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    Mortes: Professora exigente fez da educação sua vida e marcou gerações de alunos

    Bastaram alguns minutos de distração no hipermercado Bergamini, na zona norte de São Paulo , para que o autônomo Bruno de Paula Campos Junior, 62, perdesse a mãe de vista. Diagnosticada com Alzheimer , Hyerdes caminhava apoiada em um carrinho de compras. Leia mais (08/11/2026 - 16h45)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 19:45
    Mortes: Professora exigente fez da educação sua vida e marcou gerações de alunos
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Bastaram alguns minutos de distração no hipermercado Bergamini, na zona norte de São Paulo , para que o autônomo Bruno de Paula Campos Junior, 62, perdesse a mãe de vista. Diagnosticada com Alzheimer , Hyerdes caminhava apoiada em um carrinho de compras.

    Obituários do mês de agosto de 2026
    Obituários do mês de agosto de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Bruno pediu que anunciassem no sistema de som: "Professora Hyerdes, seu filho a espera". Ao chegar ao atendimento ao cliente, encontrou cerca de 30 pessoas reunidas e imaginou que algo tivesse acontecido com a mãe.

    A pequena multidão, porém, era formada por antigos alunos que haviam reconhecido o nome incomum e se aproximado para cumprimentá-la, matar a saudade e agradecer pelos ensinamentos.

    A cena não era rara. Em bancos, salões de beleza, lojas e supermercados, Hyerdes era abordada por ex-alunos. Mesmo quando a doença comprometia sua memória, permanecia viva na lembrança daqueles que passaram por suas salas de aula.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nascida em 28 de fevereiro de 1937 em Pedregulho, no interior paulista , Hyerdes Agostinho de Freitas começou a lecionar ainda jovem, em escola rural instalada em uma fazenda do município. Dava aulas de língua portuguesa, geografia, história e OSPB (Organização Social e Política Brasileira).

    Depois de alguns anos, mudou-se para a região de Mogi das Cruzes, após ser aprovada em concurso. Lecionou em Salesópolis, onde nasce o rio Tietê, e em Casa Grande, onde conheceu o marido, Bruno.

    Mais tarde, na capital paulista, ensinou português em um colégio de freiras, em Santana (na zona norte), e passou décadas em escolas estaduais da região, entre elas a antiga Parque Vitória, hoje Professor Demar Hiroshi Suda, e a Alfredo Inácio Trindade. Cursou licenciaturas em diferentes áreas e se aposentou no início dos anos 2000.

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Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c
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    Hyerdes ficou conhecida pelo rigor. Certa vez, mandou o próprio filho para a diretoria após uma discussão em sala de aula. Em outra ocasião, mandou refazer um sorteio quando o filho sorteou o próprio nome.

    "Dentro da sala de aula, eu não era filho, era mais um aluno. Ela nasceu para ser professora, amava o que fazia e se preocupava de verdade com os estudantes. Era enérgica, mas deixou neles um amor e uma gratidão que encontrei por toda parte" diz o filho Bruno.

    Além da disciplina, Hyerdes tinha um olhar atento para a vida dos alunos. Chamava os pais quando percebia que algum estudante estava diferente ou enfrentando dificuldades. Para ela, ensinar também significava ajudar a formar pessoas.

    Em 2001, já aposentada, perdeu o filho Edilson César. A morte marcou profundamente a família.

    Hyerdes morreu em 26 de julho, aos 89 anos, em decorrência do Alzheimer. Além de Bruno, deixou quatro netos e ex-alunos que aprenderam com ela não apenas português, história ou geografia, mas também responsabilidade, caráter e cuidado com o outro.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/mortes-professora-exigente-fez-da-educacao-sua-vida-e-marcou-geracoes-de-alunos.shtml.

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