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    Mortes: Jornalista trocou as Redações pelas panelas

    Elenice, Nice, Elê ou Lelê -o jeito pelo qual era chamada variava conforme os grupos de que fazia parte- se foi subitamente na quinta-feira (20), aos 65 anos, em São Paulo . Leia mais (08/28/2026 - 18h33)

    Folha de S.Paulo
    28 de agosto de 2026 às 21:33
    Mortes: Jornalista trocou as Redações pelas panelas
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    Elenice, Nice, Elê ou Lelê —o jeito pelo qual era chamada variava conforme os grupos de que fazia parte— se foi subitamente na quinta-feira (20), aos 65 anos, em São Paulo .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Caçula dos quatro filhos de Francisca e Attilio, tinha dois irmãos já falecidos, José Francisco e Maria Ângela, e a irmã Eliane. Era ligada à mãe, com quem compartilhava muitas lembranças, sobretudo em torno da cozinha. Foi com Francisca que aprendeu a cozinhar, uma habilidade que, muitos anos depois, se tornaria também profissão.

    Formada em jornalismo pela PUC-SP , foi revisora, editora de textos, repórter e redatora. Trabalhou na Folha , em O Estado de S. Paulo, na revista Caras, na Editora Globo, no Valor Econômico e em publicações empresariais. Há alguns anos, deixou o jornalismo para se dedicar somente às panelas, sua predileção.

    Lelê cozinhava maravilhosamente bem. Fazia bolos e doces para a família, amigos e para os filhos deles, preparava ceias de Natal , delícias de Páscoa e todo tipo de comida, sempre com ingredientes frescos. A cozinha de seu apartamento em Perdizes, bairro onde morou por cerca de 30 anos, acabou se transformando também em espaço de produção das encomendas.

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    Mega da Virada: quais as chances de ganhar e outras 7 perguntas sobre sorteio com prêmio recorde Fotografia colorida mostra mão apostando na mega sena Prêmio da mega da virada não acumula Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Cozinhar era uma de suas formas de cuidar. Outra era estar presente. Quando uma amiga teve o primeiro filho em Barcelona , Lelê foi até lá para ajudá-la. Era ótima companheira de viagens. Risonha e divertida, tinha uma maneira generosa de estar perto das pessoas e de fazer parte da vida delas.

    Uma amiga lembra que, quando perdeu a irmã, Lelê foi ao seu apartamento só para abraçá-la. Na cerimônia de despedida, tomou à frente e improvisou um texto de amor e esperança.

    Lelê não teve filhos, mas tinha um jeito especial com crianças. Uma amiga conta que seu neto só a chamava de Lelessauro, pois corria pela casa com ele fingindo ser um dinossauro.

    Teve sete sobrinhos, os quais paparicou muito durante a infância e adolescência. Cintia, sua afilhada, é mãe de Júlia, sua sobrinha-neta, a quem chamava de neta. Nos últimos tempos, Júlia havia se tornado uma de suas grandes alegrias, e Lelê planejava se mudar para mais perto dela.

    Tinha também um amor especial pelos gatos: Luna, Pietra e Gigio foram companheiros marcantes. Cultivava ainda um lado místico e espiritualizado.

    Lelê tinha muitos planos. Imaginava criar um "velhário", como dizia, para envelhecer junto dos amigos. Gostava de pensar no futuro e fazia projetos de viagens e muitos encontros.

    A vida, porém, interrompeu esses sonhos. Ficaram a irmã Eliane, o cunhado Nilton, a cunhada Aliete, os sobrinhos, Júlia e uma legião de amigos, todos sem chão com sua partida repentina. Ficaram também seus textos caprichados, suas receitas, suas histórias e as muitas mesas que ela fez questão de reunir. Fica a lembrança de uma mulher que fez do cuidado uma forma de estar no mundo.

    Neste sábado (29), às 12h, seus amigos estarão reunidos na Capela da PUC-SP (Rua Monte Alegre, 948) para uma missa em sua memória.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/mortes-jornalista-trocou-as-redacoes-pelas-panelas.shtml.

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