Mortes: Marcou Mogi Guaçu com conciliação e atuação pública
Antonio Mello Martini era conciliador, feliz, apaixonado pela vida e pelas pessoas. Nasceu em Mogi Guaçu, interior de São Paulo , em uma família influente, e teve apenas um irmão, já falecido. Seu avô materno foi prefeito e vice-prefeito da cidade. Seu pai foi vereador no mesmo município. A mãe era professora e diretora de escola. Leia mais (09/01/2026 - 16h38)

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Antonio Mello Martini era conciliador, feliz, apaixonado pela vida e pelas pessoas. Nasceu em Mogi Guaçu, interior de São Paulo , em uma família influente, e teve apenas um irmão, já falecido. Seu avô materno foi prefeito e vice-prefeito da cidade. Seu pai foi vereador no mesmo município. A mãe era professora e diretora de escola.

"Ele era sempre alegre, positivo. Nada era problema. Sempre otimista, idealista", diz a esposa, a socióloga Silvia Modena Martini.
Ainda criança, tinha aulas de francês e piano com a avó materna. Mas sempre dava um jeito de fugir dessas atividades para nadar no rio, às escondidas.
Formou-se em direito, foi vice-presidente e quatro vezes presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) subseção Mogi-Guaçu, além de conselheiro estadual.

"Ele trabalhava junto aos presos. Sempre que tinha superlotação, comida, pobreza menstrual ou outros problemas, chamavam ele, o padre e a Comissão de Direito Humanos. Ele ouvia as reivindicações e tentava administrar", conta Silvia.
Antonio era muito atuante como advogado, diz Silvia.
"Quando tentaram implantar uma termelétrica em Mogi Guaçu, por exemplo, ele estava como presidente, e liderou o movimento para não implantar porque usariam a água no rio Mogi Guaçu", lembra.

Ele mesmo também participou da vida política. Foi vereador na primeira legislatura de Estiva Gerbi, entre 1993 e 1996, e participou da elaboração da Lei Orgânica do município como relator.
Mesmo sem remuneração, Antônio amava trabalhar pela OAB e era incansável na defesa das prerrogativas da classe.
"Um amigo nosso dizia: 'Ele é o único de centro-esquerda em quem até os bolsonaristas votam' porque ele era muito conciliador, uma pessoa pacificadora, que procurava a união", diz a esposa.
O encontro do futuro casal foi cena de novela. "Nós nos conhecemos em 1984, vindo no ônibus, saindo de Mogi Guaçu para Campinas . Nós nos sentamos lado a lado e fomos conversando. Quando cheguei à minha república, eu falei 'meninas, hoje eu conheci o meu futuro marido'. Foi a primeira vez que o vi e foi amor à primeira vista, foi alma gêmea", relembra.
Os dois começaram a namorar e o assunto casamento era motivo de piada entre os dois.
"Nós brigávamos muito durante o namoro. Ele falava que não ia se casar. Eu falava 'vai sim, vai casar e eu vou rir no dia que você me pedir em casamento'", diverte-se.
Os dois ficaram 41 anos juntos, sendo 36 casados. A história de uma vida toda de amor e companheirismo foi interrompida em 4 de julho, quando Antonio passou por duas cirurgias de transplante de fígado em 48 horas, em Sorocaba. O corpo não respondeu e ele morreu aos 66 anos.
O velório ocorreu no plenário da Câmara Municipal de Mogi Guaçu e o sepultamento aconteceu no Cemitério Praça da Bíblia em sua cidade natal.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-marcou-mogi-guacu-com-conciliacao-e-atuacao-publica.shtml.

Antonio Mello Martini (1951 - 2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo
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