Mortes de civis marcam nova fase da Guerra da Ucrânia
Até agora, a mortandade na Guerra da Ucrânia havia atingido principalmente os combatentes, apesar da tragédia humanitária entre os civis. Leia mais (08/07/2026 - 22h00)

Texto não assinado que expressa a opinião da Folha
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Até agora, a mortandade na Guerra da Ucrânia havia atingido principalmente os combatentes, apesar da tragédia humanitária entre os civis.
Como em todo conflito, uma névoa de desinformação dificulta a aferição, mas estimativas colocam as mortes militares na casa dos 450 mil russos e 140 mil ucranianos, uma enormidade.
Em relação à população comum, uma das réguas mais precisas é a do Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (Acled, no acrônimo em inglês), uma ONG americana que mensura a violência em combates no mundo a partir de informações públicas.

É nessa base de dados que se encontra uma sinalização de que a guerra causada pela invasão do exército de Vladimir Putin ao país vizinho, em 2022, mudou de natureza ao longo deste ano.
Em janeiro, morriam em média 7,1 civis diariamente no conflito, sendo 6,1 deles na Ucrânia. Em julho, pelo número consolidado até o dia 23, foram 21 mortes , 19 delas na terra do presidente Volodimir Zelenski . O salto ocorreu a partir de maio, refletindo uma escalada de lado a lado.
Com a estagnação das negociações que os Estados Unidos haviam promovido, os ucranianos passaram a alvejar a infraestrutura civil russa com maior acurácia , usando novos drones e mísseis.

O alvo inicial foi o sistema energético do rival, com incêndios em refinarias que geraram uma crise de escassez inaudita na Rússia . O terceiro maior produtor de petróleo do mundo passou a racionar gasolina e proibiu a exportação de derivados, além de impor controle de preços.
Depois, Zelenski mirou o escoamento de grãos pelo mar Negro e, por fim, lançou ataques devastadores contra mais de 20 centros logísticos da gigante de comércio online Wildberries, conhecida como "Amazon russa".
Kiev diz que busca atrapalhar a máquina de guerra russa, mas o alvo real é a imagem de Putin. Nisso, foi um pouco bem-sucedido: pesquisa do Centro Levada mostra queda na aprovação do autocrata, de resto em estratosféricos 74%, e o menor apoio popular ao conflito até agora, mas ainda alto, de 66%.
O ônus da aposta foi a intensificação da violência. Até julho, já morreram 2.369 pessoas, 78% do total de 2025. A guerra nunca registrou tantos eventos violentos, segundo o Acled, e a letalidade de civis só foi maior na sua aurora, em março de 2022.
Sem perspectiva real de paz, até situações impensáveis como o emprego de armas nucleares estão no radar, provando que não há limites para a espiral da morte.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/mortes-de-civis-marcam-nova-fase-da-guerra-da-ucrania.shtml.

Morador de Kiev passa por corpos em estação de trem atingida por ataque russo - Mikola Timtchenko - 5.ago.26/AFP · Mikola Timtchenko - 5.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

