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    Misterioso buraco gravitacional com milhões de quilômetros no Oceano Índico não é o maior do mundo: Antártida tem anomalia ainda mais profunda

    Medição alternativa revela que o buraco gravitacional do Oceano Índico não é o maior do mundo, ficando atrás de uma anomalia na Antártida O post Misterioso buraco gravitacional com milhões de quilômetros no Oceano Índico não é o maior do mundo: Antártida tem anomalia ainda mais profunda apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    21 de agosto de 2026 às 17:39
    Misterioso buraco gravitacional com milhões de quilômetros no Oceano Índico não é o maior do mundo: Antártida tem anomalia ainda mais profunda
    Foto: Olhar Digital

    Esta afirmação pode parecer polêmica, mas… a Terra não é redonda (nem plana , obviamente!). Na verdade, o nosso planeta tem uma forma irregular, cheia de protuberâncias e deformações causadas pelas variações da gravidade em cada região.

    Essas deformidades ocorrem porque a densidade do interior do planeta não é uniforme. Rochas e estruturas sob a superfície se movem, gerando forças gravitacionais com intensidades ligeiramente diferentes e formando o que os cientistas chamam de geoide.

    Nas profundezas do Oceano Índico , a atração gravitacional cai para níveis extraordinariamente baixos. Essa variação cria um imenso “buraco” de gravidade com cerca de três milhões de quilômetros quadrados, transformando o fundo marinho em uma vasta depressão.

    Flavia Correia
    Flavia Correia — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Essa região é conhecida como Baixa Geoide do Oceano Índico. Com menos gravidade para puxar a água, o nível do mar nessa área chega a ficar mais de 100 metros abaixo da média global.

    Durante muitos anos, a origem dessa imensa cavidade gravitacional permaneceu um grande mistério. Em um estudo de 2023 , pesquisadores do Instituto Indiano de Ciência conseguiram, pela primeira vez, reconstituir a história tectônica dessa anomalia.

    A pesquisa revelou que a explicação está a mais de mil quilômetros de profundidade. Há cerca de 30 milhões de anos, os restos frios do antigo Mar de Tétis afundaram sob a África, empurrando rochas derretidas e quentes para a superfície.

    Ondulação geoide em falsa cor sob o Oceano Índico. – Crédito: Centro Internacional para Modelos Globais da Terra/Wikimedia, CC BY 4.0
    Ondulação geoide em falsa cor sob o Oceano Índico. – Crédito: Centro Internacional para Modelos Globais da Terra/Wikimedia, CC BY 4.0 — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    As simulações daquele estudo mostraram que plumas de magma quente e de baixa densidade subiram pelo manto terrestre. Essas estruturas de material flutuante alteraram a densidade da região, gerando a famosa depressão gravitacional no Índico.

    Na época, o buraco no Oceano Índico foi consagrado como o mais profundo do planeta. No entanto, um artigo mais recente publicado na revista Scientific Reports trouxe uma reviravolta surpreendente sobre o mapa da gravidade terrestre.

    Segundo o novo estudo, o buraco do Oceano Índico tem um concorrente ainda maior. Cientistas do Instituto de Física do Globo de Paris, na França, e da Universidade da Flórida, nos EUA, aplicaram um novo método de mapeamento e encontraram outra dimensão para o fenômeno.

    Os cientistas geralmente usam o geoide “não elíptico” para considerar a força da gravidade da Terra em sua superfície, mas o novo estudo usa o geoide “não hidrostático” para destacar os polos da Terra. – Crédito: Glišović e Forte, 2025, htt
    Os cientistas geralmente usam o geoide “não elíptico” para considerar a força da gravidade da Terra em sua superfície, mas o novo estudo usa o geoide “não hidrostático” para destacar os polos da Terra. – Crédito: Glišović e Forte, 2025, htt — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Os pesquisadores utilizaram dados atualizados dos satélites GRACE, da NASA em parceria com o Centro Alemão de Pesquisas em Geociências (GFZ), para analisar a gravidade a partir de um referencial diferente.

    Tradicionalmente, os mapas comparam a Terra a um elipsoide padrão, que apenas compensa o achatamento dos polos e a rotação. Desta vez, a equipe utilizou um “elipsoide hidrostático”, que calcula como a gravidade se comportaria se o planeta estivesse em repouso perfeito. Ao remover esses efeitos, surgiu um panorama totalmente novo do manto terrestre.

    Sob esse novo referencial, a Baixa Geoide Antártica, localizada no oeste do continente gelado, revelou-se ainda mais profunda do que a anomalia do Oceano Índico. O achado redefiniu as comparações históricas entre essas duas regiões.

    Quadro comparativo entre as anomalias do Oceano Índico e da Antártida – Crédito: Imagm gerada por IA/ChatGPT – Olhar Digital
    Quadro comparativo entre as anomalias do Oceano Índico e da Antártida – Crédito: Imagm gerada por IA/ChatGPT – Olhar Digital — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Isso não significa que as descobertas de 2023 sobre o Oceano Índico estavam incorretas. Como explicam os próprios autores da nova pesquisa em um comunicado , a força da gravidade não mudou em nenhum dos locais; o que mudou foi a régua de comparação.

    A anomalia sob a Antártida é extremamente antiga, existindo há pelo menos 70 milhões de anos. Ela se deslocou do Atlântico Sul até sua posição atual devido a uma rápida redistribuição de massa no interior do planeta.

    Esse movimento no interior da Terra funcionou de maneira semelhante ao fluxo de uma lâmpada de lava. A interação entre placas tectônicas afundadas e rochas aquecidas do núcleo impulsionou essas transformações ao longo de milhões de anos.

    ondulação geoide oceano índico
    ondulação geoide oceano índico — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A descoberta mais recente traz também uma hipótese importante para o clima global. As alterações na gravidade antártica podem ter reduzido o nível do mar na região há cerca de 34 milhões de anos.

    Essa queda no nível do mar coincide com o período em que a Antártida começou a congelar permanentemente. A anomalia gravitacional pode ter criado as condições ideais para o surgimento das primeiras calotas polares da Terra.

    Especialistas reforçam que a Baixa Geoide do Oceano Índico continua sendo uma das estruturas mais marcantes do planeta. Ambas as anomalias ajudam a ciência a entender como o interior da Terra molda a superfície ao longo das eras.

    geoide não hidrostatico terra
    geoide não hidrostatico terra — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Essas fascinantes deformações gravitacionais não desaparecerão tão cedo. Segundo os modelos computacionais, tanto o buraco do Oceano Índico quanto o da Antártida persistirão por muitos milhões de anos no futuro.

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    anomalias gravitacionais
    anomalias gravitacionais — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/21/ciencia-e-espaco/misterioso-buraco-gravitacional-com-milhoes-de-quilometros-no-oceano-indico-nao-e-o-maior-do-mundo-antartida-tem-anomalia-ainda-mais-profunda/.

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