Mostra de Teatro de São Miguel Paulista ocupa praça na zona leste com 12 grupos
A praça Fortunato da Silveira -conhecida pelos moradores da Vila Jacuí, na zona Leste de São Paulo, como Praça do Morumbizinho- volta a se transformar em palco a céu aberto nos dias 29 e 30 de agosto e 5 e 6 de setembro. Integrada ao calendário comemorativo dos 446 anos de São Miguel Paulista, a 14ª Mostra de Teatro de São Miguel Paulista reúne doze companhias do Sul, Sudeste e Nordeste em uma maratona de apresentações gratuitas que cruzam circo, dança, música, teatro e vertentes contemporâneas como o "TeatroFunk" e a cenopoesia. Leia mais (08/29/2026 - 10h00)

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A praça Fortunato da Silveira —conhecida pelos moradores da Vila Jacuí, na zona Leste de São Paulo, como Praça do Morumbizinho— volta a se transformar em palco a céu aberto nos dias 29 e 30 de agosto e 5 e 6 de setembro. Integrada ao calendário comemorativo dos 446 anos de São Miguel Paulista, a 14ª Mostra de Teatro de São Miguel Paulista reúne doze companhias do Sul, Sudeste e Nordeste em uma maratona de apresentações gratuitas que cruzam circo, dança, música, teatro e vertentes contemporâneas como o "TeatroFunk" e a cenopoesia.

O evento consolida uma política de permanência e convivência que o grupo realizador, O Buraco d’Oráculo, desenvolve na região desde 2002. Para a atriz, fundadora do coletivo e produtora da Mostra, Lu Coelho, essa trajetória de mais de duas décadas redefiniu por completo os vínculos com a vizinhança. "Consideramos que somos parte do local, que nos deixamos atravessar por sua história", diz a artista.
Essa presença territorial dialoga diretamente com o conceito de "sede pública", cunhado por Amir Haddad, do Grupo Tá Na Rua, e adotado pelo coletivo da zona Leste como bússola ética e estética. Ao ocupar praças e calçadas de forma regular, o espaço se converte em dramaturgia.
Segundo ela, essa proximidade altera as convenções da cena: "O público deixa de ser apenas espectador e passa a ser parte do acontecimento teatral, inserido pelas temáticas ou pelas intervenções diretas que interferem no espetáculo".

Embora reconheça que "as ruas já não são as mesmas de duas décadas atrás" e que o fluxo urbano se tornou mais urgente, Coelho defende o poder de fricção da arte pública.
"O teatro de rua sempre foi um local de disputa do simbólico, do imaginável, do espaço. Ainda que os tempos atuais coloquem o público em constante conexão com as redes sociais, o acontecimento teatral ainda é algo do agora, do vivido no instante. E isso permite que continuemos ocupando nosso espaço com arte."
Essa busca pelo diálogo com o presente moldou a curadoria da 14ª edição. O recorte reúne coletivos históricos e vozes emergentes da cena periférica que compartilham a pesquisa do espaço aberto e a investigação das realidades populares.

Na abertura da Mostra, em 29 de agosto, o grupo Contadores de Mentira (Mairiporã-SP) apresenta "Expresso Povo", celebrando 35 anos de dedicação ao teatro-rito, em uma tarde que conta ainda com o picadeiro do Circo Dunavô e seu "GranCirco Dunavô" e a música de Jadi Undi.
No dia 30, o festival segue com a palhaçaria do Castelo das Artes com "Zezinho na Palhaçolandia", as pernas de pau e formas animadas do Núcleo Ás de Paus e seu "Encontro de Gigantes" e o humor combativo "Vale Tudo por Um Cinturão", das Rainhas do Radiador.
A programação retoma no segundo fim de semana, dia 5 de setembro, trazendo o Bando Golíardis com "O Incrível Número Final", os gaúchos do De Pernas Pro Ar em "O Lançador de Foguetes" e a trupe Los Circo Los encenando "Circulando".

O encerramento, no dia 6, destaca o cruzamento de linguagens urbanas com "Ladeira das Crianças - TeatroFunk", do Grupo Rosas Periféricas, a montagem "Retrato de Mulher", da Cia. Teatral Enchendo Laje & Soltando Pipa, e o espetáculo "The Jackson’s Funk", da Clarin Cia de Dança.
Para a organização, incorporar experiências que vão do circo ao funk e à cenopoesia responde à necessidade vital de sintonizar a cena com as urgências das bordas da cidade. "Fazer teatro de rua em regiões afastadas do centro exige dialogar com o tempo histórico presente.
"Constatamos que o essencial de nossa atuação está na troca simbólica, no uso do teatro como mediador de relação, permitindo que atores e público sintam-se pertencentes à cena. Que o teatro não seja mero entretenimento, mas um acontecimento que modifique o olhar sobre o cotidiano", explica Coelho.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/mostra-de-teatro-de-sao-miguel-paulista-ocupa-praca-na-zona-leste-com-12-grupos.shtml.

O cantor, compositor e percussionista cearense, Jadi Undi - Bel Gondim/Divulgação · Bel Gondim/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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