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    Mortes: Amelinha Teles lutou contra a ditadura militar e nunca optou pelo silêncio

    Ela foi torturada , teve os filhos sequestrados , viu o marido em coma e testemunhou o assassinato de um companheiro pelos militares durante a ditadura . Nada, no entanto, tirou de Amelinha Teles a coragem de lutar pela democracia no país. Leia mais (09/15/2026 - 17h57)

    Folha de S.Paulo
    15 de setembro de 2026 às 20:57
    Mortes: Amelinha Teles lutou contra a ditadura militar e nunca optou pelo silêncio
    Mulher com casaco preto e óculos vermelhos olhando para frente. Microfones e copos de água estão sobre a mesa. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Ela foi torturada , teve os filhos sequestrados , viu o marido em coma e testemunhou o assassinato de um companheiro pelos militares durante a ditadura . Nada, no entanto, tirou de Amelinha Teles a coragem de lutar pela democracia no país.

    Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles (1944 - 2026) - Fabio Braga - 19.ago.13/Folhapress · Fabio Braga - 19.ago.13/Folhapress
    Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles (1944 - 2026) - Fabio Braga - 19.ago.13/Folhapress · Fabio Braga - 19.ago.13/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Isso me deu força para que eu lutasse contra qualquer violência , contra qualquer violação dos direitos humanos. Selou e consolidou minha consciência política, de que eu teria sempre que ter a capacidade de me indignar diante da injustiça", disse Amelinha, em 2013, em uma audiência pública promovida pela Comissão Nacional da Verdade e a Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva .

    Nascida em Contagem, em Minas Gerais , em 1944, Maria Amélia de Almeida Teles iniciou a militância política na juventude, atuando na resistência contra o regime militar pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil).

    Em dezembro de 1972, aos 27 anos, foi presa em São Paulo e levada à Oban (Operação Bandeirantes), onde foi submetida a sessões de tortura física e violência sexual, que, segundo seu depoimento, foram praticadas pessoalmente pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra , então comandante do DOI-Codi de São Paulo.

    Obituários do mês de setembro de 2026
    Obituários do mês de setembro de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Junto com ela, foram presos também seu marido César Augusto Teles e um companheiro de militância, Carlos Nicolau Danielli. Os três eram do PCdoB e escreviam para um jornal que denunciava os abusos dos militares.

    Em depoimento, Amelinha contou ter testemunhado o assassinato de Danielli após sessões de tortura.

    Durante a prisão, ela também teve os filhos, Janaína e Edson, então com 5 e 4 anos de idade, sequestrados pelo regime. As crianças foram levadas ao centro de repressão para ver os pais serem torturados.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Amelinha nunca optou pelo silêncio. Já em 1975, ela entrou para o Movimento Feminino pela Anistia e criou o jornal Brasil Mulher. Ainda durante a ditadura militar , ela participou da elaboração dos primeiros relatórios produzidos pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

    Em 1984, ela fundou a União de Mulheres de São Paulo que, durante a Assembleia Nacional Constituinte, lutou para garantir a inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres na Constituição de 1988.

    Ela também liderou o movimento para que todas as mais de mil ossadas encontradas em uma vala clandestina no cemitério de Perus, na zona norte de São Paulo, fossem transferidas para um instituto de medicina forense para serem analisadas e identificadas.

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    Em 2005, a família Teles moveu uma ação civil declaratória contra o coronel Ustra, pedindo que ele fosse reconhecido como torturador. Em 2008, a solicitação foi acatada e Ustra foi o primeiro agente da ditadura a ser declarado torturador pela Justiça .

    Por sua contribuição à democracia brasileira e à defesa dos direitos humanos, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) concedeu, em 2023, o título de doutora honoris causa a Amelinha.

    Ela foi ainda autora de obras sobre os direitos das mulheres e, em 2024, publicou o livro "Contos da Cela Três: Memórias de uma Presa Política na Ditadura", no qual retoma memórias do tempo em que ficou presa.

    Os depoimentos e a luta de Amelinha foram fundamentais para mostrar o papel das mulheres na resistência contra a ditadura e também denunciar as violências que sofreram. "Não se pode construir uma verdade sobre a ditadura sem falar das mulheres. Essa seria uma meia verdade", disse ela no depoimento em 2013.

    Amelinha morreu nesta terça-feira (15) aos 81 anos, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada pela família. O velório será nesta quarta-feira (16) na reitoria da Unifesp.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/mortes-amelinha-teles-lutou-contra-a-ditadura-militar-e-nunca-optou-pelo-silencio.shtml.

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    Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles (1944 - 2026) - Fabio Braga - 19.ago.13/Folhapress · Fabio Braga - 19.ago.13/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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