Mortes: Curiosidade guiou jornalista que fez história na cultura brasileira
Filho de um psiquiatra e neto de um médico, Octávio Chaves de Souza começou a escrever ainda adolescente e fez da curiosidade sua principal ferramenta de trabalho. Por isso, escolheu o jornalismo como profissão. Leia mais (09/19/2026 - 16h00)

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Filho de um psiquiatra e neto de um médico, Octávio Chaves de Souza começou a escrever ainda adolescente e fez da curiosidade sua principal ferramenta de trabalho. Por isso, escolheu o jornalismo como profissão.

Okky de Souza, como era conhecido, nasceu em Londres em 27 de novembro de 1952. Ele veio de uma família em que a medicina , a cultura e a investigação da mente humana atravessaram gerações. Seu avô, Octávio de Souza, foi professor da Faculdade de Medicina de Porto Alegre , dirigente da Sociedade de Medicina e um dos fundadores do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul .
A mulher do jornalista, Elenita Fogaça, conta que o pai dele, Décio Soares de Souza, também médico e psiquiatra, teve papel importante na introdução e difusão da psicanálise de orientação kleiniana no Brasil.
"Mas Okky escolheu outro caminho para investigar o ser humano. Adolescente, entrou em contato com uma geração e transformou a cultura nacional com a primeira experiência da [revista] Rolling Stone brasileira", conta.

A publicação trouxe ao país uma nova maneira de escrever sobre música, comportamento e juventude. A esposa conta que o interesse dele nunca ficou restrito a essas áreas.
Ao longo de mais de quatro décadas, produziu entrevistas, perfis e reportagens sobre cultura, comportamento, ciência, religião, ambiente e sociedade. "Ele tinha facilidade para transitar entre assuntos e procurava entender não apenas os fatos, mas as pessoas e as transformações por trás delas", diz ela.
Em 1981, chegou à revista Veja, na qual permaneceu até 2015 em diferentes funções, entre elas a de editor. Na publicação, manteve a trajetória ligada à cobertura de cultura, música e comportamento, sem deixar de se dedicar a outros temas.

Em 2004, seu livro "São Paulo, 450 Anos Luz: A Redescoberta de uma Cidade" recebeu menção honrosa no Prêmio Jabuti. A obra refletia outro de seus interesses: tentar compreender compreender as mudanças pelas quais a capital paulista passou ao longo do tempo.
"Durante décadas, fez perguntas a artistas, pesquisadores e personagens de diferentes áreas para entender o tempo. A máquina de escrever, depois o computador e o gravador foram ferramentas de trabalho; a capacidade de ouvir e a disposição para perguntar eram parte essencial de seu ofício", conta Elenita.
Casado desde 2008, mantinha uma vida que ia além das Redações e das pautas. "Okky era de uma franqueza brutal e, ao mesmo tempo, doce, gentil, amoroso! Foi uma honra ter vivido com ele. Deixa muitas saudades", disse ela.

O jornalista deixa a mulher, uma filha e um enteado. Octavio Chaves de Souza morreu em 6 de setembro, aos 73 anos, após uma parada cardíaca .
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-curiosidade-guiou-jornalista-que-fez-historia-na-cultura-brasileira.shtml.

Octávio Chaves de Souza, o Okky de Souza (1952 - 2026) - Arquivo/Nellie Solitrenick · Arquivo/Nellie Solitrenick — Foto: Folha de S.Paulo
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