Mortes: Seus prédios são marcos da paisagem de Santos
Márlio Raposo Dantas passou a colocar o próprio nome em destaque nas placas de obra quando abriu a DRM Construções, em 1978. Dizia que a decisão era uma forma de valorizar a profissão dos arquitetos. Leia mais (09/05/2026 - 16h00)

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Márlio Raposo Dantas passou a colocar o próprio nome em destaque nas placas de obra quando abriu a DRM Construções, em 1978. Dizia que a decisão era uma forma de valorizar a profissão dos arquitetos.

Executou cerca de 150 projetos de prédios e casas ao longo da carreira, a grande maioria em Santos , no litoral paulista. Na cidade, espalhou marcas pela paisagem, que se tornaram pontos de referência, memória afetiva e alvo de polêmica —como Nilo Branco, o "prédio amarelo" em frente ao Museu do Café .
Dessa profusão de obras e placas, a família do arquiteto diz ter conhecido ao menos duas pessoas jovens cujo nome foi inspirado no dele —junção de Maria das Dores e Júlio (seus pais). O último Censo aponta 327 Márlios no Brasil, 19 no estado de São Paulo .
O arquiteto gostava especialmente do Lex Urbis, prédio de escritórios no centro de Santos, caracterizado pelos quebra-sóis verdes e azuis. O edifício também foi um dos primeiros com elevador panorâmico na região, localizado atrás da catedral.

Márlio era comumente descrito como um profissional disciplinado, técnico, criativo e um tanto rígido. Como professor na Unisanta (Universidade Santa Cecília) , de 1997 a 2012, era conhecido como um contador de histórias e cobrava mais "molho" nos projetos apresentados pelos alunos.
Segundo a filha arquiteta, Flávia Neves Dantas, era caseiro, cultivava plantas e árvores frutíferas no quintal —com apreço especial por pitayas e lichias— e, não raro, gostava de cantar bossa nova para os entes queridos.
O arquiteto saía pouco, a alguns eventos sociais ou exposições de arte. Fazia questão, contudo, de levar toda a família para a Bienal de Arte de São Paulo , edição a edição.

Nascido em Olinda (PE), Márlio começou a formação como arquiteto no Recife , concluindo-a no Rio de Janeiro , onde trabalhou com importantes colegas de profissão, como Burle Marx —com quem colaborou em projetos conhecidos, como o do aterro do Flamengo .
Mudou-se para Santos em 1962, por sugestão do padrasto. Seus principais projetos incluem o Universo Palace (conhecido pela boate Pink Panther) e o Vila Rica Center, entre outros. Em 2009, mudou-se para a Casa da Pitaya, residência por ele projetada nos anos 1980, em Cunha, no interior paulista .
Morreu aos 90 anos, de parada cardiorrespiratória, em 11 de agosto. Deixou mulher, 4 filhos, 9 netos e 1 bisneta. Ele foi homenageado por diversas instituições e admiradores.

Organização internacional de preservação do patrimônio moderno, o Docomomo chamou Márlio de nome essencial da arquitetura moderna do litoral paulista . "Imprimiu, na paisagem urbana da cidade, uma linguagem própria", resumiu.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-seus-predios-sao-marcos-da-paisagem-de-santos.shtml.

Márlio Raposo Dantas (1936 - 2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo
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