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    Mortes: Brilhava os olhos ao falar do teatro, sua grande paixão

    Se a vida de João Sanches fosse uma peça de teatro , deveria ter prodígio no título, fazendo jus a como muitos o apontaram. Alfabetizado aos 5 anos, sempre gostou de livros e desde pequeno escrevia poesias. Aos 13, leu a obra de Shakespeare e se interessou por Dostoiévski. Seu primeiro texto para os palcos foi aos 16. Leia mais (08/27/2026 - 18h44)

    Folha de S.Paulo
    27 de agosto de 2026 às 21:44
    Mortes: Brilhava os olhos ao falar do teatro, sua grande paixão
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    Se a vida de João Sanches fosse uma peça de teatro , deveria ter prodígio no título, fazendo jus a como muitos o apontaram. Alfabetizado aos 5 anos, sempre gostou de livros e desde pequeno escrevia poesias. Aos 13, leu a obra de Shakespeare e se interessou por Dostoiévski. Seu primeiro texto para os palcos foi aos 16.

    Obituários do mês de agosto de 2026
    Obituários do mês de agosto de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Ele sempre se interessou pelos clássicos da literatura e da dramaturgia. Era um menino muito diferente", diz a mãe, Cida Lima, 69, que foi produtora teatral. Acompanhando-a entre coxias e montagens, desde cedo ele teve contato com as artes.

    Nascido em Salvador , em 1979, era para a família o Jô, que, ao brincar com os primos, diferenciava-se pela inventividade.

    Fez cursos livres de teatro e chegou a iniciar uma carreira como ator, mas dizia que logo percebeu que seu caminho seria outro. Ainda jovem, escreveu para muitos artistas e foi assistente de grandes nomes do teatro baiano.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Formou-se em comunicação social pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL) . Trabalhou por um período na publicidade, dirigiu vários documentários e chegou a ser diretor de programação da TV UFBA, de 2004 a 2008. Ainda na comunicação, colaborou como colunista no jornal A Tarde.

    Mas continuava a ser o teatro sua grande paixão. Participou de muitas montagens seja como dramaturgo, diretor ou iluminador. Também chegou a criar figurinos e cenários. "Toda vez que ele falava de teatro, seus olhos brilhavam", afirma a mãe.

    Ao longo da carreira, teve grandes sucessos nos palcos. Foi dele a direção do espetáculo "Eu Te Amo Mesmo Assim", uma produção no Rio de Janeiro em parceria com João Falcão e que, em 2011, marcou a reabertura do Teatro Itália no centro de São Paulo .

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    Em 2015, dirigiu o "Boca a Boca: Um Solo para Gregório", que teve estreia no Instituto Camões, em Lisboa . A lista de colaborações é extensa, inclusive com nomes internacionais, como o Odin Teatret, da Dinamarca, e o Teatro Potlach, da Itália.

    Patrícia Portela, 58, companheira de sua mãe, que o acompanhou desde os 17 anos, conta que ele leu toda a Bíblia quando participou de uma produção da Paixão de Cristo.

    Seguiu também uma carreira acadêmica, tornando-se mestre e doutor em artes cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) . Passou no concurso para professor na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e depois foi transferido para a UFBA.

    Suas aulas e orientações marcaram muitos alunos. "Era um dos professores mais amados e queridos da universidade. Ele via as artes cênicas de um jeito muito único", diz a atriz e dramaturga Clara Romariz, 29.

    Era declaradamente encantado pela natureza, leitor voraz e amante do cinema. Filho de Oxóssi, orixá das matas, cultivava sua espiritualidade.

    João Alberto Lima Sanches morreu no último 19 de julho, aos 47 anos, após uma parada cardíaca enquanto estava internado por conta de um linfoma recém-descoberto.

    Deixa a mãe, Cida, 69, a madrasta, Patrícia, 58, e o pai, João, 84, além de um irmão e uma obra que a família pretende mapear.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/mortes-brilhava-os-olhos-ao-falar-do-teatro-sua-grande-paixao.shtml.

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