Mobilizar recursos é o principal desafio para 7 em cada 10 ONGs
O terceiro setor brasileiro reúne organizações maduras, mas que ainda operam com estruturas frágeis. As iniciativas existem, em média, há 20,5 anos e 92% têm CNPJ, mas 74% colocam a captação de recursos como o maior desafio enfrentado por elas. Leia mais (09/03/2026 - 17h18)

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O terceiro setor brasileiro reúne organizações maduras, mas que ainda operam com estruturas frágeis. As iniciativas existem, em média, há 20,5 anos e 92% têm CNPJ, mas 74% colocam a captação de recursos como o maior desafio enfrentado por elas.

Os dados são da pesquisa "Desafios do Terceiro Setor no Brasil", produzida pelo Instituto Ekloos, organização que trabalha com fomento, mentoria e aceleração de negócios de impacto no país. O levantamento ouviu 721 iniciativas sociais de todas as regiões do Brasil entre abril e dezembro de 2025.
"Quem vivencia e se sensibiliza com uma questão social não consegue abandonar a causa mesmo que faltem recursos. Somos um setor resiliente", afirma Andréa Gomides, presidente do Instituto Ekloos.
Outros desafios enfrentados pelas organizações, segundo a pesquisa, incluem finanças (17%), comunicação (15%) e gestão de projetos (15%). Quase 60% das organizações não contam com captação de recursos contínua, enquanto 22% afirmam ter recursos captados apenas para o próximo ano e 18% captam esporadicamente.

"As organizações vivem numa montanha-russa. Em certos momentos, têm recursos e estão lá no topo, mas tem outros que é ladeira abaixo", afirma Gomides.
Entre as organizações que possuem recursos captados, 59% têm cobertura de recursos inferior a um ano, 32% de um a dois anos, 4% de dois a cinco anos e apenas 3% dispõem de recursos para mais de cinco anos. Além disso, apenas 12% conseguem captar mais de R$ 1 milhão por ano, e somente 1,5% superam R$ 10 milhões.
"É importante que o apoio recebido pelas empresas e pelo governo não seja pontual. A organização contrata, começa um trabalho legal e acaba o recurso. Então ela demite as pessoas e volta a fazer trabalho voluntário", complementa.

Menos da metade das iniciativas (45%) têm até dez pessoas envolvidas, considerando sócios, colaboradores, prestadores, autônomos e voluntários. Além disso, 46% não remuneram seus funcionários e apenas 6,7% conseguem remunerar equipes com mais de 50 pessoas.
A dificuldade de captação também se estende à gestão, já que a escassez de recursos impacta a estrutura administrativa. Apenas 2% das organizações entrevistadas contam com um profissional externo para captar recursos, enquanto 72% realizam a função por meio do principal gestor da instituição.
Entre os profissionais responsáveis pela gestão de recursos, 70% não se capacitam em gestão de recursos sociais.

"Quem está à frente das organizações têm um nível universitário alto. Mais de 70% têm pós-graduação. Mas esse nível de educação, muitas vezes, é focado nas causas que essas organizações trabalham", explica.
Segundo a pesquisa, tecnologia ainda é pouco utilizada no terceiro setor: 55% das organizações não têm site atualizado sobre o projeto, 59% não têm recurso destinado para comunicação e 65% não usam tecnologias inovadoras.
"Elas não conseguem inovar sua forma de executar o projeto social porque falta o recurso financeiro e o conhecimento para isso", afirma Gomides, que defende que investir na estrutura das organizações é também potencializar o impacto que elas geram nos territórios.

"São organizações que fazem muito com pouco. Imagine o impacto que poderia ser alcançado com mais apoio institucional, equipes fortalecidas e modelos de financiamento mais estáveis e de longo prazo".
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/folha-social-mais/2026/09/mobilizar-recursos-e-o-principal-desafio-para-7-em-cada-10-ongs.shtml.

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