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    Moraes e Dino erram em série em caso envolvendo Luís Pablo

    Um jornalista ou veículo da mídia desfrutam, numa democracia, do direito de se inclinar à esquerda ou à direita, defender teses políticas, simpatizar com um partido, detestar um governo e escolher a seu critério os assuntos que consideram relevantes. No exercício dessa atividade, embora não seja o ideal, podem ser parciais, tendenciosos e até fazer mau jornalismo . Leia mais (08/20/2026 - 16h26)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 19:26
    Moraes e Dino erram em série em caso envolvendo Luís Pablo
    Homem de barba e cabelo curto está sentado em mesa de madeira com laptop Apple aberto à sua frente. Atrás dele, prateleiras na parede exibem livros, relógios e objetos decorativos. À direita, há uma moldura com foto e um suporte para celula — Foto: Folha de S.Paulo

    Editor da Ilustríssima, formado em administração de empresas com mestrado em comunicação pela UFRJ. Foi editor de Opinião da Folha

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    O jornalista maranhense Luís Pablo, alvo de inquérito após textos contrários ao ministro Flávio Dino
    O jornalista maranhense Luís Pablo, alvo de inquérito após textos contrários ao ministro Flávio Dino — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um jornalista ou veículo da mídia desfrutam, numa democracia, do direito de se inclinar à esquerda ou à direita, defender teses políticas, simpatizar com um partido, detestar um governo e escolher a seu critério os assuntos que consideram relevantes. No exercício dessa atividade, embora não seja o ideal, podem ser parciais, tendenciosos e até fazer mau jornalismo .

    O que não podem é cometer crimes. Para isso existem leis, tribunais e o devido processo legal.

    O caso do maranhense Luís Pablo embaralha perigosamente essas fronteiras. Dono de um blog dedicado à política local, ele publicou textos sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino e familiares.

    Liberdade de imprensa e censura no Brasil
    Liberdade de imprensa e censura no Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Luís Pablo veio a ser investigado por suposta perseguição ao magistrado, que estaria sendo exposto em sua segurança. A pedido da Polícia Federal, e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, Alexandre de Moraes autorizou busca e apreensão contra Luís Pablo . Seus equipamentos foram examinados e a PF chegou a Raimundo Cutrim, após escandalosa permissão para violar o preceito constitucional que assegura o sigilo da fonte jornalística.

    Moraes argumentou no STF que a garantia não pode servir para acobertar crimes cometidos pelo jornalista. Ainda que se considere o argumento, é de se perguntar: onde está o crime.

    Relatório da PF enviado ao magistrado afirma não ser possível concluir que uma movimentação de R$ 100 mil relacionada a Luís Pablo tenha sido pagamento por publicações contra Dino. Muito estranhamente, no relatório, a polícia notou uma "tendência política" nos textos.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Tendência política não é crime. Se Luís Pablo publicou informações falsas ou ofensivas, há instrumentos legais para responsabilizá-lo. Se participou de algum delito para obter informações, que isso seja demonstrado. Mas sua orientação política não pode servir como indício criminal.

    O episódio é mais preocupante porque não ocorre no vazio. Há anos decisões do STF são questionadas por juristas que veem nelas afrontas a preceitos constitucionais. Permanece vivo, por exemplo, e a gerar desdobramentos, o famigerado inquérito das fake news, aberto de ofício em 2019.

    Reconhecer esse problema não significa aderir à campanha bolsonarista contra o Supremo. Moraes teve papel fundamental na reação institucional à tentativa de golpe, e o STF merece o reconhecimento dos democratas. Mas defender a democracia não concede salvo-conduto para decisões futuras.

    Como escreveu recentemente na Folha a cientista política Marjorie Marona , a memória do 8 de Janeiro não pode servir para desqualificar críticas necessárias ao STF.

    Boa parte dos ministros resiste a reforçar sua legitimidade pela abertura, transparência, responsabilidade e capacidade de conter o ativismo do tribunal, cujos excessos têm chamado a atenção da opinião pública e da sociedade.

    Não é preciso considerar Luís Pablo um modelo de jornalismo para defender seus direitos. Garantias constitucionais não servem só para proteger jornalistas que aprovamos. O princípio basilar do sigilo da fonte precisa ser respeitado. Moraes e Dino erraram —e avançaram no erro com a ideia de reimplantar a obrigatoriedade do diploma de jornalista.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcosaugustogoncalves/2026/08/moraes-e-dino-erram-em-serie-em-caso-envolvendo-luis-pablo.shtml.

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    O jornalista maranhense Luís Pablo, alvo de inquérito após textos contrários ao ministro Flávio Dino — Foto: Folha de S.Paulo

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