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    Mortes: Advogado, saiu da periferia e tornou-se voz pela acessibilidade no direito

    Lucas Silva Lopes subia lentamente a rampa do prédio de direito da PUC-Campinas todas as noites, de segunda a sexta, com ar soberano e distribuindo sorrisos às dezenas de pessoas que diziam: "Boa noite, Lucas!". Leia mais (08/08/2026 - 16h00)

    Folha de S.Paulo
    8 de agosto de 2026 às 19:00
    Mortes: Advogado, saiu da periferia e tornou-se voz pela acessibilidade no direito
    Homem de camiseta preta sorri para a câmera em área externa com piso de tijolos. Ao fundo, pessoas sentadas em mesas, árvores e estrutura moderna. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Lucas Silva Lopes subia lentamente a rampa do prédio de direito da PUC-Campinas todas as noites, de segunda a sexta, com ar soberano e distribuindo sorrisos às dezenas de pessoas que diziam: "Boa noite, Lucas!".

    Lucas Silva Lopes (1996-2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal
    Lucas Silva Lopes (1996-2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foi assim durante cinco anos. Quando apontava no fim do trajeto, o segurança do campus o esperava, quase como um hábito indissociável de seu ofício. "Boa noite, mestre!", saudava o jovem estudante. Os carros paravam com respeito, e o funcionário o acompanhava até a porta da van.

    O caminhar lento se devia menos ao fato de Lucas ter paralisia cerebral e precisar de muletas para se mover, e mais às interações de amor com colegas e funcionários da PUC. Era uma celebridade entre seus pares.

    Na terça-feira (4), muitos desses amigos se despediram de Lucas no cemitério de Hortolândia , no interior de São Paulo . Ele foi encontrado morto em Mogi Mirim, no domingo (2), vítima de um homicídio ainda pouco explicado.

    Obituários do mês de agosto de 2026
    Obituários do mês de agosto de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Lucas tinha 30 anos e cursava doutorado na USP ( Universidade de São Paulo). No ano passado, tornou-se mestre em direitos humanos pela mesma instituição.

    Criado na periferia de Hortolândia, estudou em escola pública . Ingressou na universidade por meio de uma bolsa e, primeiro de cinco irmãos a cursar o ensino superior, tornou-se pilar de orgulho e ascensão social da família.

    A limitação de mobilidade nunca foi impeditivo para os estudos. Ocupou-se, desde o ensino fundamental, a ser o "nerd da sala", nas palavras de uma amiga de escola.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Na Escola Estadual Guido Rosolém, foi aluno brilhante; sempre as melhores notas, desafiando-se em melhorar. Recebia, com brilho nos olhos, propostas e projetos escolares. Mas sua vida escolar era em construção com os colegas, sempre ao lado deles. Gostava de ser monitor e auxiliar nos trabalhos e dificuldades dos companheiros. A humanidade sempre foi seu lado mais bonito", lembra Dorine Gomes, professora de português de Lucas no ensino fundamental.

    A liderança proeminente o levou à grande causa de sua vida: a luta por acessibilidade. Foi voz contra o capacitismo em todos os ambientes que frequentou. "Acessibilidade não é adaptar o mundo, é esperar que ele funcione para todos, independentemente da forma de seus corpos", pregava.

    Recentemente, dividia-se entre o trabalho na Ambev e o doutorado. Foi ainda diretor-voluntário na Casa da Criança Paralítica de Campinas . Mas gostava mesmo de passar o tempo com a família e com os amigos, centenas deles, cativados por sua generosidade imensurável.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/mortes-advogado-saiu-da-periferia-e-tornou-se-voz-pela-acessibilidade-no-direito.shtml.

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    Lucas Silva Lopes (1996-2026) - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo

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