MPSP diz que PM usava empresa em nome de familiares em esquema com PCC
Segundo MPSP, negócio registrado em nome da mãe e do padrasto servia para formalizar pagamentos aos PMs envolvidos no esquema ligado ao PCC

Uma empresa apontada pelo Ministério Público de São Paulo ( MPSP ) como parte do esquema que envolvia os quatro PMs denunciados por prestar segurança a dirigentes ligados ao PCC estava registrada em nome da mãe e do padrasto de um dos policiais, um tenente-coronel da corporação . Segundo a denúncia, apesar de aparecerem como donos oficialmente, os familiares não comandavam o negócio: a administração ficaria, na prática, nas mãos do próprio oficial.
A empresa, foi criada em 2013 e tinha sede na zona norte de São Paulo . A mãe do tenente-coronel aparece como sócia da companhia, enquanto o padrasto dele aparece como responsável por outra empresa do mesmo grupo. Os dois moravam no interior de São Paulo, a mais de 500 quilômetros da sede dos negócios .
Para o MPSP, essa estrutura servia para manter o oficial afastado formalmente das empresas. Isso porque policiais militares, segundo a legislação citada na denúncia, não podem exercer atividade comercial ou administrar sociedades.

A própria mãe do tenente-coronel teria dito aos investigadores que era o filho quem administrava a empresa , junto com um gestor contratado. Esse funcionário também afirmou que prestava contas diretamente ao oficial e seguia as orientações dadas por ele .
Imagens de câmeras também teriam registrado o tenente-coronel dentro da sede da empresa em janeiro deste ano. Segundo a denúncia, a passou a ser utilizada a partir de 2020 para formalizar pagamentos relacionados ao esquema de segurança prestado aos dirigentes da Transwolff .
Na prática, de acordo com o MPSP , a empresa emitia notas fiscais pelos serviços de segurança, enquanto os policiais faziam a proteção dos empresários e de seus locais de trabalho. O Ministério Público sustenta que os documentos davam aparência de prestação regular de serviços aos pagamentos feitos ao grupo.

O contrato de segurança previa inicialmente R$ 30.905 por mês e foi reajustado posteriormente. Segundo o MPSP, a empresa chegou a receber mais de R$ 44 mil mensais pelo serviço.
Para a acusação, as empresas não eram usadas apenas para prestar serviços de segurança. Elas também teriam servido para dar aparência legal aos pagamentos feitos aos policiais, que, segundo a denúncia, atuavam na proteção particular de dirigentes da Transwolff, empresa investigada por ligação com o PCC.
Por isso, o tenente-coronel e o capitão foram denunciados pelo MPSP não apenas por organização criminosa , mas também por exercício de comércio por oficial. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça Militar. A denúncia não representa condenação, e os policiais poderão apresentar suas defesas durante o processo.

Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/mpsp-diz-que-pm-usava-empresa-em-nome-de-familiares-em-esquema-com-pcc.

Arte Metrópoles — Foto: Metrópoles
Compartilhe
Espalhe essa notícia

