Política

    MP investiga cobrança indevida da Caixa ao Corinthians por dívida da Arena

    Dívida da Neo Química Arena teria sido inflada em R$ 255 milhões, aponta representação que motivou perícia no caso

    Poder360
    2 de setembro de 2026 às 16:14
    MP investiga cobrança indevida da Caixa ao Corinthians por dívida da Arena
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    Dívida da Neo Química Arena teria sido inflada em R$ 255 milhões, aponta representação que motivou perícia no caso

    O Ministério Público de São Paulo abriu na 3ª feira (1º.set.2026) um procedimento para cobranças indevidas da Caixa Econômica Federal na dívida do financiamento da Neo Química Arena com o Corinthians . A representação que motivou a apuração indica possível divergência de R$ 255,75 milhões nos cálculos do débito, segundo informações do ge .

    O promotor de Justiça Cássio Conserino, já responsável por outras investigações envolvendo o Corinthians, determinou a realização de uma perícia detalhada sobre os cálculos da dívida da arena. O procedimento aberto tem natureza administrativa preparatória e, por enquanto, não tem caráter criminal.

    O procurador da República Cássio Conserino, já responsável por outras investigações envolvendo o Corinthians, determinou a realização de uma perícia detalhada sobre os cálculos da dívida da arena
    O procurador da República Cássio Conserino, já responsável por outras investigações envolvendo o Corinthians, determinou a realização de uma perícia detalhada sobre os cálculos da dívida da arena — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Segundo Conserino, se a diferença de valores for confirmada, a situação pode configurar, em tese, gestão temerária por parte dos dirigentes que autorizaram os pagamentos. Em entrevista à Record , o promotor de Justiça foi além e levantou a hipótese de o financiamento já estar integralmente quitado. Atualmente, Corinthians e Caixa consideram um saldo devedor de cerca de R$ 640 milhões.

    Segundo a representação, a hipótese se baseia no artigo 940 do Código Civil, que estabelece que quem cobra valor superior ao devido é obrigado a pagar ao devedor o dobro do excesso cobrado. Na interpretação apresentada no documento, se confirmada a cobrança indevida de R$ 255 milhões, a Caixa poderia ser obrigada a pagar R$ 510 milhões ao clube. Para que esse cenário se concretize, porém, a conclusão dependeria de processo judicial e da confirmação dos cálculos contestados.

    O documento foi elaborado com base em registros públicos analisados por Anísio Costa Castelo Branco, que se apresenta como perito criminal investigador. A representação sustenta que, ao acionar judicialmente a dívida em 22 de agosto de 2019, a Caixa atribuiu ao débito o valor de R$ 536,09 milhões, a partir de um saldo principal informado de R$ 423,94 milhões.

    Um dos pontos centrais da contestação é a ausência, nos autos do processo, das planilhas e memórias de cálculo que permitiriam reconstituir, de forma transparente, como o financiamento original de R$ 400 milhões evoluiu até alcançar esse saldo.

    Segundo a representação, a Caixa teria calculado a multa contratual de 10% sobre o total do saldo devedor, embora, na interpretação apresentada no documento, ela devesse incidir apenas sobre as parcelas efetivamente vencidas.

    A partir de uma reconstrução matemática própria dos cálculos, a representação afirma haver inconsistências entre os registros internos do banco. Segundo o documento, o saldo devedor em 22 de agosto de 2019 seria de R$ 280,34 milhões, ante os R$ 536,09 milhões cobrados pela Caixa.

    O Poder360 procurou a Caixa Econômica Federal e o Corinthians para comentar o procedimento aberto pelo Ministério Público de São Paulo e as possíveis divergências nos cálculos da dívida da Neo Química Arena. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/mp-investiga-cobranca-indevida-da-caixa-ao-corinthians-por-divida-da-arena/.

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    O procurador da República Cássio Conserino, já responsável por outras investigações envolvendo o Corinthians, determinou a realização de uma perícia detalhada sobre os cálculos da dívida da arena — Foto: Poder360

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