmo Trump, de volta à Casa Branca, lançou uma política isolacionista contraditória, buscando livrar-se de engajamentos com aliados, mas empregando força militar a bel-prazer. O resultado se viu na Venezuela e, principalmente, no Oriente Médio após o ataque ao Irã em fevereiro.

Esta guerra, aliás, retoma um elemento sempre criticado pelo próprio republicano dos conflitos do pós-11/9: a falta de foco após o golpe inicial.
Ela também se entrelaça com o terror, que não deixou nem nunca deixará de existir. O conflito atual é também uma sequência lógica do tira-teima regional que Israel disparou após ser brutalmente atacado pelos palestinos do Hamas em 2023.
Ante o rearranjo do Oriente Médio pela força israelense e o desassombro de Teerã em atacar vizinhos, emergiu uma aliança inaudita entre potências muçulmanas, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, ensejando uma fase de equilíbrio à base de ameaças.
Temperando tudo isso há a questão dos meios de emprego da violência. Se "lobos solitários" seguem insondáveis com seus ataques, a tecnologia abre possibilidades. A Ucrânia demonstrou o estrago que pequenos drones escondidos em caminhões podem fazer a uma potência nuclear, por exemplo.
E há o mundo virtual, com a inteligência artificial à frente. Ataques contra a infraestrutura real, como a rede elétrica, usinas nucleares ou o controle de voo, são preocupação constante e parecem apenas a um passo de um evento cataclísmico.
A tudo isso se somam instabilidades, que vão do renascimento dos nacionalismos europeus à dança do preço do petróleo neste ano. Com todos esses fatores, passado um quarto de século do 11 de Setembro, o mundo só ficou mais perigoso.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/mundo-esta-ainda-mais-perigoso-25-anos-apos-o-119.shtml.

Avião prestes a atingir a segunda torre do World Trade Center no ataque de 11 de setembro de 2001 em NY - Seth McAllister - 11.set.01/AFP · Seth McAllister - 11.set.01/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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