Mulheres de baixa renda participam menos das eleições, aponta pesquisa
As mulheres de baixa renda no Brasil têm menor participação nas eleições do que as que estão no topo da pirâmide. Leia mais (10/02/2026 - 15h05)

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As mulheres de baixa renda no Brasil têm menor participação nas eleições do que as que estão no topo da pirâmide.
Uma pesquisa do Projeto Brief que ouviu 3.594 mulheres em todo o país mostra que 29,1% das que têm renda domiciliar de até dois salários mínimos não votaram ou votaram em branco ou nulo no pleito de 2022. É mais que o dobro dos 13,1% registrados entre aquelas com renda acima de cinco salários mínimos.
O levantamento mostra também que 23,2% das mulheres de menor renda se dizem nada interessadas em política, ante 10,9% na faixa de dois a cinco salários mínimos e 6,5% entre as de renda mais alta.

A diferença aparece também na intenção de votar em 2026. Enquanto 92,9% das mulheres ouvidas dizem que pretendem ir às urnas, a taxa cai para 72,3% entre as que se declaram nada interessadas em política.
Segundo o Projeto Brief, a mobilização de mulheres —que correspondem a 53% do eleitorado— pode ser essencial para decidir as eleições.
Especialistas apontam que o maior prejudicado com o não comparecimento às urnas este ano deve ser Lula , que busca a reeleição. Dados da Justiça Eleitoral e de pesquisas de intenção de voto indicam que o perfil dos eleitores que se abstém se assemelha mais aos do petista, incluindo principalmente o eleitorado feminino de baixa renda.

Em 2022, 16 milhões de mulheres não foram às urnas, um número quase oito vezes maior que os 2,1 milhões de votos que separaram Lula (PT) e Jair Bolsonaro ( PL ) no segundo turno.
Entre os motivos apontados para o afastamento da política estão o cansaço com o tema, o custo para chegar ao local de votação e a percepção de que as eleições não produzem mudanças concretas. A polarização também aparece como fator de distanciamento, especialmente entre as mulheres que não se identificam com nenhum dos campos políticos.
O acesso à informação também varia de acordo com a renda. Embora WhatsApp e Instagram sejam usados semanalmente por quase todas as entrevistadas, 47% das mulheres que ganham de dois a cinco salários mínimos dizem ler jornais e revistas online, ante 27% entre as que têm renda de até dois salários mínimos.

Para o Projeto Brief, formatos como vídeos curtos, WhatsApp e televisão podem alcançar melhor as mulheres mais afastadas da política.
O estudo integra a Decisivas , plataforma pública e gratuita do Projeto Brief que reúne pesquisa, escuta digital e testes de mensagem sobre os públicos considerados decisivos para as eleições de 2026, voltada a organizações da sociedade civil, comunicadores e campanhas. Os dados da pesquisa podem ser recortados por renda, estado e faixa etária, entre outros filtros.
A abstenção eleitoral vem crescendo desde 2002, fenômento que se tornou um desafio para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e entrou no cálculo das candidaturas .
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVE IA e KARINA MATIAS
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/10/mulheres-de-baixa-renda-participam-menos-das-eleicoes-aponta-pesquisa.shtml.

Retrato de Soraia, uma mulher de família de baixa renda que foi tema de uma reportagem da Folha em 2021. Ela conseguiu bolsa para estudar em uma universidade e se formou, mas, à época, não conseguia emprego - Ricardo Borges/Folhapress · Ric — Foto: Folha de S.Paulo
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