Brasil

    Mortes: O homem que fez da vida uma moda de viola

    Construiu legado de trabalho e música no interior de São Paulo

    UOL
    14 de setembro de 2026 às 20:00
    Mortes: O homem que fez da vida uma moda de viola
    Homem idoso de camisa azul e calça preta abraça mulher de vestido preto com estampa verde. Ambos sorriem em área interna com plantas e portas ao fundo. — Foto: UOL

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    A história de Lorival Quirino daria uma boa moda de viola. Suas conquistas vieram do trabalho e com ele prosperou.

    Lovival Quirino (1934 - 2026) com a filha Arlete - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal
    Lovival Quirino (1934 - 2026) com a filha Arlete - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Nascido em Capivari (SP), se mudou ainda criança com a família para Jundiaí, também no interior de São Paulo .

    Ainda com 16 anos foi trabalhar na Cica. Começou como auxiliar de produção no setor de extrato de tomate, o carro-chefe da marca —o elefante verde até hoje está estampado nas latas e potes à venda nos supermercados.

    Fez a vida na fábrica, onde ficou até se aposentar. Foi lá que conheceu Maria do Carmo, com quem se casou e teve quatro filhos.

    Obituários do mês de agosto de 2026
    Obituários do mês de agosto de 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Chegou a ser transferido para chefiar uma unidade de Presidente Prudente (SP), onde ficou alguns meses. Voltou com dinheiro no bolso e comprou sofá e um aparelho de televisão.

    A TV era a única do lugar e os vizinhos se espremiam na janela para assistir à programação.

    "A minha casa foi a primeira a ter água encanada na rua. As pessoas iam lá com balde nas mãos", afirma a filha Arlete Aparecida Quirino, 65, servidora pública.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na prosperidade do bom emprego, comprou um terreno em bairro próximo, a Vila Rami. Construiu uma casa com porta nos quartos —e não cortinas—, e tacos no chão da sala.

    O jardim tinha rosas plantadas e, no quintal, havia uma horta. Ali semeou uma de suas grandes lições: ensinou Arlete sobre a importância de estudar, quando ela cismou de colher verduras, salsinhas e cebolinhas para vender na vizinhança.

    O conselho foi repetido quando a filha, ainda menor de 18 anos, arrumou emprego em uma fábrica de tecidos. Ela se formou em secretariado.

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Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c
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    Devotos, Lorival, que era violeiro, e Maria do Carmo tocavam e cantavam nas missas do Santuário de Nossa Senhora em Jundiaí. Por causa da igreja, eram conhecidos de muita gente.

    Não havia uma noite em que a casa dos Quirino não abrisse as portas para cantoria regada a bom café.

    A música , principalmente a caipira, sempre fez parte da vida de Lorival. Ele era o Peão Rochedo, da dupla que formou com o amigo Diamantino.

    Mas tocou e cantou com muita gente e era conhecido nas emissoras de rádio da região.

    Nos fins de semana, reunia a sobrinhada. Pregava a importância de oferecer as melhores partes do frango de domingo às visitas.

    "Meu pai ensinou a nunca discriminar ninguém. Sempre passou sentimento de honestidade, foi gente boa toda vida", diz Arlete.

    Nos últimos tempos, uma de suas paixões era colocar os netos no colo para cantar.

    Único dos seis irmãos ainda vivo, enfrentava problemas de um enfisema pulmonar .

    Lorival Quirino morreu no dia 29 de agosto, aos 92 anos. Viúvo, deixou as filhas Arlete e Ana Paula —Lorival Quirino Filho e Claudete já faleceram—, além de 4 netos e 4 bisnetos.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-o-homem-que-fez-da-vida-uma-moda-de-viola.shtml.

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    Lovival Quirino (1934 - 2026) com a filha Arlete - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: UOL

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