Morgan vê dilema de incorporação de GLP-1 pelo SUS e impacto limitado para ações
Mulher aplica uma injeção de Zepbound, um medicamento GLP-1 para perda de peso, em sua casa em Memphis, Tennessee – 30/07/2026 (Foto: REUTERS/Karen Pulfer Focht) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Pessoa-aplicando-Zepbound-_-GLP-1.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />SUS enfrenta dilema entre custo e alcance dos remédios para obesidade, avalia banco The post Morgan vê dilema de incorporação de GLP-1 pelo SUS e impacto limitado para ações appeared first on InfoMoney .

Mulher aplica uma injeção de Zepbound, um medicamento GLP-1 para perda de peso, em sua casa em Memphis, Tennessee – 30/07/2026 (Foto: REUTERS/Karen Pulfer Focht)
O anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possível oferta de canetas para emagrecimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) fez o mercado ficar de olho nos impactos para o varejo farmacêutico, mas o Morgan Stanley avalia que o impacto para empresas como RD Saúde ( RADL3 ) e Pague Menos ( PGMN3 ) pode ser mais limitado do que o mercado imagina.
Segundo relatório de análise, o principal desafio para um programa público de distribuição de medicamentos da classe GLP-1 , como a semaglutida, é equilibrar elegibilidade clínica e viabilidade fiscal, sendo um dilema do governo. A instituição argumenta que um programa restrito teria alcance insuficiente para alterar de forma significativa o mercado, enquanto uma iniciativa mais abrangente exigiria recursos incompatíveis com o orçamento de saúde atualmente previsto pelo governo.

O estudo foi elaborado após declarações de Lula e do Ministério da Saúde sobre a possibilidade de incorporar esses medicamentos ao SUS para grupos específicos de pacientes, incluindo pessoas com obesidade, doenças cardiovasculares e candidatos à cirurgia bariátrica. No entanto, até o momento não há cronograma nem regras definitivas para implementação.
Nas contas do Morgan Stanley, mesmo considerando o menor preço doméstico identificado para a semaglutida, um programa direcionado apenas a pacientes com diabetes tipo 2 custaria cerca de R$ 54,8 bilhões por ano.
A expansão para pessoas com diabetes e obesidade elevaria essa conta para R$ 154,1 bilhões anuais. Já um cenário mais amplo, incluindo pacientes com sobrepeso e utilização discricionária, chegaria a R$ 343,6 bilhões por ano.

Os analistas destacam que esses valores equivalem a aproximadamente 20%, 57% e 126%, respectivamente, do orçamento federal de saúde previsto para 2027, estimado em R$ 272,2 bilhões.
Mesmo sob uma hipótese extremamente otimista de preços internacionais mínimos, a cobertura apenas para diabéticos ainda demandaria R$ 13,6 bilhões por ano, enquanto o atendimento de pacientes com diabetes e obesidade exigiria R$ 38,3 bilhões anuais.
Impacto nas farmácias tende a ser limitado

O Morgan Stanley argumenta que um modelo fiscalmente viável provavelmente teria critérios rígidos de elegibilidade, limitando o número de beneficiários.
Os cenários estudados pela Conitec contemplam populações elegíveis de aproximadamente 149 mil pacientes em uma hipótese mais ampla e cerca de 50 mil em uma versão mais restrita. Esses números representariam apenas entre 0,9% e 3,7% da base total estimada de usuários de GLP-1 no Brasil, calculada entre 4 milhões e 5,5 milhões de pessoas.
Além disso, parte da demanda poderia migrar de canais informais para o sistema público, reduzindo o efeito direto sobre as vendas realizadas pelas grandes redes de farmácias.

Para os analistas, a consequência mais provável seria um impacto negativo modesto sobre os volumes vendidos pelas farmácias, e não uma ruptura estrutural no mercado de medicamentos para obesidade.
RD Saúde e Pague Menos continuariam crescendo sem semaglutida
Para testar a dependência das varejistas em relação à semaglutida, o Morgan Stanley realizou um exercício eliminando totalmente as receitas desse medicamento das projeções a partir do terceiro trimestre de 2026.
Mesmo nesse cenário considerado extremo, a Raia Drogasil continuaria apresentando crescimento relevante. O banco projeta expansão anual composta de 9,5% para receitas e de 12% para EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) entre 2026 e 2035.
Já a Pague Menos registraria crescimento médio anual de 8,4% na receita e 8,6% no EBITDA no mesmo período.
Segundo os analistas, ambas as empresas mais que dobrariam de tamanho ao longo da próxima década mesmo sem contribuição da semaglutida, graças à expansão da tirzepatida, ao lançamento de novas moléculas e ao crescimento estrutural da demanda farmacêutica no país.
O Morgan Stanley conclui que a eventual entrada dos GLP-1 no SUS representa mais um possível vento contrário para os resultados das varejistas do que uma ameaça estrutural ao crescimento de longo prazo de RD Saúde e Pague Menos.
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Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/morgan-ve-dilema-de-incorporacao-de-glp-1-pelo-sus-e-impacto-limitado-para-acoes/.

Foto: InfoMoney
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