Mortes: Professora exigente fez da educação sua vida e marcou gerações de alunos
Hyerdes Agostinho de Freitas lecionou por décadas na rede pública de São Paulo

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Bastaram alguns minutos de distração no hipermercado Bergamini, na zona norte de São Paulo , para que o autônomo Bruno de Paula Campos Junior, 62, perdesse a mãe de vista. Diagnosticada com Alzheimer , Hyerdes caminhava apoiada em um carrinho de compras.

Bruno pediu que anunciassem no sistema de som: "Professora Hyerdes, seu filho a espera". Ao chegar ao atendimento ao cliente, encontrou cerca de 30 pessoas reunidas e imaginou que algo tivesse acontecido com a mãe.
A pequena multidão, porém, era formada por antigos alunos que haviam reconhecido o nome incomum e se aproximado para cumprimentá-la, matar a saudade e agradecer pelos ensinamentos.
A cena não era rara. Em bancos, salões de beleza, lojas e supermercados, Hyerdes era abordada por ex-alunos. Mesmo quando a doença comprometia sua memória, permanecia viva na lembrança daqueles que passaram por suas salas de aula.

Nascida em 28 de fevereiro de 1937 em Pedregulho, no interior paulista , Hyerdes Agostinho de Freitas começou a lecionar ainda jovem, em escola rural instalada em uma fazenda do município. Dava aulas de língua portuguesa, geografia, história e OSPB (Organização Social e Política Brasileira).
Depois de alguns anos, mudou-se para a região de Mogi das Cruzes, após ser aprovada em concurso. Lecionou em Salesópolis, onde nasce o rio Tietê, e em Casa Grande, onde conheceu o marido, Bruno.
Mais tarde, na capital paulista, ensinou português em um colégio de freiras, em Santana (na zona norte), e passou décadas em escolas estaduais da região, entre elas a antiga Parque Vitória, hoje Professor Demar Hiroshi Suda, e a Alfredo Inácio Trindade. Cursou licenciaturas em diferentes áreas e se aposentou no início dos anos 2000.

Hyerdes ficou conhecida pelo rigor. Certa vez, mandou o próprio filho para a diretoria após uma discussão em sala de aula. Em outra ocasião, mandou refazer um sorteio quando o filho sorteou o próprio nome.
"Dentro da sala de aula, eu não era filho, era mais um aluno. Ela nasceu para ser professora, amava o que fazia e se preocupava de verdade com os estudantes. Era enérgica, mas deixou neles um amor e uma gratidão que encontrei por toda parte" diz o filho Bruno.
Além da disciplina, Hyerdes tinha um olhar atento para a vida dos alunos. Chamava os pais quando percebia que algum estudante estava diferente ou enfrentando dificuldades. Para ela, ensinar também significava ajudar a formar pessoas.
Em 2001, já aposentada, perdeu o filho Edilson César. A morte marcou profundamente a família.
Hyerdes morreu em 26 de julho, aos 89 anos, em decorrência do Alzheimer. Além de Bruno, deixou quatro netos e ex-alunos que aprenderam com ela não apenas português, história ou geografia, mas também responsabilidade, caráter e cuidado com o outro.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/mortes-professora-exigente-fez-da-educacao-sua-vida-e-marcou-geracoes-de-alunos.shtml.

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