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    Mortes no Nepal e na China chegam a quase 800, e autoridades fazem alertas sobre mudanças climáticas

    Cientistas apontam que calor e degelo agravam instabilidade no Himalaia, mas que aquecimento global não é causa única

    UOL
    30 de agosto de 2026 às 13:00
    Mortes no Nepal e na China chegam a quase 800, e autoridades fazem alertas sobre mudanças climáticas
    Vários corpos cobertos por lonas brancas e azuis estão no chão de área gramada. Policiais e agentes de segurança, alguns usando máscaras, estão em pé próximos a uma barreira vermelha que cerca o local. Árvores e vegetação cercam a área ao f — Foto: UOL

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    O número de mortos no deslizamento de terra na fronteira entre o Nepal e a China chegou a 768 neste domingo (30), segundo autoridades locais

    Policiais e militares examinam restos mortais de vítimas do deslizamento, colocados em sacos para cadáveres, em um centro de treinamento do Exército - Francis Mascarenhas - 30.ago.26/Reuters · Francis Mascarenhas - 30.ago.26/Reuters
    Policiais e militares examinam restos mortais de vítimas do deslizamento, colocados em sacos para cadáveres, em um centro de treinamento do Exército - Francis Mascarenhas - 30.ago.26/Reuters · Francis Mascarenhas - 30.ago.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Mais de 3.000 pessoas continuam desaparecidas, enquanto equipes de emergência trabalham para encontrar vítimas quatro dias após a tragédia, apesar das interrupções nas buscas provocadas pelo mau tempo.

    Foram recuperados 752 corpos no Nepal, onde ao menos 2.502 pessoas estão desaparecidas. Outros 16 corpos foram encontrados no Tibete , e 546 continuam desaparecidos.

    As vítimas foram encontradas sob uma espessa camada de lama e entre os escombros de edifícios, estradas, pontes e instalações arrasadas pelas enchentes do último dia 26.

    Moradores recuperam pertences após inundações repentinas no Centro de Trishuli, no distrito de Nuwakot, no Nepal - Arun Sankar/AFP · Arun Sankar/AFP
    Moradores recuperam pertences após inundações repentinas no Centro de Trishuli, no distrito de Nuwakot, no Nepal - Arun Sankar/AFP · Arun Sankar/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As operações de resgate foram suspensas várias vezes desde sexta-feira (28) por causa do mau tempo e do receio de que um lago formado pelo desastre pudesse provocar novas inundações, depois de começar a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli, no Nepal.

    A polícia local no Nepal disse à Reuters que moradores e equipes de resgate haviam se deslocado para áreas mais elevadas após a subida do nível do rio Trishuli entre sábado (29) e domingo.

    Embora a causa exata do colapso ainda não esteja clara, o ministro das Relações Exteriores do Nepal alertou no sábado para a ameaça crescente representada pelas mudanças climáticas no Himalaia.

    Inundação e deslizamento matam centenas entre Nepal e China
    Inundação e deslizamento matam centenas entre Nepal e China — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa, mas o povo nepalês está entre as principais vítimas das mudanças climáticas", lamentou o chanceler Shisir Khanal.

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    Cientistas alertaram que não se deve descrever a mudança climática como a única causa imediata do colapso da geleira, mas disseram que o aumento das temperaturas e o derretimento do gelo provavelmente contribuíram para o desastre.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    "As mudanças climáticas estão criando condições capazes de desestabilizar rochas e gelo em regiões de alta montanha", disse Simon Cox, cientista-chefe do programa Mountains to Sea, do Earth Sciences New Zealand.

    O aquecimento pode reduzir a sustentação fornecida pelo gelo, aumentar a quantidade de água de degelo e alterar os padrões de congelamento, descongelamento e chuva, tornando grandes desabamentos mais prováveis em alguns locais, afirmou Cox.

    "O súbito colapso glacial e a enxurrada são um lembrete devastador de como esses ambientes montanhosos podem ser frágeis ", afirmou em comunicado o chefe da ONU para o clima , Simon Stiell. "O aquecimento global provocado pela queima em massa de carvão, petróleo e gás torna tragédias como esta, e tantas outras em todo o mundo, muito mais prováveis, frequentes e graves."

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    De acordo com a mídia estatal chinesa , a enchente foi "causada pela instabilidade das geleiras sob os efeitos de longo prazo do aquecimento global", acrescentando que se tratava de uma " nova e relevante característica dos desastres da criosfera" no planalto tibetano.

    Segundo a CCTV, cientistas chineses constataram que o deslizamento de lama vindo do lado nepalês levou de seis a sete minutos para chegar ao posto de fronteira de Gyirong.

    Inicialmente, chegou-se a cogitar que o fenômeno tivesse sido provocado por um terremoto de magnitude 4,4. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, porém, o tremor foi resultado da energia sísmica gerada pelo desmoronamento.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Além da dimensão da tragédia, equipes de resgate enfrentam riscos devido a estradas intransitáveis, comunicações interrompidas e à ameaça de novos desastres naturais. As autoridades nepalesas voltaram a pedir neste domingo que os socorristas atuem com "prudência", diante do aumento do nível do rio Bhotekoshi, no distrito de Rasuwa.

    Utilizando equipamentos de perfuração, os socorristas conseguiram avançar no domingo até a entrada de um túnel das obras da usina hidrelétrica de Trishuli-3, onde as autoridades acreditam que cerca de cem trabalhadores estejam presos desde a catástrofe.

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    As autoridades nepalesas também começaram a enterrar alguns das centenas de corpos recuperados após a catástrofe. "Ficamos sem outra opção e tivemos que tomar essa medida. Nossa preocupação era o risco à saúde pública causado pela rápida decomposição dos corpos", disse Ganesh Arya, chefe da administração distrital de Bharatpur, em Chitwan.

    Ao menos 96 corpos não identificados foram enterrados na floresta de Devghat, em Chitwan, no sábado (29) e planejavam sepultar mais de 100 neste domingo. Antes do sepultamento, equipes médicas coletaram amostras de DNA de cada corpo e registraram sua localização para que as famílias possam identificá-los e exumá-los posteriormente para realizar os ritos funerários tradicionais.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/mortes-no-nepal-e-na-china-chegam-a-quase-800-e-autoridades-fazem-alertas-sobre-mudancas-climaticas.shtml.

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    Policiais e militares examinam restos mortais de vítimas do deslizamento, colocados em sacos para cadáveres, em um centro de treinamento do Exército - Francis Mascarenhas - 30.ago.26/Reuters · Francis Mascarenhas - 30.ago.26/Reuters — Foto: UOL

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