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    Mortes: Repórter desafiou os políticos com irreverência

    "Albano! Não foge! Fica aí! Fala aqui comigo!", gritava a repórter Soninha, perseguindo o então senador Albano Franco (SE) pelo saguão do Palácio do Planalto. O político deixava o prédio a passos rápidos para não ser visto pelos jornalistas que trabalhavam no comitê de imprensa, que ficava no térreo. Não conseguiu fugir de Sônia. Leia mais (09/22/2026 - 18h05)

    Folha de S.Paulo
    22 de setembro de 2026 às 21:05
    Mortes: Repórter desafiou os políticos com irreverência
    Foto: Folha de S.Paulo

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    "Albano! Não foge! Fica aí! Fala aqui comigo!", gritava a repórter Soninha, perseguindo o então senador Albano Franco (SE) pelo saguão do Palácio do Planalto. O político deixava o prédio a passos rápidos para não ser visto pelos jornalistas que trabalhavam no comitê de imprensa, que ficava no térreo. Não conseguiu fugir de Sônia.

    Obituários do mês de setembro de 2026
    Obituários do mês de setembro de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Soninha, então repórter da rádio Jornal do Brasil, se dividia entre esse comitê e o da Câmara dos Deputados . Não havia fonte que conseguisse escapar dela sem falar na tal "periquita", nome que ela dera ao gravador, um desses primeiros portáteis que existiram, pesado, com várias teclas e que repetia as frases gravadas tal qual o pássaro.

    Conhecia os caminhos e atalhos do poder como poucos. Nascida no Rio de Janeiro , em 15 de outubro de 1951, Sônia Maria Dunshee de Abranches Carneiro morreu na madrugada de domingo (20), aos 74 anos, no apartamento onde morava em Brasília . A família não informou a causa.

    Foi uma das grandes da cobertura política. Sua maneira de abordar as autoridades surpreendia os entrevistados, que não conseguiam fugir e acabavam respondendo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao então presidente João Figueiredo (1918-1999), perguntou, em pleno debate sobre a sucessão presidencial, se haveria prévias no PDS (partido fundado em 1980 e sucessor da Arena, que sustentara a ditadura militar ).

    Figueiredo respondeu que não. Naquele momento havia mais que um candidato do PDS e muitos integrantes defendiam as prévias. O candidato escolhido foi Paulo Maluf que, na última eleição feita pelo Colégio Eleitoral, enfrentou e perdeu para o mineiro Tancredo Neves .

    Figueiredo não teria respondido a outro repórter que não fosse Sônia. Ele era conhecido pela truculência que usava para se dirigir aos jornalistas.

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Prêmio da mega da virada não acumula

Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c
    Mega da Virada: quais as chances de ganhar e outras 7 perguntas sobre sorteio com prêmio recorde Fotografia colorida mostra mão apostando na mega sena Prêmio da mega da virada não acumula Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Outro dos grandes repórteres políticos de Brasília, Jorge Bastos Moreno, dizia que Soninha era intrépida e irreverente. Com essas características, fez a cobertura da Constituinte de 1988 , do Colégio Eleitoral (1985), das Eleições Diretas (1989), do impeachment de Collor e de todos os fatos que fizeram a história recente do Brasil.

    Uma história tornou Sônia conhecida além das fronteiras da cobertura política de Brasília. A repórter havia sido colega de Fernando Collor de Mello , que, por um período, fora repórter no Jornal do Brasil antes de virar político. A proximidade no jornal rendeu a Sônia uma raríssima deferência do então presidente Collor, que respondia mal ou com grosserias aos demais jornalistas que faziam a cobertura do seu governo.

    No segundo andar do Palácio havia àquela época uma sala de briefing, para as entrevistas coletivas. Collor, que andava cheio de problemas no governo, resolveu falar com os jornalistas.

    Sônia levantou a mão e perguntou se o presidente estava com Aids . Um silêncio sepulcral tomou conta da sala. Collor ficou pálido, mas logo recuperou a pose e respondeu que não estava doente. Só ela poderia ter feito essa pergunta.

    Porém, acima de tudo e do folclore que a cercava, Sônia era uma colega de uma generosidade sem fim. Sempre disposta a ajudar os colegas e emprestar a "periquita" para que algum retardatário ouvisse uma entrevista que havia perdido.

    Dividia suas análises e informações com os demais jornalistas, principalmente os mais novos. E não perdia o bom humor nem nos piores momentos. Há alguns anos fez uma cirurgia bariátrica . Deixou de correr atrás das fontes e foi assessorar o ministro da Defesa e depois senador Jaques Wagner (PT-BA).

    Sônia deixa dois filhos, Terence e Daniel Zveiter, e netos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-reporter-desafiou-os-politicos-com-irreverencia.shtml.

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