Morte de jovem com 27 tiros levou quase 6 h para ser avisada a delegacia especializada em SP
Gestão Tarcísio afirma que policiais militares foram afastados das atividades operacionais

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A morte de Gustavo Munis de Santana , 20, com 27 tiros na madrugada deste sábado (10) em Moema, na zona sul de São Paulo , levou quase seis horas para ser comunicada ao DHPP (Departamento de Homicídio e de Proteção à Pessoa) . A delegacia é a responsável por investigar mortes cometidas por policiais militares em serviço contra civis.

Os policiais envolvidos no caso dizem ter confundido o aparelho celular que Gustavo segurava com uma arma. O telefone foi encontrado pelos peritos perto dos pés da vítima.
Em nota à Folha , a SSP (Secretaria da Segurança Pública), da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que os agentes "foram afastados das atividades operacionais e foi aberto um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar a conduta deles".
"Todos os procedimentos durante e após a ocorrência serão apurados pela secretaria", disse a pasta. A SSP não respondeu sobre a demora na comunicação ao DHPP.

Ainda de acordo com a secretaria, as armas dos policiais foram apreendidas e as imagens das câmeras corporais serão analisadas durante as investigações. "A SSP não tolera desvios de conduta dos seus agentes e constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos com rigor", declarou a pasta.
De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais afirmaram que Gustavo "estaria transtornado e ameaçando atirar contra si próprio."
O corpo do rapaz permaneceu na alameda dos Guaramomis por ao menos oito horas, quando foi liberado para ser removido do local por um carro do IML (Instituto Médico-Legal).

A Folha encontrou familiares de Gustavo em frente a um posto do IML na zona sul, mas eles não quiseram conceder entrevista. Uma parente afirmou que a família "vai aguardar as investigações da polícia".
De acordo com o boletim de ocorrência, o rapaz foi baleado às 2h45. Por volta das 3h30, policiais militares estiveram no 27° DP (Campo Belo), onde inicialmente informaram policiais civis sobre a ocorrência.
O Departamento de Homicídios, que fica na região central paulistana, foi comunicado às 8h40.
Os agentes deixaram o DHPP às 10h. Uma perícia foi feita no local em que Gustavo foi morto. Seu corpo foi liberado às 11h04 para remoção pelo IML.
O caso envolveu quatro veículos da Polícia Militar. Dos 8 policiais que participaram da ação, 4 atiraram, totalizando 45 tiros: um deles fez 14 disparos; outro, 13; um terceiro, 6; e o último, 12.
Os tiros atingiram diversas partes do corpo do rapaz —cabeça, pescoço, tórax, cotovelo, bacia, antebraço, mão e perna. Um veículo da PM foi atingido duas vezes no capô.
A Polícia Civil inicialmente tratou o caso como legítima defesa, uma vez que registrou a morte como resistência.
Familiares disseram à polícia que Gustavo vivia com a mãe e as irmãs e, desde o ano passado, tomava medicamentos para depressão. Ele não tinha antecedentes criminais, segundo o boletim de ocorrência.
Os policiais militares envolvidos pertencem ao 12° Batalhão de Polícia Militar, que abrange áreas como Moema, Vila Mariana, Planalto Paulista e Campo Belo.
Em 2024, dois policiais desse batalhão mataram o estudante de medicina Marco Aurélio Cadenas Acosta, 22, na Vila Mariana . Ele também estava desarmado na ocasião.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/10/morte-de-jovem-com-27-tiros-levou-quase-6-h-para-ser-avisada-a-delegacia-especializada-em-sp.shtml.

Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi morto com 27 tiros por policiais militares na noite de sábado (10) no bairro de Moema, na zona sul de São Paulo - Reprodução SBT · Reprodução SBT — Foto: UOL
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