Política

    MP quer suspender redes de funcionário do Planalto no caso Nossa Senhora

    Ministério Público Eleitoral se manifestou pelo não acolhimento dos pedidos de prisão preventiva e de busca e apreensão

    Poder360
    29 de setembro de 2026 às 12:30
    MP quer suspender redes de funcionário do Planalto no caso Nossa Senhora
    Foto: Poder360

    Ministério Público Eleitoral se manifestou pelo não acolhimento dos pedidos de prisão preventiva e de busca e apreensão

    O MPE ( Ministério Público Eleitoral) defendeu na 2ª feira (28.set.2026) a suspensão das redes sociais do servidor George Marques da Silva e Silva , coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência).

    Marques republicou mensagens que incentivavam o compartilhamento da fake news de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) apoiava a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida .

    George Marques é coordenador-geral da Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto
    George Marques é coordenador-geral da Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A manifestação do MPE responde à notícia-crime apresentada pela campanha de Flávio contra o servidor.

    Os advogados do senador afirmaram que os compartilhamentos feitos por Marques podem configurar crime de divulgação de fatos sabidamente falsos sobre candidatos, estabelecido no artigo 323 do Código Eleitoral .

    Imputam também ao servidor os crimes de incitação ao crime ( art. 286 do Código Penal ) e associação criminosa ( art. 288 do Código Penal ).

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    O MPE, no entanto, manifestou-se pelo não acolhimento dos pedidos de prisão preventiva, de suspensão do exercício da função pública e de busca e apreensão de dispositivos eletrônicos.

    Segundo despacho do juiz de garantias Wagner Pessoa Vieira, o MPE pediu a “suspensão temporária do perfil @GeorgMarques na plataforma X e a proibição de utilização de redes sociais pelo noticiado, inclusive por meio de outros perfis” .

    A promotoria solicitou também a preservação das publicações e republicações relacionadas à fake news da Nossa Senhora, inclusive das “eventualmente excluídas” pelo servidor. Eis a íntegra do despacho do juiz de garantias (PDF – 110 KB).

    O juiz de garantias adiou a análise dos pedidos do MPE. Determinou que o órgão esclareça, em 24 horas, quais crimes estariam concretamente configurados no caso.

    O magistrado pediu ainda que o MPE justifique a competência do Juízo das Garantias da Justiça Eleitoral. Isso porque, isoladamente, o crime estabelecido pelo artigo 323 pode ser considerado de “menor potencial ofensivo” . Se esse for o entendimento, não estaria sujeito à atuação do juiz eleitoral das garantias.

    O MPE deverá explicar ainda quais publicações e republicações configurariam os crimes e qual seria o fundamento para a alegação de continuidade delitiva (prática de vários crimes da mesma espécie em sequência, tratada juridicamente como uma única série de infrações).

    O magistrado determinou que o MPE especifique quais conteúdos e registros digitais devem ser preservados, indicando as URLs, o período abrangido e a relação dos materiais investigados. Também deverá informar se já pediu ao X a preservação dos registros de acesso.

    Até que essas informações sejam apresentadas, o juiz não autorizou o bloqueio do perfil, a restrição ao uso de redes sociais ou o acesso aos dados protegidos.

    A narrativa sobre a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida circulou nas redes sociais e foi veiculada no programa GloboNews Em Pauta , segundo a notícia-crime.

    A história resgatava o Projeto de Lei nº 2.623 de 2007 , de autoria do ex-deputado Professor Victório Galli . Galli foi assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de fevereiro a junho de 2019.

    A proposta pretendia restringir a referência à padroeira aos católicos apostólicos romanos. Foi rejeitada e arquivada pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008 —anos antes de Flávio ingressar no Congresso Nacional.

    A emissora corrigiu a informação e pediu desculpas.

    Questionado pelo Poder360 na 6ª feira (25.set), George Marques disse manter um perfil pessoal voltado a “ política e humor ”.

    Já a Secom informou, em nota oficial, que a manifestação não espelha o posicionamento institucional, por ter sido feita em um perfil pessoal.

    A Secretaria, porém, classificou como “inadequado” o uso de contas pessoais por integrantes, de forma que cause confusão com manifestações institucionais.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/mp-quer-suspender-redes-de-funcionario-do-planalto-no-caso-nossa-senhora/.

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    George Marques é coordenador-geral da Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto — Foto: Poder360

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