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    Mortes: Décadas de jornalismo, espírito agregador e risada inconfundível

    Quando uma história fisgava a atenção de Regina, ela se jogava sem reservas. Mergulhava no assunto com curiosidade e só sossegava quando descobria o último detalhe, traço que definiu seus mais de 30 anos de carreira nas redações paulistas. Leia mais (10/14/2026 - 18h01)

    Folha de S.Paulo
    14 de outubro de 2026 às 21:01
    Mortes: Décadas de jornalismo, espírito agregador e risada inconfundível
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Quando uma história fisgava a atenção de Regina, ela se jogava sem reservas. Mergulhava no assunto com curiosidade e só sossegava quando descobria o último detalhe, traço que definiu seus mais de 30 anos de carreira nas redações paulistas.

    Obituários do mês de outubro de 2026
    Obituários do mês de outubro de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Esse rigor com a notícia andava de mãos dadas com um humor leve e afetivo. A jornalista transformava a rotina corrida em um espaço vivo de conversa e risada solta.

    Cria do Tucuruvi, na zona norte de São Paulo , Regina Aparecida Abrão começou a trabalhar cedo, aos 15. Anos depois, realizou o sonho de cursar jornalismo . Logo que pegou o diploma, em 1987, arrumou as malas e foi morar um tempo na Itália com as amigas do curso.

    Viajaram pelo país e estabeleceram-se por um tempo em Roma. Mas a vocação falou mais alto: Regina voltou para o Brasil para construir sua história nos jornais de São Paulo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A carreira nas redações começou em revistas segmentadas do setor econômico e fincou raízes no Diário Popular, que depois virou Diário de S. Paulo.

    No jornal, construiu uma trajetória sólida: trabalhou primeiro na editoria de Interior (1988-1992), passou para a Sindical (1992-1997) e seguiu na Economia de 1997 em diante, onde chegou ao posto de subeditora. Mais do que chefiar, gostava de acolher e virou referência de afeto e generosidade para quem chegava novato à Redação.

    Regina fazia questão de guardar os amigos perto de si. Tinha a mesma proximidade com as turmas do ginásio, da faculdade e do jornal. Nos fins de expediente, comandava a mesa em bares e restaurantes da região, estendendo o papo até de madrugada. Onde quer que estivesse, sua gargalhada alta e inconfundível avisava de longe que a vida ali estava sendo bem vivida.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Depois que se aposentou, voltou à zona norte, indo morar no prédio em frente ao da irmã. Ali, viveu anos tranquilos dedicados a cuidar dos pais. Embora não tenha se casado nem tenha tido filhos, transbordava maternidade no convívio familiar, como lembra a irmã, Vera Lúcia Abrão, 71, psicopedagoga e consultora de gestão de RH.

    "Desde que meus filhos eram bebês, ela era apaixonada por eles. No jornal todo mundo sabia do Cauê e do Caíque, cada passinho que eles davam era um festejo. E agora estava totalmente apaixonada pelo sobrinho-neto, Diego".

    Em março, topou uma jornada pelo circuito "Caminhos do Velho Chico", entre Sergipe e Alagoas . A viagem coroou a amizade de quase 50 anos com a aposentada Nadia Fossa, 67, que começou nos primeiros dias de faculdade.

    "A Rê amou a viagem. Ela, que nunca queria ir a lugar nenhum, disse que estava realmente feliz de conhecer o Velho Chico e as belezas do sertão. Foram oito dias muito felizes. Ela estava ótima. Fico feliz de ter insistido com ela para me acompanhar. Acho que foi a despedida dela desta dimensão."

    Regina Abrão morreu no dia 2 de outubro, aos 67 anos. Deixa a irmã, os sobrinhos, o sobrinho-neto e a irmã da vida, Nadia.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/10/mortes-decadas-de-jornalismo-espirito-agregador-e-risada-inconfundivel.shtml.

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