Mortes: Geraldo Forbes ajudou a derrubar a ditadura no Brasil
No dia 7 de setembro de 1983, em plenas festividades do Dia da Independência do Brasil, a revista Veja foi às bancas com um artigo intitulado "Pela Renúncia de Figueiredo". Assinado pelo empresário Geraldo Forbes, o texto exigia a renúncia do então presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo , o último do regime militar . Leia mais (09/09/2026 - 22h36)

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No dia 7 de setembro de 1983, em plenas festividades do Dia da Independência do Brasil, a revista Veja foi às bancas com um artigo intitulado "Pela Renúncia de Figueiredo". Assinado pelo empresário Geraldo Forbes, o texto exigia a renúncia do então presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo , o último do regime militar .

O texto foi usado como munição pela oposição para reforçar a luta pela redemocratização , sendo copiado e distribuído Brasil afora. Por sua atuação nos bastidores, ele recebeu uma carta de agradecimento de Tancredo Neves , o primeiro presidente eleito pós-ditadura.
A maneira incisiva como escreveu o artigo foi a mesma usada em todas as atividades que exerceu durante a vida, seja no mercado financeiro, seja nas críticas políticas ou gastronômicas em artigos jornalísticos.
Geraldo de Figueiredo Forbes nasceu em 1º de dezembro de 1942 em Santos , no litoral paulista . Filho do médico de origem escocesa Luiz de Souza Dantas Forbes, presidente da Santa Casa da cidade, e de Beatriz Heloiza Figueiredo, professora de história do Brasil criada pelo avô, o general Tasso Fragoso. O militar foi presidente da Junta Governativa Provisória de 1930, que governou o país de 24 de outubro a 3 de novembro, entre a deposição do presidente Washington Luís e a posse de Getúlio Vargas .

O casal teve mais cinco filhos: Carlos, Raul, Luiz, Maria Clara e Jorge.
Formado na Faculdade de Direito da USP em 1965, ele nunca exerceu a advocacia. Optou pelas finanças, área em que se especializou. Entre as empresas que fundou, destaca-se a Finacorp Ltda, que presidiu de 1972 a 1999.
Depois dirigiu as filiais brasileiras da suíça UBS e da sul-africana Standard Bank, antes de ser conselheiro do Banco Modal.

Foi membro do Conselho Deliberativo do IEA-USP (Instituto de Estudos Avançados) entre 1986 e 1993 e integrou a área de Assuntos Internacionais do instituto. Em 1992 e 1993, coordenou, com o cientista político Bolivar Lamounier e o jurista Celso Bastos, o Programa Mobilizador Revisão Constitucional, cujas propostas depois foram encaminhadas ao Congresso Nacional .
Em paralelo às suas atividades, Forbes frequentava bares e restaurantes de todo o mundo e se tornou um dos maiores especialistas em gastronomia e vinhos do país. Ele era adorado por garçons, maîtres, sommeliers e donos de restaurantes.
"Geraldo ensinava com prazer (e, às vezes, com veemência), como preparar determinados pratos e bebidas, e como servi-los. Era um conhecedor da civilização à mesa, e tinha satisfação especial em partilhar esse conhecimento", diz o amigo Matinas Suzuki Jr .

Forbes publicou mais de mil artigos em jornais, revistas e sites do Brasil e do exterior. Foi colaborador do Última Hora de 1973 a 1978 e colunista de O Estado de S. Paulo de 1983 a 1990. Matinas conta que ele parou de escrever os artigos gastronômicos porque começou a fazer muitas inimizades devido às críticas implacáveis.
"Ele sempre teve horror a mentira e pilantragem. Na época que frequentava a noite, ele farejava whisky falsificado de longe. Não só escrevia falando isso, mas também escrevia o nome dos bares que vendiam", diz a filha Alexandra Forbes , 53, jornalista e crítica gastronômica como ele.
Geraldo se casou com a canadense Louise Donohue em 1972 e teve três filhos: Alexandra, Guilherme, 51, e Priscila, 47. Após se divorciar, casou-se novamente com Lígia, há 13 anos, com quem vivia desde então.
"Ele andava muito preocupado com os rumos do nosso país. Sentia-se impotente com o que via como descaminhos. Foi quase um justiceiro, que ficou escrevendo artigos até o fim da vida", diz a filha.
Forbes morreu nesta quarta-feira (9), aos 83 anos, em São Paulo. Deixa a mulher, Lígia, três filhos, os netos Isabella, Tomás, Frederico e Beatriz, e os irmãos Jorge e Maria Clara.
"É muito difícil exprimir as tantas qualidades que esse ser humano tinha. Culto demais, sábio demais —e quando o assunto era culinária, então, era difícil acompanhar, porque ele entendia de tudo. Mas, acima de tudo, era o amigo mais amigo que a palavra amigo pode significar", diz o empresário Gero Fasano.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-geraldo-forbes-ajudou-a-derrubar-a-ditadura-no-brasil.shtml.

Geraldo de Figueiredo Forbes (1942 - 2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo
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