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    Mortes: Usou humor, tirinhas e títulos para retratar a realidade

    "O humor é mais destrutivo do que a crítica direta", dizia Francisco Alfredo Dias Camargo, de codinome Pancho, cartunista e jornalista que criou uma famosa série de tirinhas nos jornais do Paraná . Leia mais (10/10/2026 - 16h00)

    Folha de S.Paulo
    10 de outubro de 2026 às 19:00
    Mortes: Usou humor, tirinhas e títulos para retratar a realidade
    Homem de meia-idade com camisa azul clara e óculos sentado em mesa de bar, segurando copo pequeno. Paredes ao fundo exibem cartazes e anúncios de cervejas, com cadeiras de madeira ao redor. — Foto: Folha de S.Paulo

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    "O humor é mais destrutivo do que a crítica direta", dizia Francisco Alfredo Dias Camargo, de codinome Pancho, cartunista e jornalista que criou uma famosa série de tirinhas nos jornais do Paraná .

    Francisco Alfredo Dias Camargo (1946 - 2026) - Priscila Forrone/Gazeta do Povo · Priscila Forrone/Gazeta do Povo
    Francisco Alfredo Dias Camargo (1946 - 2026) - Priscila Forrone/Gazeta do Povo · Priscila Forrone/Gazeta do Povo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Rollmops e Catchup" nasceu em 1987 e, por décadas, retratou cenas do cotidiano em frases e desenhos. Um humor inspirado em observações que gostava de fazer das pessoas e lugares, fosse nas ruas e Redações, fosse em entrevistas ou bares, nos quais sentava para desenhar, fumar seu cigarro e beber uma cerveja —que precisava ser Antarctica.

    "Muito reservado, ficava mal-humorado com burocracia e gente chata que o incomodasse. O que retratava muito bem nas tirinhas. Mas, para os amigos, era muito divertido", conta o colega Eduardo Aguiar.

    Camargo começou como office-boy na Redação do jornal Última Hora, no Rio de Janeiro , tornando-se repórter, chefe de Redação e editor de primeira página em veículos paranaenses, como O Estado do Paraná, Tribuna do Paraná, Correio de Notícias, Gazeta do Povo e Jornal Plural.

    Obituários do mês de outubro de 2026
    Obituários do mês de outubro de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Era aquele jornalistão à moda antiga, íntegro até o fio de cabelo, que não se dobrava a pressões do patronato. Era um excelente editor de primeira página, muito sagaz", diz o amigo.

    Os filhos recordam que ética , para Camargo, era obrigação de qualquer jornalista. Encarava o jornalismo como sacerdócio. Para ele, a função social da imprensa deve estar acima de tudo.

    "Combateu a ditadura , a estupidez, a ignorância, as desigualdades sociais e também duas das pragas modernas que mais o incomodavam: as fake news e o mau jornalismo", afirma o filho Fabiano Camargo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nascido em Castro (PR), filho do militar Saladim Pereira de Camargo e de Julieta Dias. Teve seis irmãos e uma infância pobre. Casou-se duas vezes e teve quatro filhos.

    Nas horas vagas, gostava de pescar e levá-los para ver os jogos do Athlético-PR , de quem era torcedor. Lia e desenhava sempre, mesmo quando não estava a serviço.

    "Desenhava algo nos bilhetes que deixava para ele mesmo ou que enviava junto com alguma encomenda que nos presenteava", diz Fabiano.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Guilherme Camargo lembra do pai ajudando nos trabalhos da escola, sempre com um toque artístico.

    Bem-humorado, mas introvertido, fazia piadas sem alarde, que desafiavam o conhecimento sobre história, fatos e moral. "Até as broncas vinham com uma história cheia de sentido", diz o filho.

    Simples e desapegado, Camargo deixou ensinamentos como honestidade, responsabilidade com a verdade, diálogo e conhecimento sobre a história do país. "Informar-se antes de emitir qualquer opinião", conclui Guilherme.

    "Foi uma referência para o jornalismo e formou uma geração de grandes profissionais", publicou o prefeito de Curitiba , Eduardo Pimentel.

    Pancho morreu de doença pulmonar aos 80 anos, em 18 de agosto. Deixa 4 filhos, 2 netas e 1 bisneto.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/10/mortes-usou-humor-tirinhas-e-titulos-para-retratar-a-realidade.shtml.

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    Francisco Alfredo Dias Camargo (1946 - 2026) - Priscila Forrone/Gazeta do Povo · Priscila Forrone/Gazeta do Povo — Foto: Folha de S.Paulo

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