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    Mortes: Tratou o câncer reafirmando bondade e otimismo, que ensinou aos filhos

    "A vida é um bumerangue, não revide". O ensinamento, repetido com persistência para os filhos, era o alicerce de Adriane Aparecida Rosa dos Reis. Para ela, a bondade sempre foi escolha consciente e a única resposta diante das adversidades, fossem elas os desafios da rotina exaustiva ou o tratamento contra uma doença implacável. Leia mais (08/09/2026 - 17h00)

    Folha de S.Paulo
    9 de agosto de 2026 às 20:00
    Mortes: Tratou o câncer reafirmando bondade e otimismo, que ensinou aos filhos
    Foto: Folha de S.Paulo

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    "A vida é um bumerangue, não revide". O ensinamento, repetido com persistência para os filhos, era o alicerce de Adriane Aparecida Rosa dos Reis. Para ela, a bondade sempre foi escolha consciente e a única resposta diante das adversidades, fossem elas os desafios da rotina exaustiva ou o tratamento contra uma doença implacável.

    Adriane Aparecida Rosa dos Reis (1972 - 2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal
    Adriane Aparecida Rosa dos Reis (1972 - 2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com a determinação de quem sabia que "se chorar adiantasse, vivia chorando", Adriane transformou a própria existência em uma lição de resiliência, marcada por olhos azuis que não perdiam o brilho nem mesmo diante da dor.

    Nascida em 19 de agosto de 1972, na Vila Guilhermina, zona leste de São Paulo , Adriane cresceu entre as brincadeiras de rua e as responsabilidades precoces. Filha de Oswaldo e Doraci, foi a irmã do meio que ajudou a criar o caçula e que, desde cedo, demonstrou o foco que a levaria longe.

    Na adolescência, entre bolinhos de chuva e a memorização de 500 verbos irregulares em inglês com a melhor amiga, Viviane, ela já desenhava um futuro de dedicação aos estudos.

    Obituários do mês de julho de 2026
    Obituários do mês de julho de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Sua trajetória profissional começou de forma quase providencial: ao dar aulas particulares a um estudante, foi indicada pela mãe do jovem para ser recepcionista no laboratório Amico. Ali, o contato com o ambiente de pesquisa despertou uma paixão que a levou à faculdade de biologia na São Judas Tadeu.

    A rotina era de operária: pegava o ônibus fretado na porta de casa para o trabalho e, após o expediente, seguia para as aulas. O esforço rendeu frutos: uma vaga no Hospital Albert Einstein , onde se especializou em microbiologia e construiu uma carreira de orgulho e amizades sólidas.

    Decidida, fazia o próprio destino. Foi ela quem pediu o marido, Lincoln Amorim dos Reis, em casamento, durante uma sessão de cinema do filme "Olga" (2004) . Juntos, construíram uma família e retornaram às origens, comprando um terreno na mesma rua onde ela nascera.

    Mulher de cabelos loiros e camiseta cinza sorri enquanto segura um galho com folhas e flores amarelas. Ao lado, há uma orquídea branca. Fundo mostra parede azul e vegetação.
    Mulher de cabelos loiros e camiseta cinza sorri enquanto segura um galho com folhas e flores amarelas. Ao lado, há uma orquídea branca. Fundo mostra parede azul e vegetação. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Como mãe de Ana Clara, Giovanni e Caroline, Adriane era a professora em casa, criando provinhas em papel de rascunho para garantir o sucesso escolar dos filhos e ensinando-os a "se virar" com a mesma ordem e capricho que exigia na vida.

    Quando o câncer —um sarcoma na coxa— surgiu em 2021, Adriane passou pela quimioterapia e a perda dos cabelos sem se abalar. Colocava seus brincos de argola e "ia para a luta". Foram cinco anos de tratamento, envolvendo sete metástases e cirurgias invasivas. Mesmo assim, nunca abandonou o pensamento positivo, as orações à Nossa Senhora Aparecida.

    Aos domingos, o espírito livre de Adriane buscava refúgio em viagens para Holambra ou para as praias que amava. Em casa, o legado vinha do avô padeiro, Virgulino, traduzido em tortas de limão famosas e um caderno de receitas que alimentava o corpo e a alma da família.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Adriane Aparecida Rosa dos Reis morreu em 30 de junho, aos 54 anos, na cidade de São Paulo. Deixa o marido, três filhos e a certeza, gravada na memória de quem a conheceu, de que "vai dar tudo certo e, se não der, tentamos de novo".

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