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    MP pede impugnação da candidatura de Jerson Domingos em MS

    MPF pede que TRE-MS barre candidatura de ex-deputado estadual por suposta ligação com organização criminosa armada

    Metrópoles
    18 de agosto de 2026 às 23:22
    MP pede impugnação da candidatura de Jerson Domingos em MS
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    A Procuradoria Regional Eleitoral em Mato Grosso do Sul (PRE-MS), órgão do Ministério Público Federal (MPF) , ajuizou Ação de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC) contra Jerson Domingos (União Brasil-MS) . O ex-deputado estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado tenta, em 2026, uma vaga na Assembleia Legislativa.

    A ação, protocolada nessa segunda-feira (17/8) no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), pede o indeferimento do registro de candidatura de Domingos. Segundo o MPF, o candidato integraria uma organização criminosa armada, o que, na avaliação do órgão, atrairia a vedação constitucional à participação de organizações paramilitares no processo eleitoral.

    De acordo com a Procuradoria, Jerson é cunhado de Jamil Name e tio de Jamil Name Filho, apontados pelas investigações da Operação Omertà como líderes do que a Polícia Civil descreveu como “a maior, mais duradoura e estruturada milícia armada do Estado de Mato Grosso do Sul”.

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    Reprodução/ Redes sociais — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Deflagrada em 2019 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a operação investiga crimes como homicídios, tráfico de armas, corrupção e um plano para assassinar autoridades envolvidas nas apurações , entre elas um delegado, um promotor e um defensor público.

    O Metrópoles tenta contato com a defesa de Jerson Domingos. O espaço segue aberto para manifestações.

    Jerson Domingos responde a duas ações penais decorrentes da Operação Omertà. Os processos foram desmembrados e remetidos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em abril de 2024, em razão do foro por prerrogativa de função.

    Eleições 2026
    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Na primeira ação, ele é acusado de obstruir as investigações sobre a organização criminosa, com agravante pelo emprego de arma de fogo.

    Segundo a denúncia do Gaeco, Jerson teria sido um dos escolhidos pelos líderes presos para operacionalizar um plano de atentado contra autoridades.

    Entre as condutas atribuídas a ele, estão a contratação de um advogado para atuar como intermediário com Jamil Name, então detido na Penitenciária Federal de Mossoró (RN) , e uma viagem ao Rio de Janeiro, em fevereiro de 2020. Segundo uma testemunha protegida, a viagem estaria relacionada à contratação de executores para matar o delegado Fábio Peró Correa Paes.

    Foto colorida de Jerson Domingos (União Brasil) - Metrópoles
    Foto colorida de Jerson Domingos (União Brasil) - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Na segunda ação, o ex-deputado estadual é denunciado por integrar organização criminosa armada . A denúncia enquadra a conduta na forma mais grave prevista pela Lei das Organizações Criminosas, considerando o emprego de arma de fogo, a condição de funcionário público e a conexão com outras organizações criminosas.

    Segundo a acusação, Jerson exerceria o “papel de consiglieri” – termo italiano usado para designar um conselheiro – de Jamil Name. O documento afirma que ele teria “capacidade de solucionar conflitos e questões que poderiam, de qualquer forma, atrapalhar os negócios e atos da organização criminosa”.

    O MPF cita ainda buscas realizadas em quatro endereços ligados a Jerson durante a segunda fase da Omertà, em que foram apreendidas armas e munições, o que deu origem a ações penais autônomas em quatro comarcas de Mato Grosso do Sul.

    A impugnação do registro de candidatura de Jerson Domingos se baseia em entendimento recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , firmado durante o julgamento de um recurso relacionado ao município de Belford Roxo (RJ), nas Eleições de 2024.

    Segundo o entendimento da Corte, a regra prevista no artigo 17, § 4º, da Constituição Federal, que proíbe partidos políticos de utilizarem organizações paramilitares, tem aplicação imediata e não exige condenação criminal definitiva para impedir a candidatura de quem integre um grupo armado.

    De acordo com a interpretação, a Justiça Eleitoral pode indeferir o registro com base em um conjunto robusto de elementos que demonstre a participação do candidato em uma organização criminosa armada.

    O MPF sustenta que o caso de Jerson tem “identidade substancial” com o precedente. A Procuradoria afirma ainda que não pretende antecipar um juízo de condenação criminal, mas aplicar a vedação constitucional para proteger o processo eleitoral da influência de grupos criminosos.

    O TRE-MS deve notificar Jerson Domingos e a Federação União Progressista para apresentar defesa. Caso não haja manifestação, o MPF pede julgamento antecipado do mérito com o indeferimento do registro.

    O processo está sob relatoria do desembargador Sérgio Fernandes Martins, no gabinete da vice-presidência do tribunal.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/mp-pede-impugnacao-da-candidatura-de-jerson-domingos-em-ms.

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