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    Mortes: Sociólogo ajudou a formar políticos no Recife

    Desde a juventude, durante a ditadura militar , Hugo Cortez Crocia Barros sempre esteve ligado ao PCdoB (Partido Comunista do Brasil) de Pernambuco , atuando na luta pela democracia . Leia mais (08/12/2026 - 17h12)

    Folha de S.Paulo
    12 de agosto de 2026 às 20:12
    Mortes: Sociólogo ajudou a formar políticos no Recife
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    Desde a juventude, durante a ditadura militar , Hugo Cortez Crocia Barros sempre esteve ligado ao PCdoB (Partido Comunista do Brasil) de Pernambuco , atuando na luta pela democracia .

    Obituários do mês de agosto de 2026
    Obituários do mês de agosto de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No entanto, apesar de uma atuação de mais de 50 anos no partido, ele nunca quis se candidatar a cargos públicos. Preferia ficar nos bastidores, participando da formação de novos integrantes.

    "Ele nunca quis ser deputado ou assumir qualquer cargo público. Foi muito convidado, mas nunca quis. Era muito simples, caseiro, e não queria ser uma pessoa pública", conta a mulher, Maria da Conceição da Silva Barros, 60, com quem foi casado por 27 anos e teve dois filhos.

    Nascido no Recife em 29 de agosto de 1951, Hugo era o segundo filho de Nelson e Almira. Ele passou a vida inteira na capital pernambucana, com exceção de um período em Campinas, no interior de São Paulo , onde fez mestrado em ciências políticas na Unicamp . Ele já era formado em ciências sociais pela Universidade Federal de Pernambuco .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Durante a ditadura, chegou a ser preso quando voltava de um encontro do partido em Minas Gerais. O ônibus em que estava com outros companheiros foi parado pela polícia e todos foram detidos para interrogatório.

    Ele, porém, não ficou muito tempo preso porque o pai era investigador de polícia e intercedeu para liberá-lo. "Ele não falava muito sobre isso. Foram épocas difíceis e não gostava de falar sobre o assunto", diz Conceição.

    Por oito anos, foi professor da então Faculdade de Filosofia do Recife (Fafire). Depois, trabalhou na prefeitura organizando as feiras de artesanato na capital pernambucana.

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    Na sequência, entrou na Fundação Joaquim Nabuco para atuar na área de ciências e tecnologia, mas sem nunca abandonar seus afazeres no PCdoB.

    "Hugo Cortez era poliglota, lia e falava bem inglês, francês, espanhol e galego. A sua curiosidade intelectual não cessava. Era sua razão de viver, sua identidade. A de ser um resistente", diz o escritor Urariano Mota, seu amigo de longa data.

    No dia a dia, Hugo era apaixonado pelo time do Sport . Era sócio patrimonial e ia sempre que dava aos jogos na Ilha do Retiro, além de levar a família para curtir a área social do clube. Nunca perdia um jogo, mesmo que fosse pela TV.

    Em casa, gostava muito de ler, de passear com a família e de colecionar selos. Também amava o Carnaval . Quando solteiro, sempre ia ao Galo da Madrugada e à folia de Olinda, rotina que diminuiu depois que se casou.

    Nos últimos 18 anos, passou a tratar a doença de Parkinson , tomando a medicação de forma disciplinada, mas seu corpo já não respondia como antes.

    "Ele muito jovem descobriu a doença. Sempre foi muito disciplinado, mas só que 18 anos é muito tempo. O Parkinson deixa lúcido, mas fisicamente debilita muito", lamenta Conceição, lembrando que ele ficou 20 dias internado, quando teve pneumonia e outras infecções, que o levaram à morte no dia 13 de julho, aos 74 anos.

    Ele deixa a mulher, Maria da Conceição, os filhos Victor, 26, e Gabriel, 23, e o irmão Nilson.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/mortes-sociologo-ajudou-a-formar-politicos-no-recife.shtml.

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