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    MP denuncia PMs por atuação em esquema de segurança da Transwolff em SP

    Agentes integravam esquema e atuavam na segurança dos dirigentes da Transwolff, além de oferecerem, segundo o MP, blindagem institucional e reputacional à empresa de transportes

    CNN Brasil
    28 de agosto de 2026 às 19:36
    MP denuncia PMs por atuação em esquema de segurança da Transwolff em SP
    Foto: CNN Brasil

    O MPSP (Ministério Público de São Paulo) denunciou, na quarta-feira (26), quatro policiais militares suspeitos de integrar um núcleo de segurança que atuava em favor dos dirigentes da Transwolff , empresa de transporte urbano ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

    Alexandre Paulino Vieira, José Henrique Martins Flores, Alexandre Aleixo Romano Cezário e Nereu Aparecido Alves são acusados de organização criminosa, comércio exercido por oficial e, no caso de um deles, lavagem de capitais. Segundo a denúncia, a qual a CNN Brasil obteve acesso, eles exerciam funções que iam para além da segurança física.

    A promotoria alega que os agentes ainda eram responsáveis por realizar a blindagem institucional e reputacional da empresa , atuando como um escudo para afastar suspeitas sobre as atividades de lavagem de dinheiro.

    Ônibus da Transwolff, empresa investigada por suposta ligação com o PCC. • Divulgação · • Divulgação
    Ônibus da Transwolff, empresa investigada por suposta ligação com o PCC. • Divulgação · • Divulgação — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    De acordo com as investigações, o que a organização ligada ao PCC buscava ao contratar policiais não era apenas mão de obra de vigilância comum, mas a transferência das prerrogativas e da credibilidade institucional do Estado para o interesse privado.

    O documento foi apresentado à Justiça Militar de São Paulo, que deverá analisar a acusação e decidir se recebe ou não a denúncia.

    Para o Ministério Público, os agentes promoveram, pessoalmente e por interposta pessoa, organização criminosa estruturalmente ordenada e marcada pela divisão de tarefas, ainda que "informalmente, voltada à obtenção de vantagens ilícitas por meio do grupo econômico Cooperpam/Transwolff e conexa ao PCC".

    Três pessoas são presas e uma morre durante operação contra o PCC
    Três pessoas são presas e uma morre durante operação contra o PCC — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo a denúncia, o grupo era coordenado pelo capitão Alexandre Paulino Vieira , responsável por organizar a equipe e negociar os pagamentos. O tenente-coronel José Henrique Martins Flores , por sua vez, teria utilizado uma estrutura empresarial para formalizar os serviços.

    Já os sargentos Alexandre Romano Cezário e Nereu Aparecido Alves atuavam diretamente na segurança e escolta dos empresários , sendo que Nereu também teria participado do transporte de valores.

    Veja como funcionava a divisão de tarefas:

    Polícia mata "R7" do PCC em casa de luxo após reação contra policiais
    Polícia mata "R7" do PCC em casa de luxo após reação contra policiais — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    De acordo com a denúncia, os serviços eram remunerados mensalmente, organizados em escalas e formalizados por meio de empresas de familiares dos policiais (chamado pelo MP de "terceiros laranjas).

    Conforme a promotoria, a ciência dos policiais sobre os vínculos dos empresários com o crime organizado ficou documentada após uma consulta feita pelo sargento Alexandre Romano Cezário no sistema Muralha Paulista, em setembro de 2020, que levou à descoberta dos antecedentes de tráfico de drogas e ligações de dirigentes com o PCC.

    Mesmo após o comando da Rota ordenar o afastamento dos policiais da atividade por conta da repercussão negativa, e a deflagração da Operação Sharks, naquele mês, os policiais teriam mantido os vínculos com os dirigentes da Transwolff .

    Infiltrados do PCC: Ex-estagiário invadiu dados do MP e ameaçou criminosos
    Infiltrados do PCC: Ex-estagiário invadiu dados do MP e ameaçou criminosos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo o MP, o esquema continuou ativo por anos –– de 2020 a 2026 ––, sobrevivendo inclusive a grandes operações policiais, como a Operação Fim da Linha, em 2024, período em que os contratos de segurança privada com a AM3 foram mantidos e até reajustados para valores maiores.

    Os valores teriam ido de R$ 30.905,00 em 18 de agosto de 2021 para R$ 42.513,43 em contrato firmado em 10 de abril de 2024 , um dia após a deflagração da Operação Fim da Linha, e para R$ 44.639,10 por aditivo de 1º de janeiro.

    A descoberta do núcleo de segurança feito pelos policiais militares aos dirigentes da Transwolff foi descoberto no âmbito da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024, onde foram coletadas provas que levaram o MP a investigar especificamente a atuação dos quatro PMs denunciados .

    Polícia mata
    Polícia mata — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    As investigações apontaram que as empresas de transporte coletivo UPBUS e Transwolff eram utilizadas para mascarar recursos ilícitos do PCC , vindos do tráfico de drogas, roubos e outros delitos. Foram denunciados, entre outros, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como “Pandora”, Cícero de Oliveira, o “Té”, e Robson Flares Lopes Pontes.

    De acordo com o Ministério Público, os três são acusados de se apropriar de cotas de cooperados da Cooperpam, extorquir integrantes da entidade mediante ameaças e ocultar cerca de R$ 54 milhões no capital social da Transwolff .

    A ação coordenada pelo Ministério Público de São Paulo, e realizada em abril de 2024, cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão na capital paulista e em outras cidades da região metropolitana e do interior. Entre os alvos estavam "Té" e "Pandora", integrantes do PCC.

    Três pessoas são presas e uma morre durante operação contra o PCC
    Três pessoas são presas e uma morre durante operação contra o PCC — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    De acordo com a investigação do MPSP, as empresas Upbus e Transwolff já eram identificadas como ligadas à facção e utilizadas para lavar dinheiro obtido com diversos crimes, como tráfico de drogas e roubos.

    Ambas as companhias teriam recebido mais de R$ 800 milhões dos cofres públicos somente em 2023 . Segundo a promotoria na época, não havia indícios de participação de servidores públicos no esquema.

    O Ministério Público de São Paulo investigava, ao todo, 29 pessoas . A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 600 milhões em patrimônio das empresas para garantir o pagamento de multa, a título de dano moral coletivo.

    Infiltrados do PCC: Ex-estagiário invadiu dados do MP e ameaçou criminosos
    Infiltrados do PCC: Ex-estagiário invadiu dados do MP e ameaçou criminosos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Em nota, a Transwolff afirmou que "repudia qualquer tentativa de associação com organizações criminosas" e que segue colaborando com as autoridades competentes.

    À CNN Brasil , a defesa de Alexandre Paulino Vieira assegurou a inocência do oficial. Veja:

    "A defesa do capitão Alexandre Paulino Vieira, composta pelos advogados Mauro Ribas e Renato Soares, se manifesta no sentido da inocência do seu cliente, afirmando que ele nunca integrou nenhuma organização criminosa."

    A reportagem tenta contato com as demais defesas dos policiais militares. O espaço segue aberto.

    A Transwolff, à época das investigações, declarou que repudia qualquer tentativa de associação com organizações criminosas. Leia na íntegra:

    "Transwolff repudia qualquer tentativa de associação com organizações criminosas

    Empresa de ônibus de São Paulo esclarece que não há fundamento nas alegações de relação da empresa ou de seus representantes com policiais militares citados em reportagem

    Sobre as reportagens a respeito da prisão pela Corregedoria de três policiais militares sob alegação de que de 2020 a 2024 faziam segurança para o dono da Transwolff, a empresa esclarece que não há qualquer fundamento nas alegações de suposta relação da empresa ou de seus representantes com atividades ilícitas ou com os policiais militares citados na reportagem.

    A empresa repudia veementemente qualquer tentativa de associação com organizações criminosas. A Transwolff segue se defendendo nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades."

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/mp-denuncia-pms-por-atuacao-em-esquema-de-seguranca-da-transwolff-em-sp/.

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