Brasil

    Monitoramento de tubarões no litoral do Grande Recife é retomado após 11 anos

    Três pessoas foram vítimas de ataques na região em 2026; um adolescente de 13 anos morreu

    UOL
    4 de setembro de 2026 às 22:00
    Monitoramento de tubarões no litoral do Grande Recife é retomado após 11 anos
    Barco pequeno com pessoas navega em primeiro plano. Ao fundo, prédios históricos do Recife amarelos com cúpulas e detalhes arquitetônicos, além de árvores e pessoas na calçada. — Foto: UOL

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    O monitoramento científico de tubarões no litoral da região metropolitana do Recife foi retomado nesta sexta-feira (4) após 11 anos . O projeto terá duração de 24 meses com expectativa de marcação de até 50 tubarões.

    Embarcação que vai monitorar tubarões saiu na manhã desta sexta-feira (4) para expedição piloto - Ed Machado/Secom · Ed Machado/Secom
    Embarcação que vai monitorar tubarões saiu na manhã desta sexta-feira (4) para expedição piloto - Ed Machado/Secom · Ed Machado/Secom — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em 2026, o litoral do Grande Recife teve três incidentes com tubarão. Em um dos casos, na Praia de Del Chifre, em Olinda, o adolescente Deivson Rocha Dantas, de 13 anos, morreu após ser mordido .

    As expedições do projeto Ecotuba, coordenado pela UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), têm o objetivo de ampliar o conhecimento sobre os tubarões e produzir informações que contribuam para o aprimoramento das ações de prevenção de incidentes, segurança aquática e conservação marinha.

    "O que realizamos hoje foi uma saída piloto, a função dela é testarmos o equipamento, a embarcação e a metodologia do projeto. A partir dela, podemos corrigir alguns ajustes para as próximas expedições", explica a secretária executiva do Cemit (Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões), Danise Alves.

    Iscas de peixes que serão utilizadas para atrair os tubarões - Ed Machado/Secom · Ed Machado/Secom
    Iscas de peixes que serão utilizadas para atrair os tubarões - Ed Machado/Secom · Ed Machado/Secom — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As próximas saídas estão agendadas para domingo (6) e segunda-feira (7).

    Os tubarões serão capturados com a utilização da técnica de pesca com espinhel, em que os anzóis são presos a cabos resistentes a mordidas de grandes predadores, atraídos por iscas de peixes.

    A bordo da embarcação, os animais serão submetidos a procedimentos realizados conforme as normas do Ceua (Comitê de Ética no Uso de Animais), segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha.

    Mãos de pessoa com camisa laranja seguram três peixes inteiros, prateados, sobre uma caixa térmica branca aberta.
    Mãos de pessoa com camisa laranja seguram três peixes inteiros, prateados, sobre uma caixa térmica branca aberta. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Para reduzir o estresse durante o manejo, os animais terão os olhos cobertos com tecido escuro. Em seguida, o anzol é retirado para o início dos procedimentos, que contemplam medição do comprimento corpóreo, identificação do sexo, ultrassonografia em fêmeas para avaliação do estágio reprodutivo e coleta de amostras de tecido e sangue, para análises genéticas e de biomonitoramento.

    Os tubarões também vão receber, na base da primeira nadadeira dorsal, uma etiqueta de marcação individual com informações de contato do projeto, além de um transmissor interno (microchip) implantado por meio de procedimentos cirúrgicos na região ventral.

    O estudo ainda coletará informações ambientais e atmosféricas, como temperatura da superfície do mar, direção dos ventos e das correntes, salinidade e turbidez da água.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    "A partir do momento que a gente conhece como esses animais vivem, a gente vai traduzir essas informações para passar à população de que forma seria o banho de mar mais seguro", diz o professor Paulo Oliveira, pesquisador do Ecotuba.

    A equipe de embarque conta com seis pesquisadores. Serão preferencialmente estudadas as espécies tubarão-tigre ( Galeocerdo cuvier ) e tubarão-cabeça-chata ( Carcharhinus leucas ), relacionadas aos incidentes na região. Também estão previstas ações de educação ambiental e ciência cidadã.

    Ao todo, o projeto tem um investimento de R$ 2,052 milhões, sendo R$ 1,052 milhão oriundos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti) por meio da Facepe (Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco), e R$ 1 milhão aportado pelo Fema ( Fundo Estadual de Meio Ambiente).

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    Atualmente, o monitoramento contínuo dos tubarões ocorre apenas no Arquipélago de Fernando de Noronha, também coordenado pela UFRPE.

    Segundo o Cemit, foram registradas 84 ocorrências em Pernambuco desde 1992, quando teve início a contagem oficial dos casos. Dessas, 70 ocorreram na região metropolitana e 14 em Fernando de Noronha .

    Em 29 de janeiro deste ano, Deivson Rocha Dantas foi mordido na coxa direita na praia de Del Chifre, em Olinda, próximo ao local onde morava. Ele foi socorrido, mas chegou sem vida à unidade de saúde.

    Em 31 de maio, João Lucas Castor Nemezio Sales, 11, foi mordido por tubarão na Praia de Piedade , em Jaboatão dos Guararapes. Ele teve a perna esquerda amputada e sofreu fraturas na mão esquerda. João Lucas recebeu alta em 6 de julho.

    Um dia depois do incidente com o menino de 11 anos, Marcela Vitória de Lima Santos, 19, teve a perna direita arrancada por um tubarão na Praia de Boa Viagem, zona sul da capital. Ela recebeu alta no dia 11 de julho.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/monitoramento-de-tubaroes-no-litoral-do-grande-recife-e-retomado-apos-11-anos.shtml.

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    Embarcação que vai monitorar tubarões saiu na manhã desta sexta-feira (4) para expedição piloto - Ed Machado/Secom · Ed Machado/Secom — Foto: UOL

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