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    Ministro vê terras raras como ativo para Brasil em disputa entre EUA e China

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    Folha de S.Paulo
    26 de agosto de 2026 às 18:25
    Ministro vê terras raras como ativo para Brasil em disputa entre EUA e China
    Complexo industrial com vários galpões, tanques circulares e estruturas metálicas em terreno aberto cercado por vegetação densa. Estradas de terra e áreas de armazenamento visíveis ao redor das construções. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A mineradora Serra Verde, em Goiás - Divulgação Serra Verde · Divulgação Serra Verde
    A mineradora Serra Verde, em Goiás - Divulgação Serra Verde · Divulgação Serra Verde — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou na segunda-feira (24), em Belo Horizonte, que ouviu de Donald Trump e de sua equipe que "os Estados Unidos perderam a corrida dos minerais críticos para a China".

    A declaração veio num discurso na Exposibram, um grande congresso anual de mineração sediado na capital mineira, em que Silveira defendia atrair capital estrangeiro para processar minério em solo brasileiro.

    Reprodução · Reprodução
    Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Silveira contou ter passado uma hora na Casa Branca durante a viagem de Lula a Washington em maio e disse que os americanos citaram eletrificação, separação de minerais e indústria bélica, admitindo estar correndo atrás do gigante asiático.

    O argumento central do ministro foi que os EUA não têm escolha a não ser trabalhar com o Brasil porque produzir terras raras lá é mais caro do que aqui. Sobre a China, Silveira disse acreditar que Pequim talvez não tenha interesse em investir na separação e no processamento de terras raras em território brasileiro, já que tem abundância e domina a tecnologia.

    Horas antes do discurso, o Departamento de Defesa americano anunciou US$ 750 milhões (R$ 3,8 bilhões) para o veículo que vai comprar carbonato misto de terras raras da Serra Verde, em Goiás.

    Secretário de Comércio, Howard Lutnick, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Nathan Howard - 6.jul.25 /Reuters · Nathan Howard - 6.jul.25 /Reuters
    Secretário de Comércio, Howard Lutnick, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Nathan Howard - 6.jul.25 /Reuters · Nathan Howard - 6.jul.25 /Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com isso, o pacote de investimentos previstos para o projeto no centro-oeste chega a US$ 1,5 bilhão (R$ 7,7 bilhões), com US$ 300 milhões em contratos de compra antecipada da Defense Logistics Agency e US$ 500 milhões em dívidas bancárias. O acordo de offtake (compra garantida) é de quinze anos e tem piso de preço para neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, minerais críticos cuja cadeia de extração e processamento está majoritariamente concentrada na China.

    A mina de Serra Verde é a única em operação no país e sua produção estava comprometida com processadores chineses em contratos de dez anos, renegociados em dezembro para terminar ainda em 2026. O ativo, porém, foi comprado pela USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões em um processo atualmente contestado no Supremo pela Rede Sustentabilidade.

    Por que importa: o Brasil está trocando de comprador sem conquistar a etapa que concentra valor. O único ativo em produção sai de contratos chineses, ganha dono americano e passa a entregar intermediário sob contrato de 15 anos, enquanto a separação continua fora do país. Isso estreita o espaço da equidistância que Lula defende desde maio, porque a decisão sobre onde o valor é agregado deixa de ser tomada em Brasília.

    Escritório do TikTok na Califórnia - Patrick T. Fallon - 30.set.25/AFP · Patrick T. Fallon - 30.set.25/AFP
    Escritório do TikTok na Califórnia - Patrick T. Fallon - 30.set.25/AFP · Patrick T. Fallon - 30.set.25/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ilustração do artista Wei Dong, notável pela mescla de técnicas tradicionais da pintura chinesa, como as paisagens das dinastias Ming e Qing, com o estilo oficial de propaganda da era Mao (o chamado realismo socialista). Saiba mais sobre ele aqui .

    ★ A China e a Índia concordaram nesta terça-feira em buscar uma solução mutuamente aceitável para a disputa de fronteira. A briga já dura décadas e abriu um cisma entre os vizinhos em 2020. O chanceler chinês, Wang Yi, recebeu em Pequim o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval, para tratar do tema e das relações bilaterais. Os dois países dividem cerca de 3.800 quilômetros de fronteira em grande parte não demarcada no Himalaia. Wang disse que a relação entre os vizinhos ganhou peso global e pediu mais comunicação. O diálogo avança desde o acordo de desengajamento militar de outubro de 2024 e tem acelerado diante da pressão americana, além da imposição de tarifas sobre produtos indianos. A próxima rodada de negociações será na Índia, em 2027.

    ★ O Exército chinês abriu um canal público para receber denúncias de irregularidades em compras da Força de Foguetes, responsável pelo arsenal nuclear e pelos mísseis convencionais. O aviso foi publicado na segunda-feira (24) no portal de licitações militares. Os relatos podem tratar de serviços, obras, alimentos e equipamentos médicos, incluindo projetos de agências de licitação, e as denúncias devem cobrir etapas como planejamento de demanda, avaliação de propostas, execução de contratos e compras online. O canal telefônico ficará aberto até o fim de novembro. A Força de Foguetes foi fortemente atingida, em 2023, pela campanha anticorrupção de Xi Jinping, e a maior parte da sua liderança está hoje presa sob acusações de fraude, lavagem de dinheiro e superfaturamento de contratos.

    Pintura mostra mulher sorridente de camisa azul, com cabelo preso, ao lado de figura reclinada com tatuagens e cabelo azul. Fundo inclui detalhes em vermelho e painel decorativo com paisagem tradicional.
    Pintura mostra mulher sorridente de camisa azul, com cabelo preso, ao lado de figura reclinada com tatuagens e cabelo azul. Fundo inclui detalhes em vermelho e painel decorativo com paisagem tradicional. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    ★ Parlamentares republicanos e democratas pediram nesta terça-feira que o governo Trump proíba os americanos de apoiar agências civis de inteligência da China e da Rússia. Uma lei de 2018 veta esse auxílio a agências de inteligência militar estrangeiras, mas deixou de fora as civis. Em carta ao secretário de Comércio, Howard Lutnick, os senadores Ron Wyden e John Cornyn cobraram a regulamentação de uma medida aprovada em 2022. Segundo eles, as brechas atuais permitem que serviços estrangeiros contratem consultores e comprem tecnologia americana de vigilância e de inteligência artificial. A cobrança bipartidária acontece antes da visita de Xi Jinping a Washington, em setembro.

    A ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) multou a ByteDance , dona do TikTok, em R$ 153,7 milhões nesta terça (25), a maior sanção da agência desde 2020. O valor se reparte em três multas por tratamento de dados de crianças e adolescentes sem hipótese legal no app chinês.

    A apuração começou em março de 2021. Fiscais da agência testaram o aplicativo em outros países e perceberam que apenas no Brasil a plataforma autorizava o uso do feed sem cadastro, dispensando conta e idade.

    A imagem mostra dois homens em primeiro plano. O homem à esquerda usa um boné branco com a inscrição '45-47' e um paletó escuro. O homem à direita tem cabelo curto e usa uma camisa clara com um paletó escuro. O fundo é um céu azul claro.
    A imagem mostra dois homens em primeiro plano. O homem à esquerda usa um boné branco com a inscrição '45-47' e um paletó escuro. O homem à direita tem cabelo curto e usa uma camisa clara com um paletó escuro. O fundo é um céu azul claro. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No processo, a ByteDance sustentou que crianças não são usuárias autorizadas e que seus termos de serviço valem como contrato. A empresa chinesa disse ainda que usar o aplicativo é ato corriqueiro, com autorização tácita dos pais, embora menores de 16 anos não possam legalmente assinar contratos ou termos de compromisso vinculantes.

    A nota da ANPD também acusou a ByteDance de enganar a apuração. Segundo a nota de 25 páginas publicada pela agência, a companhia prestou informações inverídicas sobre qual era o padrão de cadastro. Quando questionada sobre dados de crianças já vendidos a parceiros de publicidade, respondeu apenas que "não faria novos repasses". A agência chamou a resposta de "jogo semântico" e acusou o TikTok de lucrar com dados de 1 a cada 5 crianças no Brasil.

    A decisão se soma a punições semelhantes aplicadas contra o aplicativo chinês nos últimos meses. Quatro dias antes, por exemplo, o TikTok pagou US$ 400 milhões ao Departamento de Justiça americano por acusações parecidas. A União Europeia também multou a empresa em 530 milhões de euros em 2025.

    Logo colorido do TikTok fixado em fachada de concreto sob céu azul claro, vista de baixo para cima.
    Logo colorido do TikTok fixado em fachada de concreto sob céu azul claro, vista de baixo para cima. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Por que importa: Brasília escolheu punir a conduta da empresa chinesa, enquanto Washington fez o oposto em janeiro, ao obrigar a ByteDance a ceder o controle da operação americana e ficar com 19,9%. Para a empresa, o caminho brasileiro é barato, porque preserva o algoritmo e a estrutura societária em um mercado de 98 milhões de usuários. O risco está na segunda frente deixada em aberto pela ANPD, sobre o uso de identificadores publicitários no feed sem cadastro. Se avançar, a investigação poderá atingir a infraestrutura interna de anúncios, e não apenas o cadastro de menores.

    O CEBC e o CEBRI realizam na semana que vem o webinar "Brasil, China e a Governança da Inteligência Artificial". O evento vai falar sobre a organização de cooperação em IA anunciada pela China em Xangai que teve o Brasil como um dos países signatários. Participam da mesa o embaixador Eugênio Vargas Garcia, do Itamaraty, Dora Kaufman e Diogo Cortiz, ambos da PUC-SP, com moderação de Marcos Caramuru e Cláudia Trevisan. Inscrição neste link .

    O Centro de Convenções e Exposições de São Paulo recebe de 16 a 18 de setembro o China Homelife Brazil, evento voltado para importadores que reunirá mais de mil fornecedores chineses em categorias que vão de materiais de construção a eletrônicos, máquinas e têxteis. Interessados terão acesso a tradução gratuita e programa de encontros com fornecedores. Mais informações aqui .

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/ministro-ve-terras-raras-como-ativo-para-brasil-em-disputa-entre-eua-e-china.shtml.

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