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    Morre porco clonado em projeto da USP para transplante de órgãos em humanos

    Animal, submetido a eutanásia, era mantido na capital paulista; seu corpo será taxidermizado

    UOL
    8 de agosto de 2026 às 10:00
    Morre porco clonado em projeto da USP para transplante de órgãos em humanos
    Porco rosa deitado no chão branco texturizado dentro de um espaço cercado por grades metálicas. O animal tem uma etiqueta amarela com o número 011 na orelha esquerda. — Foto: UOL

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    No fim de julho, pesquisadores do Centro de Ciência para Desenvolvimento de Xenotransplante da USP (XenoBR) realizaram a eutanásia do primeiro porco clonado pelo grupo . O animal fazia parte do projeto que pretende gerar clones de suínos geneticamente modificados para produzir órgãos que possam ser utilizados no transplante em humanos.

    No último dia 28, pesquisadores do Centro de Ciência para Desenvolvimento de Xenotransplantes da USP realizaram a eutanásia no primeiro porco clonado pelo grupo - Acervo do CEGH-CEL/USP · Acervo do CEGH-CEL/USP
    No último dia 28, pesquisadores do Centro de Ciência para Desenvolvimento de Xenotransplantes da USP realizaram a eutanásia no primeiro porco clonado pelo grupo - Acervo do CEGH-CEL/USP · Acervo do CEGH-CEL/USP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O animal nasceu em 24 de março deste ano em Piracicaba, a 160 km da capital paulista. Ele estava saudável e sem intercorrências da clonagem, segundo Ernesto Goulart, pesquisador do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) do Instituto de Biociências da USP e um dos coordenadores do projeto.

    Após constatar que ele havia atingido a maturação sexual —período em que os órgãos já ficam em tamanho adequado para captação para seres humanos—, a equipe decidiu eutanasiá-lo em 28 de julho, aos quatro meses e quatro dias.

    O porco pesava 84 quilos, ante 1,75 kg ao nascer, e era mantido em uma unidade experimental na Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste de São Paulo.

    1º porco clonado da América Latina para transplante de órgãos é eutanasiado
    1º porco clonado da América Latina para transplante de órgãos é eutanasiado — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "O nascimento do primeiro porco clonado foi um marco que validou o esforço da equipe e provou que a técnica de clonagem desenvolvida do zero funcionava", afirma Goulart.

    Segundo o pesquisador, a etapa foi bem-sucedida, o que também foi evidenciado pelo nascimento de um segundo clone —este morreu pouco depois.

    A decisão de eutanasiar o primeiro porco foi motivada também pelos custos de mantê-lo no biotério, de acordo com Goulart. Os ensaios iniciais previam sobrevida do animal de até sete meses.

    USP clona porco em projeto para transplante em humanos
    USP clona porco em projeto para transplante em humanos — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Tudo envolve custos, precisamos manter uma equipe, pagar insumos, manter a infraestrutura. E o projeto está em um momento em que precisamos fazer essa contenção de gastos para conseguir sobreviver até alguma liberação de recursos de projetos já aprovados, mas cujos pagamentos ainda não foram liberados", diz ele.

    "Acredito que a gente acelerou um pouco [eutanásia], mas sem nenhum prejuízo aos dados principais da pesquisa nem à integridade e bem-estar do animal."

    A falta de verba pode afetar também alunos de pós-graduação envolvidos na pesquisa, afirma Mayana Zatz, geneticista do CEGH-CEL. "Tivemos muitos alunos na equipe que saíram porque as bolsas acabaram. Algumas vão até dezembro, mas muitos deles já estão procurando outras oportunidades."

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Com apoio de agências federais e estaduais, como CNPq, Ministério da Saúde , Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Fapesp e USP, a equipe avalia que a demora na liberação de recursos já aprovados pode pôr a pesquisa em risco. O animal —o primeiro porco clonado da América Latina, segundo os cientistas—, representa uma etapa na trajetória brasileira em direção aos xenotransplantes.

    Estados Unidos e China já realizaram xenotransplantes, técnica que consiste no transplante de órgãos entre espécies diferentes.

    "Esse tipo de pesquisa científica inovadora e com potencial de retorno para a sociedade leva muito tempo. Não é algo que em quatro anos temos um resultado. Os EUA e a China estudam há 30 anos, e nós conseguimos, em seis, gerar clones saudáveis", afirma Goulart.

    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool)
    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Um dos desafios para o transplante de órgãos suínos em humanos é a rejeição imunológica . Para tentar contorná-la, pesquisadores utilizam edição genética para inativar genes suínos associados à rejeição e inserir genes humanos.

    No projeto brasileiro, essa etapa ainda não começou e aguarda recursos, diz o pesquisador. "O próximo passo essencial é clonar embriões que já tenham passado pela edição genética." O grupo também busca certificações de organismos geneticamente modificados na CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).

    Em nota, a Fapesp afirma que apoia o projeto desde 2022, com vigência prevista até maio de 2027. "Todos os apoios previstos no termo de outorga do projeto estão sendo honrados pela Fapesp, incluindo 32 bolsas de pesquisa. Não há contingenciamento", diz a agência. Segundo a fundação, a coordenação solicitou recursos adicionais, pedido que está em análise.

    O Ministério da Saúde é responsável pelo apoio de três projetos em andamento associados à pesquisa. A pasta declara, em nota, que já liberou R$ 6,15 milhões de um total aprovado de R$ 11,6 milhões.

    "Os valores são repassados via CNPq, que é o parceiro operacional, conforme previsto na chamada pública e de acordo com o andamento das etapas científicas. A liberação é condicionada ao cumprimento do cronograma de metas, à aprovação das prestações de contas das etapas já executadas e à disponibilidade orçamentária do exercício vigente", diz a pasta.

    Depois da eutanásia, o corpo do porco foi encaminhado ao MZUSP (Museu de Zoologia da USP), na zona sul de São Paulo, onde será taxidermizado e incorporado ao acervo expositivo.

    "Quando eles nos procuraram, ficamos muito felizes e honrados", afirma Isabel Landim, diretora da Divisão de Difusão Cultural do MZUSP.

    A expectativa é que o animal esteja em exposição até o fim deste ano. Além do espécime taxidermizado, o espaço deve apresentar materiais sobre sua importância para a ciência brasileira.

    "Queremos desmistificar a ideia de que a ciência é ‘imediata’ e ilustrar que o processo científico é lento, complexo, cheio de tentativas e erros", diz Landim.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/08/morre-porco-clonado-em-projeto-da-usp-para-transplante-de-orgaos-em-humanos.shtml.

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    No último dia 28, pesquisadores do Centro de Ciência para Desenvolvimento de Xenotransplantes da USP realizaram a eutanásia no primeiro porco clonado pelo grupo - Acervo do CEGH-CEL/USP · Acervo do CEGH-CEL/USP — Foto: UOL

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