Brasil

    Morre Glória Menezes, atriz que se consagrou como patrimônio da TV, aos 91

    Morreu, nesta terça-feira (18), Glória Menezes , aos 91 anos, uma das grandes atrizes do Brasil, que marcou os palcos, o cinema e a televisão brasileira em mais de 60 anos de carreira. Ela morreu em sua casa, no Rio de Janeiro , segundo a família. Leia mais (08/18/2026 - 16h43)

    Folha de S.Paulo
    18 de agosto de 2026 às 19:43
    Morre Glória Menezes, atriz que se consagrou como patrimônio da TV, aos 91
    Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Morreu, nesta terça-feira (18), Glória Menezes , aos 91 anos, uma das grandes atrizes do Brasil, que marcou os palcos, o cinema e a televisão brasileira em mais de 60 anos de carreira. Ela morreu em sua casa, no Rio de Janeiro , segundo a família.

    A atriz Glória Menezes - Reprodução · Reprodução
    A atriz Glória Menezes - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Figura fundadora da teledramaturgia brasileira e nome determinante na modernização da interpretação audiovisual no país, não foi apenas com mocinhas e vilãs de 40 títulos televisivos que a artista montou a extensa galeria de personagens que fez dela um dos rostos mais conhecidos do país.

    Marcada pela introdução do naturalismo psicológico na TV aberta, ao lado do marido, o ator Tarcísio Meira , fez uma aliança artística e afetiva que virou patrimônio nacional.

    A televisão foi um porto mais frequente. Mas houve também, em sua trajetória, dedicações pontuais ao teatro e pelo menos um grande papel no cinema, a sofrida Rosa, do filme "O Pagador de Promessas" , de 1962, de Anselmo Duarte.

    A atriz Glória Menezes - Reprodução · Reprodução
    A atriz Glória Menezes - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nascida na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Nilcedes Soares Guimarães —batizada com um prenome derivado da junção dos nomes dos pais, José Nilo e Mercedes— dedicou sua juventude a estudar piano. Mudou-se aos seis anos com a família para a capital paulista.

    Foi nesse polo urbano em expansão que construiu sua vocação e buscou uma fundamentação acadêmica rigorosa. Matriculou-se na Escola de Arte Dramática, mas abandonou o curso um ano antes de concluí-lo, em 1959. Lá, foi uma das fundadoras do grupo Jovens Independentes, com quem montou seus primeiros espetáculos.

    Sua transição para o circuito profissional ocorreu também em 1959, sob a direção de Antunes Filho, na peça "Devoção à Cruz", que lhe rendeu o prêmio de atriz revelação.

    Glória Menezes
    Glória Menezes — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Iniciou sua carreira fazendo teleteatro na TV Tupi e, em 1959 ainda, atuou em "Um Lugar ao Sol", sua primeira participação em novela, na TV Excelsior .

    Um ano depois, já com o nome artístico Glória Menezes, estreou em uma montagem assinada por Antunes Filho , um dos diretores mais importantes do país, para a peça "As Feiticeiras de Salém" , de Arthur Miller , no Teatro Maria Della Costa. Glória conquistou o prestigiado Prêmio APCA ao viver a densa e controversa Abigail Williams.

    Mas foi com "O Pagador de Promessas", peça de Dias Gomes filmada por Anselmo Duarte , que ela de fato se tornou atriz célebre, pronta para deslanchar. O longa, que trazia Leonardo Villar no papel central, venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e foi indicado como melhor filme estrangeiro ao Oscar .

    Glória Menezes e Tarcísio Meira na novela 'Espelho Mágico' - Acervo Globo/Divulgação · Acervo Globo/Divulgação
    Glória Menezes e Tarcísio Meira na novela 'Espelho Mágico' - Acervo Globo/Divulgação · Acervo Globo/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na pele da sertaneja Rosa, mulher de Zé do Burro, vivido por Leonardo Villar, Glória entregou um trabalho de extrema contenção, amadurecimento e densidade interiorana.

    Não demorou para que, em 1963, Menezes ganhasse papel central em uma novela, em "2-5499 Ocupado", de Dulce Santucci, a primeira telenovela de exibição diária do país, que rendeu a Glória o Troféu Imprensa de melhor atriz em 1964.

    Interpretava uma presidiária, par romântico com Tarcísio Meira , de quem se tornou mulher em outubro daquele mesmo ano. Eles haviam se conhecido em 1961, nos bastidores do teleteatro da TV Tupi, durante a produção de "Uma Pires Camargo".

    Veja curiosidades da atriz Glória Menezes
    Veja curiosidades da atriz Glória Menezes — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foram 59 anos de casamento —o ator morreria em 2021, aos 85 anos , vítima da Covid-19. Na época, ela também foi internada por complicações da doença .

    Juntos, eles tiveram um filho em 1964, Tarcísio Filho , que também se tornou ator. Tarcísio foi o único filho de Meira e também o terceiro de Menezes. Ela é mãe de Maria Amélia e João Paulo, nascidos em um casamento anterior.

    Glória e Tarcísio conquistaram o público como casal modelo e eternos parceiros de cena em novelas da Globo. Contratada pela emissora em 1967, estrearam na emissora com "Sangue e Areia", iniciando uma era de prestígio e consolidação da telenovela como o produto dramático mais relevante do Brasil.

    O casal Tarcísio Meira e Glória Menezes
    O casal Tarcísio Meira e Glória Menezes — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A grande contribuição da atriz esteve na ruptura com os maneirismos empolados herdados do rádio e das primeiras fases da TV. Apoiada em sua bagagem teórica, introduziu uma atuação orientada pela economia de gestos, pela modulação de voz e pela exploração do "close-up". Os silêncios e a mirada concentrada tornaram-se referências de sofisticação para as gerações seguintes.

    Esse domínio técnico ficou plenamente demonstrado em 1970, no clássico "Irmãos Coragem" , de 1970, de Janete Clair, com direção de Daniel Filho. Na novela, um dos maiores sucessos de audiência da TV Globo , Glória Menezes assumiu o papel da jovem que tinha três personalidades diferentes —transitando com precisão milimétrica entre a tímida Lara, a rebelde Diana e a lúcida Márcia.

    Demonstrou, enfim, flexibilidade para transitar do drama solene à comédia ácida e ao deboche urbano. Glória e Tarcísio também estiveram lado a lado em "Rosa Rebelde", de 1969, "Espelho Mágico", de 1977, "Guerra dos Sexos" , de 1983, a série "Tarcísio & Glória", de 1988, "Páginas da Vida" , de 2006, e "A Favorita", de 2008, entre outras novelas. Em 1984, ela também estrelou um sucesso de Gilberto Braga, a novela "Corpo a Corpo".

    Glória Menezes nas gravações do especial 'Tributo' - Fábio Rocha - 5.mai.25/Divulgação TV Globo · Fábio Rocha - 5.mai.25/Divulgação TV Globo
    Glória Menezes nas gravações do especial 'Tributo' - Fábio Rocha - 5.mai.25/Divulgação TV Globo · Fábio Rocha - 5.mai.25/Divulgação TV Globo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Passaram a contracenar juntos não só na TV, mas também no teatro. Em 1976, por exemplo, subiram ao palco com a comédia "Tudo Bem no Ano Que Vem" , de Bernard Slade, direção de Flávio Rangel .

    Em dois momentos de destaque na carreira de Glória, Tarcísio não estava no mesmo elenco. Em "Brega & Chique" , de 1987, de Cassiano Gabus Mendes, a atriz fez uma dona de casa pobre que ganhava uma herança milionária.

    E em "Rainha da Sucata" , de 1990, de Silvio de Abreu, fez a decadente aristocrata Laurinha Figueroa, um dos pontos altos de sua galeria dramática. O desfecho trágico da vilã, arremessando-se do topo do edifício Cetenco Plaza, na avenida Paulista, para incriminar a rival, cristalizou-se como uma das sequências mais célebres da teledramaturgia nacional.

    Mulher com cabelo castanho volumoso penteado para o lado, maquiagem escura nos olhos e batom brilhante. Ela usa um lenço azul claro e uma flor azul grande presa ao cabelo.
    Mulher com cabelo castanho volumoso penteado para o lado, maquiagem escura nos olhos e batom brilhante. Ela usa um lenço azul claro e uma flor azul grande presa ao cabelo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A solidez de sua presença continuou a brilhar em sucessos posteriores como "Deus Nos Acuda", de 1992, "A Próxima Vítima", de 1995, "Torre de Babel", de 1998, e "Senhora do Destino", de 2004.

    A atriz também valorizou em sua trajetória o tipo de personagem que exige do intérprete alguma transformação física. Em dois de seus trabalhos, teve de raspar a cabeça: na novela "Jóia Rara" , encarnou uma monja tibetana; e na peça "Jornada de um Poema" , de 2000, com direção de Diogo Vilela , interpretou uma professora que desenvolve um câncer e fala no palco sobre a doença.

    Em 2013, voltou a atuar no teatro, com a comédia "Ensina-Me a Viver". Dirigida por João Falcão , a peça de Colin Higgins era centrada em uma relação de amizade entre uma octogenária e um jovem obcecado com a morte. Em 2006, ausente do cinema por cerca de 20 anos, Glória Menezes também teve participação no longa "Se Eu Fosse Você...", comédia popular dirigida por Daniel Filho.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um dos seus últimos personagens foi na novela "Totalmente Demais" , de Rosane Svartman e Paulo Halm, exibida de 2015 a 2016. Trata-se de Stelinha, socialite ricaça, mãe de Arthur, papel de Fabio Assunção, que chega para transformar Eliza, Marina Ruy Barbosa, em uma estrela.

    Glória encerrou o vínculo contratual fixo com a TV Globo em 2020, em decisão de comum acordo após mais de 50 anos de casa.

    Depois, faria apenas pequenas participações, em atrações como "Tá no Ar: a TV na TV", "Os Casais que Amamos", além de ter sido o centro de um programa Tributo, no ano passado. Em suas últimas aparições públicas, em fotos nas redes sociais, ela já estava de cadeira de rodas ao lado de familiares.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/morre-gloria-menezes-uma-das-grandes-atrizes-do-teatro-e-da-tv-aos-91-anos.shtml.

    Imagem 1
    1 / 12

    A atriz Glória Menezes - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)