Mortes: Sua marca registrada era a alegria e, mesmo nos dias mais difíceis, sempre sorria
Bela Gusta Szaniecki sempre foi muito independente

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Bela Gusta Szaniecki. Para muitos, Belinha. Para outros, Beloti, apelido dado pelo genro. E, para todos, uma mulher inspiradora, engraçada, autêntica, brava, única.

Sempre usou cabelos vermelhos curtinhos, roupas modernas, colares exóticos, batom roxo, óculos não tradicionais. Por isso, uma das netas a apelidou carinhosamente de "vovó maluquinha".
Judia, filha de pais poloneses, Isaac e Geny Wolf, nasceu no bairro da Casa Verde em 2 de maio de 1940, mudando-se depois para a rua da Graça, no Bom Retiro .
Trabalhou como secretária na Philips do Brasil, até conhecer, aos 19 anos, o parceiro da vida toda, o marchand baiano Valdemar Szaniecki , com quem aprendeu a amar as artes.

Moraram na rua Visconde de Ouro Preto, onde nasceram os três filhos, Ronaldo, Eduardo e Natasha, e depois se mudaram para uma casa-museu toda de vidro e concreto, no bairro da Chácara Flora, cheia de esculturas e quadros de Di Cavalcanti , Portinari , Cícero Dias .
Lá, viveu cercada de amigos, a turma da Bahia, Tom Zé , Mario Cravo, Jorge Amado e Zélia , Carybé .
Belinha viajou para vários países junto com marido, filhos e amigos. Ia a exposições, teatros, musicais, shows. Mas o que gostava mesmo era de sossego e silêncio.

Um dia postou no Facebook uma selfie com a seguinte frase: "Indo para o supermercado, meu passeio favorito".
Ela sempre foi muito independente, gostava de ver filmes, ficar em casa. Na pandemia , durante a quarentena, e tendo que ficar sozinha em seu apartamento, disse para uma das netas, que estava preocupada: "Eu consigo ficar comigo mesma... Não fico apavorada nem sinto falta de companhia. Somente se acontecer algo e eu precisar de ajuda. Aí, sim, vou ficar".
Era apaixonada por comida judaica, mocotó, Malzbier e pêssegos em calda. Colecionava os vinis de Joan Baez e Paul Simon . Era fã de Ney Matogrosso , Freddie Mercury , Elton John , Michael Jackson , Bruno Mars e, mais recentemente, se apaixonou por K-Pop (e seus figurinos).
Durante muitos anos, fez bolsas e sacolas de viagem, e vendia em várias lojas de São Paulo. Comprava tecidos no Brás e levava para produção em Sapopemba, sob os cuidados de Gileno, quem as desenvolvia.
Toda quarta-feira, recebia netos e filhos para almoçar em seu apartamento, em Higienópolis. E fazia questão de preparar a comida de que cada um mais gostava.
Sua marca registrada era o sorriso. Mesmo nos dias mais difíceis, estava sorrindo.
Vaidosa, no hospital, mesmo já debilitada, pediu um espelhinho para poder se arrumar.
Morreu no último dia 10, deixando saudades, três filhos, oito netos, uma irmã e várias cuidadoras, funcionárias e amigos que sentirão profundamente a sua falta.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/mortes-sua-marca-registrada-era-a-alegria-e-mesmo-nos-dias-mais-dificeis-sempre-sorria.shtml.

Obituários do mês de agosto de 2026 — Foto: UOL
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