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    Mortes: Nordestina fazia da casa no Tatuapé abrigo para quem chegasse

    Na casa de Rosa Nobre Chaves, sempre cabia mais um. Podia ser um neto, um amigo ou um trabalhador que não tinha onde almoçar. Aos domingos, ela preparava panelões de comida e reunia à mesa quem aparecesse. Leia mais (09/03/2026 - 16h37)

    Folha de S.Paulo
    3 de setembro de 2026 às 19:37
    Mortes: Nordestina fazia da casa no Tatuapé abrigo para quem chegasse
    Mulher idosa usa blusa azul clara e óculos escuros, posando em ambiente interno decorado com árvore de Natal e renas artificiais. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Na casa de Rosa Nobre Chaves, sempre cabia mais um. Podia ser um neto, um amigo ou um trabalhador que não tinha onde almoçar. Aos domingos, ela preparava panelões de comida e reunia à mesa quem aparecesse.

    Rosa Nobre Chaves (1936 - 2026) - Leuseni Nobre Chaves e Silva/Arquivo Pessoal · Leuseni Nobre Chaves e Silva/Arquivo Pessoal
    Rosa Nobre Chaves (1936 - 2026) - Leuseni Nobre Chaves e Silva/Arquivo Pessoal · Leuseni Nobre Chaves e Silva/Arquivo Pessoal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Até quem não era da família podia se juntar aos filhos e netos. "Ninguém saía da casa dela de barriga vazia", conta a filha Leuseni Nobre Chaves e Silva.

    Rosa acolhia, mas também sabia ser firme. Mulher de personalidade forte, era justa e não levava desaforo para casa. Se algum dos filhos fazia algo que considerava errado, não amenizava. Ao mesmo tempo, cuidava dos filhos e netos e mantinha a casa aberta para parentes e amigos.

    Nascida no Ceará , mudou-se para São Paulo na década de 1970 com o marido, Gerardo Josino Chaves, e os seis filhos, fugindo das dificuldades. Um ano depois, chegaram ainda um sobrinho e um cunhado. A família se estabeleceu no Tatuapé, onde Rosa viveu pelo restante da vida.

    Obituários do mês de agosto de 2026
    Obituários do mês de agosto de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na capital paulista, trabalhou como costureira em confecções. Dividia o tempo entre o trabalho, a casa e os cuidados com a família. Mesmo em casas pequenas, sempre encontrava espaço para receber.

    Aos domingos, fazia frango e macarrão em quantidade suficiente para alimentar a família e quem mais chegasse. Muitos dos amigos eram trabalhadores que não tinham como almoçar nas fábricas ou no bandejão.

    A comida era uma das formas que encontrou para cuidar dos outros. Gostava especialmente de baião de dois, prato que, para ela, nunca era feito apenas para poucos.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Rosa também gostava de ouvir música no rádio. Fagner e Zeca Pagodinho estavam entre seus favoritos. Assistia às novelas mexicanas exibidas pelo SBT e pela Band e gostava de voltar ao Ceará, especialmente a São João do Jaguaribe, cidade natal da família. Dizia-se crente, embora não frequentasse uma igreja.

    Na fase final da vida, contou com a presença carinhosa do genro Ivanildo, que a acompanhou de perto e esteve ao seu lado.

    Rosa morreu em 17 de agosto, aos 90 anos. Deixa o marido, Gerardo, 88, os filhos Cleser, Eugênio, Leni, Gardenia, Alex e Glauco, 15 netos e 5 bisnetos.

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Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c
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    "Eu gostaria que a minha mãe fosse lembrada como uma mulher, como tantas brasileiras, que batalha para dar dignidade aos filhos e toda a família. Uma guerreira nordestina, que lutava com unhas e dentes para defender sua família", diz Leni.

    Para a família, deixa a lembrança de uma mulher trabalhadora e de personalidade forte, que enfrentou as dificuldades da migração e passou a vida lutando para dar dignidade aos seus. Uma nordestina que, com as próprias mãos, costurou roupas, criou filhos e construiu uma casa onde sempre havia espaço para mais um.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-nordestina-fazia-da-casa-no-tatuape-abrigo-para-quem-chegasse.shtml.

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    Rosa Nobre Chaves (1936 - 2026) - Leuseni Nobre Chaves e Silva/Arquivo Pessoal · Leuseni Nobre Chaves e Silva/Arquivo Pessoal — Foto: Folha de S.Paulo

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