Mortes: Fortaleceu resistência da cultura negra em Curitiba
Nascido em Joinville (SC), Álvaro chegou a Curitiba (PR) ainda menino e logo se encantou com a Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio, na qual seu pai, Euclides da Silva, foi presidente por duas décadas. Leia mais (09/08/2026 - 16h28)

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Nascido em Joinville (SC), Álvaro chegou a Curitiba (PR) ainda menino e logo se encantou com a Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio, na qual seu pai, Euclides da Silva, foi presidente por duas décadas.

O lugar era muito mais do que um simples clube. Fundado por ex-escravizados, tornou-se um dos principais pontos de valorização da cultura negra no Paraná .
"Uma vida de dedicação e devoção à causa", publicou a prefeitura de Curitiba, destacando a colaboração de Álvaro para manter vivo o espaço, "que representa resistência e cultura para a população curitibana, um verdadeiro memorial".
Álvaro assumiu a presidência da entidade em 1996 e a dirigiu até pouco antes de morrer, em 2026. Frequentava os bailes até o apagar das luzes, como lembra o amigo Renato Rocha. "Ele contava que cresceu ali dentro, então foi uma vida dedicada à casa. Teve amor e cuidado muito fortes pelo clube. Teve um grande coração."

Álvaro era atencioso e bom de conversa, sempre querendo ajudar, diz a irmã, Lucilia da Silva. "Nunca levantou a voz com ninguém."
Sua alegria era contagiante e suas histórias, também. Era sociável e comunicativo. Não dispensava uma dança, participando ativamente dos Carnavais da cidade, como folião e mestre de bateria nas escolas de samba.
Nos eventos, fazia questão de ficar até o final, conversando com todos, recorda o sobrinho, Mario da Silva. "Ao mesmo tempo, sabia ser firme com aqueles que desrespeitavam ou desonravam a casa que tanto ajudou a preservar."

Mario ressalta que Álvaro teve um papel importante em manter a Sociedade, criada há 138 anos. "Mais do que um líder, ele cuidava com zelo, dedicação e amor."
Ele também mantinha essas características na vida pessoal, com a filha, os netos e a esposa Jussara, com quem se casou em 1984.
Trabalhou como cobrador de ônibus e porteiro no edifício Asa, famoso prédio histórico no centro de Curitiba. Nas horas vagas, gostava de passar o tempo em família, vendo filmes, programas humorísticos e novelas.

"Era um homem justo, positivo e de bom coração", diz a filha, Amanda da Silva. "Sempre ensinou que o caminho certo vale a pena e que, não importa o quão dura seja a vida, sempre teremos oportunidade de recomeçar e lutar."
Álvaro morreu em 16 de agosto, aos 79 anos, por problemas renais. Deixa a mulher, cinco irmãos, uma filha e quatro netos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-fortaleceu-resistencia-da-cultura-negra-em-curitiba.shtml.

Álvaro da Silva (1946 - 2026) - Daniel Castellano/Gazeta do Povo · Daniel Castellano/Gazeta do Povo — Foto: Folha de S.Paulo
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