Mortes: Enfrentou o machismo e transformou a carreira dos oficiais de justiça
Yvone Barreiros Moreira era professora de oratória e dirigente sindical

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Yvone Barreiros Moreira pertenceu a uma geração de mulheres que decidiu desafiar o papel reservado a elas. À frente da Aojesp (Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo ) por 28 anos, liderou greves, defendeu a valorização da categoria e teve como uma das principais conquistas a luta que resultou na exigência de nível universitário para os oficiais de justiça.

"Nunca se conformou com o papel exclusivo de dona de casa", afirma o filho Ivan Moreira. "Por querer terminar os estudos e trabalhar, separou-se do marido em 1970."
Três anos depois, passou a conciliar a criação dos dois filhos, o trabalho no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo ) e a atuação sindical, construindo uma das trajetórias mais longevas do movimento dos servidores do Judiciário.
Nascida em 19 de janeiro de 1945, em Cândido Mota, no interior paulista , assumiu a presidência da Aojesp em 1983. Permaneceu no cargo até 2015, com exceção do período entre 1986 e 1990, quando a entidade sofreu intervenção do TJ-SP. Também esteve à frente da primeira greve dos funcionários do tribunal, em 1993, e ajudou a fundar a Federação Nacional dos Oficiais de Justiça.

A conquista do nível universitário para a categoria, alcançada após décadas de mobilização, era apontada pela família como seu maior orgulho. A personalidade combativa aparecia também no cotidiano. "Yvone era perseverante e ousada. Não aceitava um ‘não’ do tribunal", diz Ivan.
Quando pedidos da associação eram negados, esperava horas por uma audiência com desembargadores. Em 2003, recebeu voz de prisão ao rasgar um exemplar da Constituição durante um protesto contra a reforma da Previdência . Em outra manifestação, foi atingida por uma bala de borracha no Fórum João Mendes, no centro de São Paulo.
Fora da vida sindical, era apaixonada por plantas, viagens e música. Cultivava samambaias e avencas, gostava de salsa, boleros e samba, e mantinha uma biblioteca dedicada à política, ao direito e à oratória. Professora por mais de 20 anos, repetia a alunos, colegas e familiares um conselho que virou marca de sua trajetória: "Nunca pare de estudar."
Nos últimos anos, conviveu com Alzheimer . Mesmo vivendo em uma clínica, orientava cuidadoras sobre direitos trabalhistas e prestava consultoria jurídica. Segundo o filho, a doença a tornou mais carinhosa, sem lhe tirar o senso crítico nem o bom humor.
Yvone Barreiros Moreira morreu em 2 de junho, aos 81 anos, em decorrência de um câncer de medula óssea. Deixa dois filhos, um neto e dois irmãos.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/mortes-enfrentou-o-machismo-e-transformou-a-carreira-dos-oficiais-de-justica.shtml.

Foto: UOL
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