Mulheres pobres adoram Lula, mas só Michelle fala de igual para igual, diz Renato Meirelles
A classe C abarca 107 milhões de pessoas e expressa como nenhum outro grupo as dinâmicas da sociedade brasileira, não só por ser a maioria da população ou por estar no meio da distribuição de renda. Leia mais (09/05/2026 - 07h00)

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Doutor em geografia pela Unicamp, é repórter da Ilustríssima

A classe C abarca 107 milhões de pessoas e expressa como nenhum outro grupo as dinâmicas da sociedade brasileira, não só por ser a maioria da população ou por estar no meio da distribuição de renda.
Renato Meirelles , presidente do Instituto Locomotiva, apresenta esse argumento no seu novo livro, que discute as transformações da classe C nos últimos 25 anos e explora, entre outros temas, os seus hábitos de consumo, as suas inclinações políticas e os seus valores sociais.
Em " Brasil da Maioria " (Record), ele diz que o conservadorismo da classe C é real, mas muito mais empático com quem tem que lidar com os reveses do dia a dia e avesso a soluções punitivistas.

Meirelles, que pesquisa o comportamento das pessoas de baixa renda no Brasil desde o começo dos anos 2000, destaca o pragmatismo político da classe C: a divisão ideológica entre direita e esquerda, ele afirma, é muito menos importante que conseguir encontrar uma creche para os filhos ou ser atendido no posto de saúde.
Neste episódio, o pesquisador fala sobre como a classe C concebe a sua prosperidade material, explica o que esse grupo espera do Estado e diz que tanto a direita quanto a esquerda têm dificuldades em entender os desejos dessas pessoas.
Para Meirelles, o mau humor atual de boa parte da classe C com a economia brasileira é mais capturado pelo bolsonarismo que por Lula na campanha eleitoral. Por outro lado, pautas como o fim da escala 6x1 , que dialogam com a ideia de empoderamento do trabalhador, e o voto das mulheres, que tendem a rejeitar o radicalismo e são mais sensíveis à qualidade dos serviços públicos, favorecem o campo do presidente.

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O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.
Já participaram do Ilustríssima Conversa a historiadora Anita Prestes , filha do líder comunista e de Olga Benário, Ronaldo Lemos , que reflete sobre meios para se proteger da tecnologia, Dora Kaufman e Giselle Beiguelman , autoras de obra sobre criatividade e inteligência artificial, Djamila Ribeiro , que relançou "Lugar de Fala", Jairo Nicolau , cientista político que investiga as transformações do eleitorado brasileiro, Paula Sibilia , ensaísta que discute o solo moral das sociedades contemporâneas, Adriana Negreiros , biógrafa de Dercy Gonçalves, Benjamin Moser , autor de livro sobre os grandes pintores holandeses, João Paulo Charleaux , jornalista que examina a história do direito de guerra, Rita Carelli , que conta a história de um missionário assassinado na amazônia e do povo indígena enawenê-nawê, entre outros convidados.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2026/09/mulheres-pobres-adoram-lula-mas-so-michelle-fala-de-igual-para-igual-diz-renato-meirelles.shtml.

Retrato de Renato Meirelles, autor de 'Brasil da Maioria' - Divulgação Instituto Locomotiva · Divulgação Instituto Locomotiva — Foto: Folha de S.Paulo
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