Mortes: Tinha a curiosidade como método e a ciência como norte e legado
Em casa, não se pedia um pedaço de pizza. Pedia-se "um pedaço de delta", na brincadeira criada pelo físico João Alziro Herz da Jornada com os filhos, já que o símbolo triangular do delta (?) parece uma fatia de pizza. Para João, até o jantar podia virar uma oportunidade de experimentar, explicar e despertar a curiosidade. Leia mais (09/07/2026 - 16h12)

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Em casa, não se pedia um pedaço de pizza. Pedia-se "um pedaço de delta", na brincadeira criada pelo físico João Alziro Herz da Jornada com os filhos, já que o símbolo triangular do delta (Δ) parece uma fatia de pizza. Para João, até o jantar podia virar uma oportunidade de experimentar, explicar e despertar a curiosidade.

Natural de São Borja (RS), João mudou-se para Porto Alegre aos 9 anos. Seus pais buscavam melhores oportunidades de estudo. Na escola, aprendeu, entre outras habilidades, como marcenaria. Mais tarde, no sítio da família, construiu móveis como mesa e beliches.
Formou-se em física pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) em três anos, um a menos que o habitual, com láurea acadêmica. Foi na universidade que conheceu Eda Homrich, também física, com quem se casou. Os dois fizeram mestrado e doutorado, e moraram nos Estados Unidos de 1982 a 1984.
A ligação da família com a ciência vinha também de outra geração. O avô materno de João, Hermann Herz, judeu alemão que veio para o Brasil antes da Segunda Guerra Mundial , escreveu uma carta a Albert Einstein , preocupado com a situação dos judeus na Alemanha . O físico alemão respondeu agradecendo a mensagem e simpatizando com as preocupações. João herdou a carta por ter escolhido a mesma profissão do par famoso.

Professor da UFRGS por cerca de 30 anos, João fundou o Laboratório de Altas Pressões da universidade e foi um dos pioneiros no Brasil na pesquisa para a síntese de diamantes sintéticos, usados pela indústria no corte de vidro e na perfuração de poços de petróleo. Mesmo depois de aposentado, continuava frequentando o laboratório, fazendo experimentos e consertando equipamentos que outros não conseguiam reparar.
Também criou a Rede Metrológica do Rio Grande do Sul e, depois, ingressou no Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), onde dirigiu a área de Metrologia Científica e Industrial e presidiu o instituto por 11 anos, promovendo mudanças administrativas e na contratação de doutores.
Membro da Academia Brasileira de Ciências, recebeu a Ordem Nacional do Mérito Científico, no grau de Grã-Cruz, além de outras distinções. Ao se aposentar, foi nomeado professor emérito da UFRGS.

Em família, era descrito como um pai presente, divertido e sempre bem-humorado. Gostava de música erudita, especialmente Wagner e Bach , de filosofia e de levar os filhos a museus. Contava histórias sobre locomotivas, aviões, máquinas, arte e tecnologia.
"Ele era da área de física experimental, então, gostava muito de explicar, de experimentar. Era uma pessoa muito curiosa", afirma o filho João Francisco Homrich da Jornada, 48, engenheiro de software.
João morreu em 2 de agosto, aos 77 anos, em decorrência de câncer de pâncreas . Deixou a mulher, Eda, 4 filhos e 8 netos.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-tinha-a-curiosidade-como-metodo-e-a-ciencia-como-norte-e-legado.shtml.

João Alziro Herz da Jornada (1949 - 2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo
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