Morre Lucia Laguna, artista que pintava a paisagem de sua janela, aos 85 anos
Pintora transformava jardins, telhados e fios em fragmentos

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Morreu nesta segunda-feira (21), aos 85 anos, a pintora Lucia Laguna , em sua casa, no Rio de Janeiro . Nascida em Campos dos Goytacazes (RJ), em 1941, a artista construiu uma obra a partir da observação do entorno, incorporando à pintura fragmentos de jardins, casas, telhados, fios elétricos e outras cenas da paisagem urbana.

Seu velório acontece nesta terça-feira (22), das 8h às 10h, na Capela A Premium, no Rio, seguido da cerimônia de cremação.
A trajetória de Laguna começou longe do circuito artístico. Formada em letras, ela trabalhou durante décadas como professora de português e literatura em escolas públicas e particulares. Aposentou-se do magistério em 1994, aos 53 anos, quando passou a frequentar cursos de artes plásticas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage , no Rio.
Ali, teve aulas com o artista britânico Charles Watson e entrou em contato com a obra do italiano Giorgio Morandi , cuja pesquisa sobre composição e economia de formas se tornou uma de suas referências.

Foi olhando o morro da Mangueira pela janela de casa, em 2000, que a aposentada Lucia Laguna, à época com 60 anos, achou o que buscava desde que abandonara o magistério, sete anos antes. "Do outro lado, havia um morro. Achei que precisava trabalhar o meu entorno, a paisagem que me rodeia. Essa era a resposta que eu procurava tanto e que talvez aplacasse a minha angústia", contou em entrevista para a Folha, em 2009 .
A pintura de Laguna partia frequentemente das vistas que tinha de seu ateliê e de seu entorno. Folhagens, construções e elementos da paisagem suburbana carioca eram combinados a formas geométricas e áreas abstratas. Em vez de reproduzir diretamente o que via, a artista trabalhava a superfície em sucessivas camadas de tinta, alternando acumulação e apagamento. Assim, figuras surgiam e desapareciam na tela, criando paisagens fragmentadas, nas quais o reconhecível convivia com o abstrato.
"Quando começo um quadro, não sei onde vai parar, nem que paleta terá", disse uma vez ao curador Paulo Herkenhoff . "Comecei este trabalho aos 54 anos. Eu tinha pressa. Tenho ainda. A pintura é lenta."

Entre suas exposições individuais estão "Lucia Laguna: Vizinhança", realizada no Masp em 2018, "Se Hace Camino al Andar", na Carpintaria, no Rio, em 2021, e "Life is Only Possible Reinvented", na galeria Sadie Coles, em Londres, em 2022.
Em 2025, apresentou "A Propósito de duas janelas", na galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, em São Paulo. Na época , disse à Folha que a sobreposição de itens em seus quadros é resultado do modo como enxerga a paisagem a partir da janela. "Vejo as casas de uma distância muito grande, então não consigo distinguir as coisas. Quando chove ou quando a luz do Sol muda, a paisagem também fica com um formato diferente".
Também participou da 30ª Bienal de São Paulo, em 2012, e de exposições coletivas como "Crônicas Cariocas", no Museu de Arte do Rio, e "Dos Brasis: arte e pensamento negro", no Sesc Belenzinho.

Suas obras integram coleções públicas e institucionais como as do Centro Cultural São Paulo, dos museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo, do Museu de Arte do Rio, do Masp e do Museu Nacional de Brasília. A artista deixa a filha, Laura, os netos João e Daniel.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/morre-lucia-laguna-artista-que-pintava-a-paisagem-de-sua-janela-aos-85-anos.shtml.

A artista Lucia Laguna - Eduardo Ortega/Divulgação · Eduardo Ortega/Divulgação — Foto: UOL
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