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    Mulheres vereadoras têm mais chance de abandonar a política ou de nunca se reeleger, diz estudo

    Mulheres eleitas vereadoras no Brasil têm mais chances de abandonar a carreira política e de nunca conseguir se reeleger, na comparação com os homens. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Brazilian Political Science Review. Leia mais (08/11/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 16:00
    Mulheres vereadoras têm mais chance de abandonar a política ou de nunca se reeleger, diz estudo
    Mulher de cabelos castanhos e roupa azul fala ao microfone em púlpito de madeira, gesticulando com a mão direita levantada. Ao fundo, bandeiras verde, amarela e branca estão parcialmente visíveis. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Mulheres eleitas vereadoras no Brasil têm mais chances de abandonar a carreira política e de nunca conseguir se reeleger, na comparação com os homens. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Brazilian Political Science Review.

    A vereadora Aladilce Souza (PCdoB-BA), que não conseguiu se reeleger em 2020, mas voltou à disputa e foi eleita em 2024 - Lika Estrêla/Divulgação · Lika Estrêla/Divulgação
    A vereadora Aladilce Souza (PCdoB-BA), que não conseguiu se reeleger em 2020, mas voltou à disputa e foi eleita em 2024 - Lika Estrêla/Divulgação · Lika Estrêla/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A pesquisa é assinada por Lucas Gelape, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) , e Débora Thomé, professora do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino Desenvolvimento e Pesquisa). Os dois usaram dados abertos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para acompanhar a trajetória eleitoral dos 51.478 vereadores eleitos em 2008 e nos pleitos municipais seguintes, até 2020.

    Diferentemente de outros estudos sobre carreira política no Brasil, que costumam olhar apenas a eleição seguinte para concluir se um político abandonou ou não a disputa, a pesquisa de Gelape e Thomé acompanhou décadas de trajetória. Segundo eles, olhar só o ciclo eleitoral imediato subestima tanto o abandono real como as tentativas de disputar cargos executivos mais adiante na carreira.

    Os pesquisadores classificaram os vereadores eleitos em 2008 em cinco grupos: quem abandonou a disputa depois; quem tentou a reeleição sem sucesso; quem se reelegeu ao menos uma vez; quem disputou a prefeitura e perdeu; e quem venceu a disputa para o Executivo municipal.

    Casos de violência política contra mulheres
    Casos de violência política contra mulheres — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Entre os homens, 38% se reelegeram ao menos uma vez depois de 2008. Entre as mulheres, a taxa foi de 31%. Ao comparar vereadores com perfil semelhante —mesmo tamanho de município, escolaridade, idade e ideologia partidária—, a diferença diminui, mas não desaparece. Nesse cenário, a chance de reeleição varia de 35% a 36% entre as mulheres, contra 37% a 38% entre os homens.

    Cerca de um quarto (24%) das mulheres abandonou a disputa depois de 2008, contra 20% dos homens. A proporção das que tentaram a reeleição e não conseguiram também foi maior entre elas: 27%, contra 23% entre eles.

    Os pesquisadores levantam a hipótese de que a percepção de um ambiente político hostil às mulheres pode estar associada à decisão de abandonar a disputa eleitoral, embora não tratem como relação de causa e efeito.

    Prefeitas mulheres nas capitais brasileiras
    Prefeitas mulheres nas capitais brasileiras — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Uma vez que você tenta e não consegue, entrar numa nova disputa é muito custoso. Elas citam essa falta de apoio nas instâncias partidárias", afirma Thomé.

    O cargo de vereador é apontado como o mais acessível do sistema político brasileiro, por exigir poucos requisitos legais e oferecer o maior número de vagas. Para Thomé, é pelo fato de ser a porta de entrada que a vereança concentra mais abandono.

    "Se alguém foi deputada estadual ou deputada federal e não foi reeleita, ela vai tentar se reinserir num cargo mais baixo do que ocupava. A disputa é grande, mas a desistência é bem menor, porque são pessoas que já fizeram uma carreira na política", diz.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A tentativa de disputar a prefeitura foi parecida entre os vereadores: 17% das mulheres e 18% dos homens tentaram o cargo majoritário. O sucesso, por sua vez, foi maior para eles: 8% dos homens que tentaram venceram, ante 7% das mulheres.

    O Brasil adotou as primeiras cotas de gênero em 1995 , e os partidos hoje são obrigados por lei a reservar 30% das candidaturas para mulheres. Para Thomé, essa regra resolveu o problema da entrada, mas não o da permanência.

    "Não vejo outra forma de aumentar o número de mulheres eleitas no Brasil que não seja criando uma legislação de reserva de vagas. A vaga não vai estar mais só na chapa, o partido vai ter que ocupar algumas das suas cadeiras, proporcionalmente, com mulheres", diz a cientista política.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A vereadora Aladilce Souza ( PCdoB ), de Salvador , ilustra parte desse padrão. Eleita em 2024, está em seu quinto mandato na Câmara Municipal, após não conseguir se reeleger em 2020.

    Segundo ela, uma candidatura masculina lançada pelo próprio PCdoB, sem chances reais de vitória, dividiu parte dos votos que poderiam ter garantido sua reeleição à época. O candidato não foi eleito, diz.

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    Professora da Universidade Federal da Bahia , ela conta que cogitou desistir da vida política nos quatro anos em que esteve fora da Câmara. "Cheguei a pensar, mas me recompus. No mês seguinte, já estava dando aulas de novo. Não é minha profissão ser vereadora, eu sou professora. Isso me ajudou", diz.

    Também passou a presidir o diretório municipal do PCdoB em Salvador nesse intervalo, conta. Voltou a concorrer em 2024, foi eleita, e retomou o mandato na legislatura atual.

    Souza afirma ter percebido diferenças no tratamento dado a vereadoras e vereadores dentro da Câmara ao longo da carreira. Ela lembra de um episódio em que um pedido de palavra foi negado a ela e concedido, na sequência, a um homem do mesmo partido. Em outra situação, viu uma colega ser questionada com ironia por um vereador durante uma sessão. "'Está nervosa, minha filha?', ele disse."

    A vereadora relata ser difícil a disputa por vagas em comissões consideradas estratégicas, como a de Constituição e Justiça. "As mulheres não podem ficar relegadas à comissão da mulher , à assistência social, como eles sempre acham [que deve ser]", afirma.

    Para Thomé, esse tipo de disputa cotidiana ajuda a explicar por que a permanência na política é mais difícil para mulheres. "Não podemos tolerar câmaras de vereadores sem nenhuma mulher. Todas deveriam ter, no mínimo, duas cadeiras ocupadas por mulheres, porque uma Câmara sem nenhuma mulher significa que a voz desse grupo, que é maioria no Brasil, não está sendo escutada", afirma.

    Souza hoje é pré-candidata a suplente de senadora pelo PCdoB, na chapa governista baiana para outubro de 2026. "Não se admite um projeto que se queira democrático sem a presença da mulher", diz. Segundo ela, o objetivo é usar o espaço para debater pautas feministas dentro do próprio grupo político.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/mulheres-vereadoras-tem-mais-chance-de-abandonar-a-politica-ou-de-nunca-se-reeleger-diz-estudo.shtml.

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    A vereadora Aladilce Souza (PCdoB-BA), que não conseguiu se reeleger em 2020, mas voltou à disputa e foi eleita em 2024 - Lika Estrêla/Divulgação · Lika Estrêla/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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