Mortes: Levava bandeiras aos estádios de futebol e o sonho de ser padre no coração
Apoiar até o final era o lema de Lennon Rodrigues da Silva nas arquibancadas. Perto da bateria, puxava os cantos da Força Jovem, torcida organizada do Clube Esportivo Operário Várzea-Grandense, de Mato Grosso . Incentivava o time mesmo quando o resultado não ajudava. Leia mais (10/12/2026 - 15h55)

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Apoiar até o final era o lema de Lennon Rodrigues da Silva nas arquibancadas. Perto da bateria, puxava os cantos da Força Jovem, torcida organizada do Clube Esportivo Operário Várzea-Grandense, de Mato Grosso . Incentivava o time mesmo quando o resultado não ajudava.

Conhecido como Leninho ou Presida entre os torcedores, presidiu a organizada de 2018 a 2023, conforme lembra o amigo Matheus Yuri Gonçalves Rodrigues. Além de cantar, ajudava a transportar instrumentos, faixas e bandeiras para os jogos do clube de Várzea Grande.
"Ele era um cara apaziguador, que não gostava de xingar nem de ofender o próprio time. Para ele, o papel da torcida era apoiar o Operário até o último minuto", afirma Rodrigues.
A ligação com o clube começou em uma partida no interior que Lennon foi sozinho. Depois, passou a frequentar os jogos em Cuiabá e Várzea Grande e se aproximou da Força Jovem. Nas arquibancadas, construiu amizades.

Com o pai, José Gonçalo, encontrava maneiras de acompanhar o Operário. Antes das partidas, reunia-se com os amigos para conversar e dar risada. Rodrigues guarda a lembrança de uma viagem a Cáceres no carro de Lennon, com outros três companheiros, para assistir ao time.
A fé católica também ocupava espaço na vida dele. Atuava como acólito na Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá , auxiliando nas celebrações e na formação de outras pessoas que serviam ao altar.
Foi no grupo de crisma, em 2011, que conheceu Bruno Gabriel Pinto Góes. Os dois se aproximaram e começaram a servir juntos na catedral. Góes lembra a empolgação do amigo com a religião e o interesse que surgiu pela vida sacerdotal.

Lennon participou de encontros vocacionais no Seminário Cristo Rei e passou um breve período no propedêutico, etapa de preparação para o ingresso no seminário. Também cursava direito e seguiu uma trajetória profissional na Defensoria Pública de Mato Grosso.
"Ele tinha um grande coração e percebíamos no nosso amigo um olhar bondoso sobre as pessoas", afirma Góes.
Em 2013, os amigos viajaram ao Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude, com o papa Francisco , de quem Lennon era admirador.

Na Defensoria, Lennon começou como estagiário do Núcleo Criminal. Foi assessor voluntário, trabalhou como assessor jurídico no interior e retornou à capital como estagiário de pós-graduação.
No futebol, sua última participação com a torcida foi durante a Série D do Campeonato Brasileiro de 2026. Já conversava com os amigos sobre o Campeonato Mato-Grossense de 2027.
Lennon morreu na quinta-feira (8), aos 35 anos, após um infarto em Cuiabá. Ele deixa os pais, José Gonçalo e Iraci Rodrigues Barbosa, a irmã Fabricia e a única filha, Luna, de 8 anos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/10/mortes-levava-bandeiras-aos-estadios-de-futebol-e-o-sonho-de-ser-padre-no-coracao.shtml.

Lennon Rodrigues da Silva (1991 - 2026) - Divulgação/Pascom · Divulgação/Pascom — Foto: Folha de S.Paulo
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