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    Moda africana se destaca por unir ancestralidade e maximalismo

    Marcado pela diversidade cultural e por antigas rotas comerciais, o continente africano se consolida como uma potência da moda global

    Metrópoles
    17 de agosto de 2026 às 05:00
    Moda africana se destaca por unir ancestralidade e maximalismo
    Foto: Metrópoles

    O continente africano é considerado por muitos historiadores o berço da humanidade, por abrigar civilizações e costumes milenares. Entretanto, além de sua relevância histórica, a região mantém uma relação pujante com a moda , impulsionada principalmente por sua diversidade cultural , formada por povos e comunidades distintos, e por sua localização estratégica entre algumas das mais importantes rotas comerciais do mundo, o que favoreceu o intercâmbio com outras nações. Em 2026, impulsionada pelas redes sociais e por eventos como a Copa do Mundo , a moda africana passou a ganhar ainda mais destaque, despertando a curiosidade, sobretudo, do público ocidental.

    A relação da África com a moda é muito mais antiga do que se imagina . Berço de antigos impérios e cortes reais, além de palco de tradições ancestrais e passagem de importantes rotas comerciais transcontinentais, o continente africano reúne vestimentas carregadas de história , que comunicam status, espiritualidade, filosofias e riquezas materiais e imateriais.

    Com a Copa do Mundo 2026 , as seleções africanas também chamaram a atenção por seus trajes, como foi o caso do Congo , que elegeu um visual assinado pelo designer Alvin Mak . A produção, marcada por detalhes estampados, ajudou a destacar a equipe entre as demais delegações.

    Onalaja/Divulgação
    Onalaja/Divulgação — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Entretanto, não é só no Congo que a moda é pulsante . No continente, Nigéria, Senegal e Gana se destacam como potências do setor, influenciando não apenas a cena regional, mas também o cenário internacional.

    Abrangendo diferentes sociedades, a Nigéria reúne referências das culturas iorubá , beninense , hauçá e igbo em suas criações. As marcas nigerianas costumam apresentar peças com contas de coral e roupas adornadas com bronze , elementos que remetem a antigas hierarquias sociais . O vestuário do país é marcado pela riqueza de texturas, pelo simbolismo e pelo trabalho artesanal.

    Senegal é um dos países responsáveis pela formação da moda de luxo na África Ocidental, incorporando técnicas de bordado, tingimento com índigo e confecção de peças fluidas . As marcas senegalesas se destacam pela elegância, pelo conforto e pela riqueza simbólica de suas criações. Além disso, o boubou , túnica tradicional da região, tem origem na cultura senegalesa e se espalhou por diferentes partes do continente africano, além de também ser encontrado em regiões do Oriente Médio.

    Marcas do continente africano se destacam pela diversidade e pelos trabalhos artesanais
    Marcas do continente africano se destacam pela diversidade e pelos trabalhos artesanais — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Uma das maiores contribuições de Gana para a moda africana é o tecido kente , caracterizado pelas cores vibrantes e formas geométricas , além de ser confeccionado artesanalmente. Suas padronagens codificam mensagens filosóficas, valores de liderança e narrativas históricas, sendo utilizadas em peças de luxo, trajes acadêmicos e cerimônias políticas. Desde 2024, o kente é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO .

    Etiqueta Christie Brown, original de Gana

    Além do traje viral da Seleção Congolesa, o Congo possui uma identidade muito autêntica na moda africana. O país se destaca pelo movimento dândi conhecido como La Sape , sigla para Sociedade dos Animadores e Pessoas Elegantes.

    Moda africana - Metrópoles
    Moda africana - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A subcultura é marcada por uma elegância exuberante, com ternos de grifes europeias, cores vibrantes e acessórios maximalistas . Mais do que uma escolha estética, o movimento também comunica resistência e tem suas origens no período de colonização do Congo pela França e pela Bélgica. Essa identidade também se faz presente em algumas marcas congolesas.

    A relação entre o Brasil e a moda africana está profundamente presente no cotidiano e nas marcas brasileiras. Herança do período escravocrata, a cultura brasileira recebeu forte influência das populações negras trazidas de regiões como Nigéria, Benin, Angola e Moçambique . Alguns dos principais símbolos dessa conexão são os turbantes , os búzios , as miçangas , os acessórios maximalistas e o uso de metais.

    As marcas que incorporam referências africanas em suas criações costumam apostar em cores vibrantes e contrastantes, estampas geométricas e silhuetas fluidas . Atualmente, entre as etiquetas que se destacam por promover esse intercâmbio entre África e Brasil estão as baianas Meninos Rei , Dendezeiro , Ateliê Mão de Mãe e a designer Isa Silva .

    Rainha etíope com traje bordado em ouro
    Rainha etíope com traje bordado em ouro — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Apesar de sua enorme riqueza cultural, o continente africano ainda enfrenta muito preconceito , o que contribui para que suas criações sejam subestimadas em relação à de outras regiões consideradas capitais da moda. Como consequência de processos de colonização e de divisões territoriais forçadas, diversos países enfrentam conflitos étnicos, sociais e políticos. Atualmente, nações como Mali, Congo, Nigéria e Moçambique convivem com diferentes níveis de instabilidade, incluindo conflitos armados e crises políticas .

    Tais situações impactam a forma como outras nações enxergam a África. O estilista da Seleção Congolesa , Alvin Mak, afirma que, embora realidades como guerra, violência e doenças, a exemplo do Ebola, estejam presentes no Congo, elas não definem a cultura do país .

    “Embora essas realidades existam, elas não definem nossa cultura. Meu desejo era mudar a imagem e a percepção do meu país por meio da minha arte, mostrar e promover a cultura congolesa, as habilidades artesanais e também contribuir para a geração de empregos no Congo”, afirma o designer.

    Traje de chegada da Seleção do Congo para a Copa do Mundo 2026
    Traje de chegada da Seleção do Congo para a Copa do Mundo 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Marcas africanas trazem o maximalismo, a mistura de texturas e o trabalho artesanal como características principais
    Marcas africanas trazem o maximalismo, a mistura de texturas e o trabalho artesanal como características principais — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Marca nigeriana Tia Adeola
    Marca nigeriana Tia Adeola — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Marca senegalesa Tongoro
    Marca senegalesa Tongoro — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Etiqueta traz aspectos da alta-costura nas peças
    Etiqueta traz aspectos da alta-costura nas peças — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Coleção Tongoro Couture
    Coleção Tongoro Couture — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    A marca Tongoro vestiu Beyoncé em um dos shows da Renaissance Tour
    A marca Tongoro vestiu Beyoncé em um dos shows da Renaissance Tour — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Etiqueta senegalesa Diarrablu
    Etiqueta senegalesa Diarrablu — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Tecido kente, tradicional de Gana
    Tecido kente, tradicional de Gana — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    A estética do La Sape combina referências europeias a elementos próprios e ousados, desafiando a ideia de superioridade colonial
    A estética do La Sape combina referências europeias a elementos próprios e ousados, desafiando a ideia de superioridade colonial — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Marca congolesa afrofuturista Liputa Swagga
    Marca congolesa afrofuturista Liputa Swagga — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Etiqueta Liputa Swagga
    Etiqueta Liputa Swagga — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Passado escravocrata do Brasil impulsionou troca entre o país e a cultura africana
    Passado escravocrata do Brasil impulsionou troca entre o país e a cultura africana — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Dendezeiro traz a ancestralidade africana em suas criações
    Dendezeiro traz a ancestralidade africana em suas criações — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Alvin Junior Mak, designer que assinou a produção da Seleção Congolesa para a Copa do Mundo
    Alvin Junior Mak, designer que assinou a produção da Seleção Congolesa para a Copa do Mundo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Moda africana se destaca por unir ancestralidade e maximalismo - destaque galeria
    Moda africana se destaca por unir ancestralidade e maximalismo - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    House of Marvee
    House of Marvee — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Marca Banke Kuku
    Marca Banke Kuku — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Marca Onalaja
    Marca Onalaja — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Moda africana se destaca por unir ancestralidade e maximalismo - destaque galeria
    Moda africana se destaca por unir ancestralidade e maximalismo - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    A Free The Youth é focada no streetwear
    A Free The Youth é focada no streetwear — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Etiqueta Christie Brown, original de Gana
    Etiqueta Christie Brown, original de Gana — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/ilca-maria-estevao/moda-africana-se-destaca-por-unir-ancestralidade-e-maximalismo.

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