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    Mortes: Viveu muitas vidas em uma só e fez do Haiti sua segunda pátria

    Omar Ribeiro Thomaz foi um acontecimento nesta vida. Teatral e expansivo, tinha uma memória surreal. O tipo de memória própria dos antropólogos, capazes de conectar os maiores acontecimentos dos últimos 50 anos no Ocidente com pessoas de carne e osso com quem conviveu. Foi um homem de muitas vidas e apaixonado pelas muitas vidas possíveis no mundo. Leia mais (10/13/2026 - 11h04)

    Folha de S.Paulo
    13 de outubro de 2026 às 14:04
    Mortes: Viveu muitas vidas em uma só e fez do Haiti sua segunda pátria
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Omar Ribeiro Thomaz foi um acontecimento nesta vida. Teatral e expansivo, tinha uma memória surreal. O tipo de memória própria dos antropólogos, capazes de conectar os maiores acontecimentos dos últimos 50 anos no Ocidente com pessoas de carne e osso com quem conviveu. Foi um homem de muitas vidas e apaixonado pelas muitas vidas possíveis no mundo.

    Omar Ribeiro Thomaz (1965–2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal
    Omar Ribeiro Thomaz (1965–2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Sua vida foi uma sucessão de deslocamentos. Nasceu carioca, cresceu entre São Paulo e Lisboa , tornou-se adulto em Barcelona , descobriu a antropologia na Guiné-Bissau , fez dela uma profissão no Brasil, pesquisou em Moçambique e encontrou no Haiti uma segunda pátria intelectual.

    Tornou-se professor de antropologia da Unicamp em 2001. Pesquisou colonialismo, guerras e desigualdades em Moçambique, Haiti e outros países. Formou gerações de antropólogos. Durante o terremoto de 2010, estava no Haiti com um grupo de alunos. Depois, ajudou estudantes haitianos a prosseguir seus estudos e suas vidas no Brasil.

    A violência foi uma preocupação constante. Não apenas aquela que explode nas guerras , mas a que se prolonga muito depois delas, nas hierarquias raciais, nas fronteiras e nas vidas interrompidas pela dominação colonial. Interessava-lhe compreender como as pessoas atravessavam essas experiências, reconstruíam seus mundos e encontravam maneiras de resistir.

    O professor Omar Ribeiro Thomaz (de calça clara) embarca seus alunos em avião da FAB depois do terremoto em Porto Príncipe, no Haiti - Caio Guatelli - 17.jan.10/Folhapress · Caio Guatelli - 17.jan.10/Folhapress
    O professor Omar Ribeiro Thomaz (de calça clara) embarca seus alunos em avião da FAB depois do terremoto em Porto Príncipe, no Haiti - Caio Guatelli - 17.jan.10/Folhapress · Caio Guatelli - 17.jan.10/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Essa sensibilidade tinha raízes na própria biografia. Filho de militantes comunistas perseguidos pela ditadura , viveu a Revolução dos Cravos ainda criança. De volta ao Brasil, viu a mãe ser presa pelos órgãos da repressão. Mais tarde, em Barcelona, encontrou no teatro, nas artes e na vida cultural da cidade formas de ser livre e se expressar.

    Na universidade , sua erudição era acompanhada de uma generosidade pouco protocolar. Interessava-se pelas pesquisas dos alunos, abria a porta de sua casa, inventava conexões e fazia circular pessoas entre países e instituições. Não separava a produção de conhecimento das responsabilidades diante daqueles que encontrava pelo caminho.

    Tinha também uma gargalhada inconfundível e um gosto especial pela controvérsia.

    Obituários do mês de outubro de 2026
    Obituários do mês de outubro de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nos últimos dias, amigos e alunos fizeram uma romaria ao hospital da Unicamp para se despedir. Conta-se que as enfermeiras, impressionadas com tantas visitas, procuraram seu nome na internet para descobrir quem era aquele homem.

    Era Omar. Um sujeito que passou a vida conhecendo pessoas e fazendo com que elas se conhecessem. Não surpreende que tantas tenham aparecido para se despedir.

    O velório acontece nesta terça-feira (13), das 11h às 15h30, no Cemitério Flamboyant, em Campinas . Na quarta-feira (14), haverá uma segunda cerimônia, das 9h às 12h30, no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, na capital paulista, onde será sepultado às 13h.

    Grupo de pessoas com mochilas e bolsas embarca em avião militar da Força Aérea Brasileira estacionado em pista de aeroporto. Avião verde com hélices e número 58 visível, com um militar próximo à porta aberta.
    Grupo de pessoas com mochilas e bolsas embarca em avião militar da Força Aérea Brasileira estacionado em pista de aeroporto. Avião verde com hélices e número 58 visível, com um militar próximo à porta aberta. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/10/mortes-viveu-muitas-vidas-em-uma-so-e-fez-do-haiti-sua-segunda-patria.shtml.

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