Brasil

    Mortes: Professora deixa legado para gerações na educação e na luta contra o racismo

    Morreu na última terça-feira (8) a professora, artista e militante do movimento negro paraense Zélia Amador de Deus , 76. Primeira vice-reitora negra da UFPA (Universidade Federal do Pará) , ela fundou o Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), ao lado da engenheira agrônoma Nilma Bentes. Leia mais (09/12/2026 - 16h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de setembro de 2026 às 19:00
    Mortes: Professora deixa legado para gerações na educação e na luta contra o racismo
    Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Morreu na última terça-feira (8) a professora, artista e militante do movimento negro paraense Zélia Amador de Deus , 76. Primeira vice-reitora negra da UFPA (Universidade Federal do Pará) , ela fundou o Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), ao lado da engenheira agrônoma Nilma Bentes.

    Obituários do mês de setembro de 2026
    Obituários do mês de setembro de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nascida na Ilha do Marajó em 24 de outubro de 1949, na fazenda Soure, era filha de mãe solo. Depois se se mudou para a periferia de Belém com o resto da família: a mãe, que era empregada doméstica; o avô, vaqueiro que foi trabalhar na construção civil; e a avó, que lavava roupa para fora.

    Especializou-se em teoria literária e completou o doutorado em ciências sociais na mesma UFPA, onde foi vice-reitora entre os anos de 1993 e 1997. Antes, em 1988, havia feito mestrado em estudos literários na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) . Ainda recebeu um título de doutora honoris causa pela Universidade Estadual do Pará .

    No cenário artístico, participou do grupo de teatro Cena Aberta e foi diretora do Centro de Letras e Artes da UFPA de 1989 a 1993.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para ela, a luta política não estava dissociada da arte. "As coisas se entrelaçam ao longo do tempo, a cultura negra é instrumento de luta", disse ela em 2022.

    Também fundou o Grupo de Estudos Afro-Amazônicos na mesma UFPA, e integrou na juventude a Ação Popular, e depois a VAR-Palamares, ambos grupos que lutaram contra a ditadura militar.

    Zélia integrou a delegação de ativistas brasileiros na Conferência das Nações Unidas Contra o Racismo, Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância em Durban, África do Sul , no ano de 2001. Atuação que foi fundamental para a criação da Lei de Cotas .

    Mega da Virada: quais as chances de ganhar e outras 7 perguntas sobre sorteio com prêmio recorde
Fotografia colorida mostra mão apostando na mega sena
Prêmio da mega da virada não acumula

Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c
    Mega da Virada: quais as chances de ganhar e outras 7 perguntas sobre sorteio com prêmio recorde Fotografia colorida mostra mão apostando na mega sena Prêmio da mega da virada não acumula Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 2020, Zélia também foi a primeira mulher negra a receber o título de professora emérita da UFPA.

    Em nota, a universidade disse que ela participou de "articulações nacionais e internacionais de enfrentamento ao racismo e com papel fundamental na construção e defesa das políticas de ação afirmativa na universidade". Também foi homenageada em 2021 como enredo da escola de samba Os Colibris, de Belém.

    No dia 18 de agosto deste ano, a professora foi homenageada com o plantio de uma árvore baobá na universidade.

    Para a ativista paraense Nilma Bentes, Zélia fará falta ao movimento negro como um todo, sobretudo na área acadêmica. "Seria bom que algumas pessoas durassem mais. Desejamos que muitas Zélias surjam para a conquista de equidade/igualdade racial nesse Brasilzão."

    O Governo do Pará decretou luto oficial de três dias, e diferentes organizações, como Embrapa, Imazon, Criola e Geledés – Instituto da Mulher Negra, homenagearam a professora.

    Em texto publicado em 2023 , ela afirmou "e, assim, continuamos resistindo e, embora nossos jovens negros sejam mortos ou encarcerados com frequência, nossa incessante luta há de criar o tempo negro. Um tempo livre do racismo e da discriminação racial".

    Zélia deixa três enteados, o irmão Carlos Cezar Amador de Deus e o companheiro Anselmo Bentes de Oliveira. Deixa também um legado para toda a sociedade brasileira.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-professora-deixa-legado-para-geracoes-na-educacao-e-na-luta-contra-o-racismo.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Obituários do mês de setembro de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)